Uma segunda casa. É assim que a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Jaraguá do Sul é definida por usuários, familiares e profissionais.

Os laços emocionais são nítidos e fortes entre todos os elos que fazem essa entidade tornar a inclusão mais próxima da realidade. Um trabalho obstinado que neste mês de julho completou 47 anos.

Com o passar dos anos, o crescimento foi exponencial e deve seguir assim, conta o presidente da Apae Elder Stringari.

Ele assumiu a gestão da associação pelos próximos 3 anos e, como muitos, é movido por uma relação de familiaridade que começou com o nascimento da filha, Maria Regina, em 2012.

Foi o diagnóstico da Síndrome de Down que levou Elder e a esposa Kathia a procurar o programa de estimulação precoce.

“Nós fomos muito bem acolhidos, a Maria Regina completou o programa aos seis anos, saiu da Apae, e hoje frequenta apenas a escola regular. Mas eu não consegui mais sair”, conta.

Elder Stringari assumiu a presidência da entidade pelos próximos 3 anos. Foto: Divulgação

Atualmente a Apae conta com 526 usuários e 110 funcionários, uma estrutura grandiosa que todo ano vai pedindo crescimento. Para se ter ideia, de 2010 a 2020 houve aumento de 96% no número de usuários.

“Nosso principal desafio está em preparar a Apae para atender a demanda crescente”, ressalta Stringari. “Essas pessoas são atendidas em diversos programas que vão desde a avaliação e diagnóstico dos que chegam, à educação e trabalho para os jovens, até o Centro de Convivência para os usuários em processo de envelhecimento”.

A diretora da Apae Pricila Lorentz Muller complementa que um dos cuidados é expandir de forma proporcional para manter a qualidade do atendimento, quantidade de profissionais técnicos e pedagogos, assim como espaço físico, com salas de atendimentos e materiais pedagógicos.

Pricila conta que um dos pontos que fez a demanda aumentar é o encaminhamento precoce de crianças que apresentam atraso neuropsicomotor - o que possibilita um desenvolvimento global e previne a deficiência.

O presidente também comenta que nos últimos 2 anos, a entidade passou a atender mais de 150 pessoas com Transtorno do Espectro Autista.

“Temos então dois importantes desafios: a capacitação da equipe técnica para que possamos obter o melhor resultado para os nossos usuários, que são a razão da Apae existir, e têm necessidades diversas; e a estruturação e preparação da equipe de gestão para que os recursos, que são públicos, sejam empregados de maneira correta, eficiente e com a devida transparência”, pontua.

Um ano especialmente desafiador

Além das tarefas que já estavam na mesa, este ano trouxe uma onda de novas demandas e desafios por conta da pandemia do Covid-19.

Em primeiro lugar, pela paralisação das atividades pedagógicas - atualmente estão sendo prestados presencialmente apenas os serviços de saúde.

“Tivemos que nos redescobrir, hoje nossos profissionais estão fazendo atividades on-line para os nossos usuários. É lindo como as famílias estão cada vez mais engajadas com o nosso trabalho, recebemos muitos feedbacks como: ‘nossa não sabia que ele fazia isso na Apae’ e essa é uma grande construção”, comenta Pricila.

O baque financeiro também foi sentido. Stringari conta que a entidade cancelou todos os eventos para captação de recursos, como a tradicional galetada e a famosa festa junina.

Pricila conta que a entidade tem se redescobrido durante a pandemia. Foto: Divulgação

Os recursos que chegam por meio de convênios com o governo federal (SUS), governo estadual e com as prefeituras de Jaraguá do Sul, Schroeder e Corupá devem ser afetados pela queda de arrecadação pública.

“Nossas principais despesas são com pessoal e manutenção das instalações, também temos grande preocupação com a necessidade de investimentos para atender à crescente demanda”, comenta o presidente.

Como ajudar

Neste sábado (16), acontece a Live Solidária em prol da Apae com os cantores Gabriel Tomáz e Evandro Lucca, com participação de Maicon Pereira - será transmitida na página de Facebook do OCP News e Aconteceu em Jaraguá do Sul.

Durante a transmissão, que acontece das 17h às 21h, será possível doar para a entidade por transferência bancária ou por um QR Code.

Mas existem várias formas de ajudar. A Apae recebe doações através da fatura do Same ou Celesc.

Também pelo projeto cadastrado no Fundo da Infância e da Adolescência para captação de recurso através da lei de incentivo fiscal. Pessoas físicas podem doar até 3% do seu imposto de renda devido no ato da declaração e Pessoas Jurídicas que deduzem pelo lucro real podem doar até 1%.

Instruções mais detalhadas podem ser encontradas no site www.apaejaragua.com ou os contadores da região.

A entidade recebe ainda doações eventuais em espécie ou produtos de higiene e limpeza, além de alimentos e roupas para nossas famílias carentes.

Dúvidas, inclusive sobre voluntariado, podem ser esclarecidas através dos telefones (47) 3370 2735 ou 99187-8567 com a Jaqueline Alves.

16 anos na família Apae

Como acontece com a maioria das famílias, a professora Elenice Bahr Garcia chegou a Apae buscando apoio para o filho. Guilherme, hoje com 18 anos, nasceu prematuro e teve falta de oxigênio da hora do parto o que acarretou numa paralisia cerebral.

Guilherme, na cadeira de rodas, rodeado dos colegas. Ele se orgulha de ser usuário da Apae. Foto: Arquivo Pessoal

Elenice conta que ele frequentou a Apae entre os 2 e 4 anos, passou pelos programas de inclusão na escola e aos 10 anos voltou para entidade, onde segue até hoje.

“Ele gosta muito da instituição, lá ele se sente feliz e tem muito orgulho de fazer parte da Apae. Lá ele tem muitos amigos e recebe muito carinho. Inclusive de todos os funcionários”, comenta a mãe.

Pai James, Guilherme e Elenice. Foto: Arquivo Pessoal

Ela ressalta que a entidade tem um papel importante por evoluir ao longo dos anos e estar sempre bem equipada, o que faz muita diferença no tratamento. É um olhar individual para cada pessoa que frequenta a entidade. “Cada um precisa de uma atenção e cuidado diferenciado”, diz.

Trabalho de coração

Ao responder à entrevista, a fisioterapeuta Elaine Cristine de Souza foi bem direta: “a Apae é a minha segunda casa. Difícil falar sem se emocionar”. Não teria como ser diferente, afinal, são 20 anos trabalhando na entidade.

Elaine comenta que fazer parte dessa evolução, mas especialmente da evolução diária de cada usuário, é gratificante.

Elaine ressalta a importância de receber reconhecimento. Foto: Arquivo Pessoal

Como profissional, desde 2000, o trabalho a estimulou a buscar especialização em neuropediatria e fazer diversos cursos, entre eles da Terapia Snoezelen - a Apae inclusive ganhou uma sala baseada nesta técnica, onde são estimulados os sentidos.

“A Apae de Jaraguá do Sul sempre foi referência no estado de Santa Catarina e continua sendo. Sempre estamos inovando e proporcionando o melhor atendimento às pessoas com deficiência”, confia.

Trabalho com a Terapia Snoezelen. Foto: Arquivo Pessoal

Motor da inclusão

Pessoas com deficiência na rede regular de ensino e no mercado de trabalho. Entidades como a Apae estão diretamente relacionadas a essas conquistas, que hoje parecem tão asseguradas, mas que exigiram anos de conscientização.

“Apesar de ainda haver preconceito, eu percebo que a inclusão está avançando sim no Brasil, e no mundo. Como pai, observo muito isso. O simples fato de termos crianças com deficiência nas escolas regulares, desde muito cedo, faz com que as demais crianças entendam a diferença de forma natural. E levem isso para sua vida”, comenta Stringari.

Pricila e Elder destacam que todos os eventos e atividades promovidas têm o objetivo maior de aproximar a comunidade da Apae e demonstrar a capacidade dos usuários.

Inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho é uma das conquistas. Foto: Arquivo OCP News

Muito já foi feito, mas ainda há muito a fazer. “Acredito que a primeira barreira é do conhecimento, já evoluímos muito, mas precisamos falar disso diariamente. Precisamos avançar ainda também nas políticas públicas, capacitando os profissionais de forma geral para o atendimento especializado”, finaliza Pricila.

Grandes marcos

1973
Surge em Jaraguá do Sul no dia 12 de julho daquele ano a Apae. A criação foi uma iniciativa do Lions Club.

Os primeiros usurários da Apae, em 1974.

1974
Os trabalhos iniciaram neste ano, a Apae era chamada de Escola Especial "Tia Amélia". Eram 2 professores, uma zeladora e 12 alunos. O prédio ficava na rua Pastor Ferdinando Schlúzen, nº 18.

1978
Foi inaugurada a sede própria na Rua José Emmendoerfer nº 328, que mais tarde se tornou Escola Especial de Jaraguá do Sul.

1993
Foi lançada a outra ideia arrojada: campanha Adote Um Excepcional. O resultado foi além do esperado, centenas de nomes anônimos contribuíram.

Desde 1999 a entidade está no mesmo local, mas muita evolução aconteceu.

1999
Após anos de campanha para arrecadar recursos para o projeto arrojado de R$ 90 mil, na época, acontece a inauguração da nova sede da Apae, onde segue funcionando até os dias de hoje.

Aumento na demanda

  • 2000 – 168 usuários
  • 2010 – 268 usuários
  • 2018 – 343 usuários
  • 2020 – 526 usuários

 

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