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Aposentado de 64 anos passa pelo primeiro transplante de rim realizado em Jaraguá do Sul

Vieira já recebeu alta e agora precisa fazer as consultas de acompanhamento com a equipe médica | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Por: Elissandro Sutil

14/06/2019 - 05:06

Amor é a palavra usada pelo aposentado José Henrique Vieira, 64 anos, para definir a sensação de ser o primeiro paciente a passar por um transplante de rim no Hospital São José, em Jaraguá do Sul. “Amor a quem doou, aos médicos que me atenderam, a todos”, declara.

O sentimento pode ser percebido facilmente durante a consulta de acompanhamento entre ele e a equipe médica. A cirurgia foi realizada no último dia 27 e superou as expectativas dos profissionais envolvidos e também da família Vieira.

O paciente estava na fila de espera desde o início do mês de maio, mas fazia um acompanhamento constante no hospital há cerca de dois anos para as sessões de hemodiálise. “Nunca tive a ansiedade de fazer o transplante, não reclamava da minha máquina, tentava viver minha vida com ela, mas isso vai te sugando aos poucos”, conta ele.

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Vieira tinha os dois rins policísticos, uma doença genética que influencia no funcionamento normal do órgão e pode causar infecção, cálculos renais, pressão alta e, com o passar do tempo, insuficiência renal.

Vieira e a esposa Sonia deixaram Florianópolis para fazer o tratamento em Jaraguá | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Morando há 30 anos em Florianópolis, Vieira veio visitar familiares em Jaraguá do Sul em 2017 e no último dia de viagem, se sentiu mal e foi encaminhado para o hospital, onde ficou internado quase 30 dias. “Foi aqui que descobri que tinha perdido os dois rins. Depois disso, nos mudamos para cá e começamos o tratamento. Não temos intenção de voltar para a capital”, enfatiza.

A esposa de Vieira, Sônia Terezinha, observa que o sistema de saúde em Jaraguá foi o que motivou a família a ficar aqui. “A assistência é ótima, tanto para o paciente como com os acompanhantes. Temos muita gratidão por tudo”, se emociona.

Vieira comenta que nos últimos dois anos criou um vínculo de amizade com toda a equipe e isso fez ele se sentir leve, apesar da doença. “Fui para a mesa de operação tranquilo”, garante.

Avaliação médica é positiva

Segundo um dos médicos que conduziram o transplante, Nestor Saucedo Junior, o estado de saúde de José Henrique Vieira está ótimo.

O profissional explica que é comum o rim demorar um pouco para funcionar no novo corpo após o transplante, mas no caso de Vieira, a função renal foi restabelecida logo após o procedimento.

O órgão foi coletado em outra cidade e, conforme Saucedo Junior, estava em excelentes condições. “Era de um paciente jovem, sem sinal de infecção e com boa função renal”, avalia.

Urologista Lucas Galdino (D) e cirurgião geral Saucedo Junior estão entre os médicos que acompanham o caso | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Agora, Vieira deve seguir os cuidados pós-transplante que abrangem, além dos medicamentos imunossupressores fornecidos pelo SUS, a alimentação do paciente e contato em ambientes públicos.

Fila de espera

Desde julho de 2017, o Hospital São José está habilitado para fazer transplantes de fígado e rim. De fígado, já foram feitos oito procedimentos e o transplante renal de  José Henrique Vieira foi o primeiro da instituição.

De acordo com Saucedo Junior, a unidade tem uma fila de espera com nove pessoas para o transplante de rim e cinco para o de fígado. Os procedimentos dependem de diversos fatores como confirmação de morte encefálica, autorização da família e compatibilidade com os paciente que aguardam pela nova chance.

 

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Elissandro Sutil

Jornalista e redator no OCP