A pandemia do novo coronavírus afetou em cheio diversos setores do mundo. Na educação, os professores precisam se adaptar a nova realidade e buscar um novo formato de ensino para chegar, ou até, potencializar, o resultado final.

A reinvenção que muitas escolas estão passando se torna ainda mais difícil para quem trabalha na educação especial. E em Jaraguá do Sul, a Associação dos Amigos do Autista (AMA) e a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) têm encontrado alternativas para enfrentar esse momento.

O diretor da AMA Rafael Almeida Ferreira, destaca que todos os usuários estão realizando atividades de forma online nesse momento de pandemia. Todas as aulas são transmitidas em forma de vídeos, imagens e documentos.

As orientações também continuam sendo realizadas, de forma online, para que os usuários possam manter a reabilitação em suas casas. O diretor conta que cada usuário tem o seu jeito de fazer as atividades e a equipe da AMA respeita o tempo de cada um.

"Os pais mandam vídeos dos filhos fazendo atividades, alguns têm mais dificuldades, outros seguem mais a risca, mas todos estão sendo amparados nesse momento", afirma.

Rafael comenta que a AMA conta com as pessoas contratas pela instituição, que é o corpo técnico, formado por psicólogos, orientadora pedagógica, fonoaudióloga e assistente social. E os professores que são cedidos pela fundação de educação especial, que tem um regime delimitado pela própria fundação.

Foto Divulgação/AMA

Nesta semana, o corpo técnico se reuniu para definir as diretrizes para o futuro. De acordo com Rafael, ficou definido que a equipe técnica que os atendimentos serão mais personalizados. A equipe técnica voltou a trabalhar e vai fazer orientações com as famílias para continuar melhorando o trabalho home office dos professores.

"Algumas famílias estamos chamando de forma individual para conversar, outras estamos indo até a casa delas, respeitando todos os protocolos de segurança, não adentrando nas casas", comenta.

Nessa orientação, o corpo técnico vai questionar as famílias sobre que os usuários estão necessitando e a abordagem nos vídeos e materiais enviados pelos professores.

"Vamos fazer um atendimento mais personalizado para cada tipo de programa que ofertamos e para cada usuário específico, analisando de que forma podemos prestar o atendimento para cada aluno", finaliza.

Criatividade e adaptação

A coordenadora da Apae de Jaraguá do Sul Yeda Marssaro, comenta que trabalhar com educação especial requer criatividade e adaptações. Porém, ela conta que a conexão entre família e entidade foi fundamental para o sucesso das atividades de forma online.

"Em todos os programas buscamos trabalhar em equipe para atender as necessidades de todos, considerando que nosso público é bem variado", comenta.

Alunos do Programa Educação e Trabalho da Apae | Foto Divulgação

A professora do Programa Educação e Trabalho, Adriana Buzzi, conta que tem buscado redirecionar os projetos da instituição e atividades através do WhatsApp, áudios, vídeos e vídeo-chamadas. "Estamos trabalhando com pequenos grupos e atendimentos individuais conforme a necessidade de cada um", afirma.

A arte educadora Elisangêla Klein Wosniack, conta que na primeira semana teve dificuldades de adaptações, mas depois conseguiu criar uma conexão entre usuário e professora. Ela afirma que alguns usuários enviam as atividades enquanto outros precisam da ajuda dos familiares para finalizarem.

"Com o jeitinho deles e trocando mensagens, tudo vai se encaixando. Quando vejo que eles gostam de fazer uma determinada atividade, procuro trabalhar mais em cima daquele assunto", comenta.

As pedagogas do Centro de Convivência, Maria Dominique, Rosângela Miranda e Suelen Susana Schuenke, comentam que está sendo um desafio e uma grande descoberta, mas destacam que o trabalho da APAE é extraordinário e está sendo satisfatório para todas as partes envolvidas.

Foto Divulgação

Para a pedagoga Mariana Oliveira, do programa SPE e SAETEA, seu dia inicia cedo com uma proposta diferente para cada dia. "Quase tudo que vejo me remete aos usuários e como posso aproveitar aquilo no dia a dia. Nunca estive tão presente na causa dos usuários como neste momento", expõe.

Já a pedagoga do Programa Estimulação Precoce, Juliana Ulmann, comenta que o trabalho remoto precisa ter foco e seguir o mais próximo possível das rotinas diárias antes da Covid-19. "ler livros, fazer cursos on-line, estudo de casos dos usuários para que quando tudo isso passar, tenhamos uma carga de conhecimento suficiente para fechar esse ano de forma proveitosa", afirma.

 

A pedagoga Ivete Fietz e a auxiliar Karla Mira, do programa SP, remetem ao atendimento presencial como algo insubstituível. Elas pensaram em desenvolver atendimentos com as necessidades de cada usuário "cuidando com a idade cronológica, suas limitações e suas peculiaridades até porque cada indivíduo é um ser único", frisam.

 

 

 

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