Definir professor é tão ou mais desafiador quanto ser. Não é difícil definir o ”professor por conveniência”. Mas é complexo definir o “Professor por vocação”, esse “ser condenado à esperança”, no conceito de Leandro Karnal. A insensatez da massa comum não percebe essa dantesca diferença. Como se não bastasse, essa míope visão de alteridade produz, comumente, indagações patéticas do tipo, “você não trabalha? só dá aula?” Ou ainda, “dá pra sobreviver?”. A propósito, recentemente durante o relax do almoço, dando aquela corriqueira olhadela pelo facebook, um post me prendeu a atenção. Dizia a jovem e recém-formada Professora Nagila Petry em sua fan page: “quando decidi fazer faculdade na área da ‘educação’, ouvi muitas pessoas competentes dizerem que era faculdade de quem não sabe o que quer fazer. Vi olhares desanimadores ao contar o curso que eu havia escolhido. Mas é o contrário, quem faz ‘educação’ é porque encontrou em si a capacidade para fazer de ‘tudo’ pelo maior bem da humanidade que é a ‘aprendizagem’. Trabalhamos para emancipar pessoas”. Não me contive e postei a seguinte observação a ela: “Professora Nagila, educação é tão especial que eu nem a enquadraria como profissão, e sim, como ‘missão’. Sinta-se privilegiada e orgulhosa por tua escolha”. Particularmente, embora tenha exercido a docência por 15 anos, não me via um “Professor por vocação”, como também não me via um “professor por conveniência”. No máximo, quem sabe, um professor impressionado e motivado pela nobre missão. No entanto, a experiência me proporcionou a sensibilidade e capacidade de perceber a peculiar prática e o que move, em essência, um “Professor por vocação” num país onde a missão mais importante é uma das menos reconhecida. Esse paradoxo sempre me causou certo desalento e nada mais oportuno nessa data, do que compartilhar da visão de Paulo Freire quando, com propriedade, observa que “ninguém nega o valor da educação e que um bom professor é imprescindível. Mas, ainda que desejem bons professores para seus filhos, poucos pais desejam que seus filhos sejam professores. Isso nos mostra o reconhecimento que o trabalho de educar é duro, difícil e necessário, mas que permitimos que esses profissionais continuem sendo desvalorizados. Apesar de mal remunerados, com baixo prestígio social e responsabilizados pelo fracasso da educação, grande parte resiste e continua apaixonada pelo seu trabalho. A data é um convite para que todos, pais, alunos, sociedade, repensemos nossos papéis e nossas atitudes, pois com elas demonstramos o compromisso com a educação que queremos. Aos professores, fica o convite para que não descuidem de sua missão de educar, nem desanimem diante dos desafios, nem deixem de educar as pessoas para serem “águias” e não apenas “galinhas”. Pois, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda”.  Parabéns Professores!