Líder comunitário Wilson Pinter encabeça campanha e defende a adoção de artefato para captura dos insetos - Foto: Eduardo Montecino/OCP Online
Líder comunitário Wilson Pinter encabeça campanha e defende a adoção de artefato para captura dos insetos - Foto: Eduardo Montecino/OCP Online
A iniciativa não é aprovada pelas autoridades sanitárias, mas a preocupação em eliminar o temível mosquito Aedes aegypti, causador de dengue, chikungunya e zika vírus, está levando parte da população a buscar soluções alternativas, como as armadilhas caseiras. Em Jaraguá do Sul, aproximadamente 150 moradores do bairro Barra do Rio Molha, que integram a campanha “Vizinho Solidário”, voltada à vigilância e à segurança das moradias, aderiram à campanha.
Além dos mutirões para limpeza de terrenos baldios e espaços onde há água acumulada, a iniciativa inclui a confecção e distribuição de armadilhas para captura do vetor. A Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive-SC) contesta a iniciativa por considerar ineficaz no combate à proliferação do inseto e por piorar a situação.
O passo a passo para a confecção da chamada “mosquitoeira” circula nas redes sociais e reproduz uma entrevista com o educador mineiro Roberto Silvestre, formado em Engenharia de Telecomunicações, que tem um observatório em casa. Na entrevista, o professor afirma que “de 100 mosquitos, baixou para zero”, e foi recebida pelo aplicativo WhatsApp pelo líder comunitário Wilson Pinter. Ele se empolgou com o resultado e passou a criar e distribuir a armadilha para mais de 150 pessoas. “Esse vídeo já foi passado para mais de 200 pessoas, da Barra do Rio Molha, Barra do Rio Cerro, João Pessoa e Vila Nova”, enfatiza.
O artefato é produzido com garrafa pet (cortada ao meio, lixada por dentro e encaixada ao contrário), tela do tipo tule, fita isolante, inserção de três grãos de arroz crus amassados e água até a borda (onde os mosquitos caem e lançam os ovos).
“Na minha cozinha, peguei 50 mosquitos em um mês. É preciso esperar que a água fique amarelada. Depois, a gente abre o lacre, tira tudo, lava com detergente e seca bem. Depois se troca o tule e se volta a utilizar a armadilha”, relata. Até o momento, foram mais de 150 armadilhas entregues. As garrafas são buscadas por doações dentro da comunidade e a intenção é mobilizar outros bairros.
“Falsa sensação de segurança”
Na semana passada, a Dive-SC emitiu um comunicado em que “não recomenda o uso de armadilhas caseiras para o combate ao mosquito Aedes aegypti”. O documento afirma que “a falta de gerenciamento adequado dessas armadilhas eleva o risco de disseminação do mosquito. Eliminar os criadouros ainda é a melhor ação a ser executada para combater a proliferação deste vetor.”
O coordenador do Programa de Controle da Dengue no Estado, João Fuck, afirma que essas armadilhas levam a uma “falsa sensação de segurança e tiram o foco principal, a fêmea do Aedes aegypti, que tem de 30 a 45 dias de vida e, nesse período, desova de 400 a 600 ovos, que coloca em vários depósitos”. Ou seja, se os ovos são colocados na armadilha, ocorre o mesmo em vários outros lugares e o risco continua. Ele complementa que, por essa razão, “a melhor estratégia é eliminar os locais de água parada.”