Quem costuma passar a pé pela rua Domingos Rodrigues da Nova, no Centro de Jaraguá do Sul, certamente já ouviu o som de um instrumento musical ecoando pelas redondezas. É na varanda da casa número 47 daquela rua que o aposentado Antônio Schmitt - “com dois ‘tês’ fortes, porque de fraco tenho nada”, como ele bem lembra - passa boa parte de seus dias tocando bandoneon e observando o movimento. Seria mais um jaraguaense comum que aproveita o tempo livre para se dedicar à música, não fosse a sua idade. Aos 99 anos, recém completados, o aposentando esbanja simpatia e disposição. Um vídeo compartilhado pela neta dele, Ana Paula Schmitt, mostrando Schmitt tocando para comemorar o aniversário ganhou notoriedade nas redes sociais esta semana e dá pistas de como o quase centenário é: animado, talentoso e cheio de vontade de viver. Bandoneon 99 anos - em e (2) Nascido e criado em Jaraguá do Sul, acompanhando de perto todo o desenvolvimento da cidade e região, inclusive o surgimento do jornal O Correio do Povo, que tem 97 anos, Schmitt se sente cada vez melhor. Não toma nenhum tipo de remédio e a longevidade, segundo ele, está ligada a uma boa alimentação. Os dentes de alho que come diariamente no café da manhã, almoço e jantar, segundo ele, são como um remédio para o organismo, aliás, “um excelente remédio”. “Se Matusalém, aquele da Bíblia, chegou aos 400 anos, porque eu não posso? Acho que chego aos 120, se não mais”, prevê sorridente. Bandoneon 99 anos - em e (3) O sorriso aliás é uma de suas marcas registradas. A neta e a filha, Arlete Schmitt do Mar, acreditam que o desprendimento material e o fato de ele não se incomodar, contribuem para sua qualidade de vida. Com a memória funcionando bem, ele sabe contar cada detalhe da sua vida. “Quando trabalhava no Curtume Schmitt nem tinha luz elétrica. Minha mulher precisava ficar segurando um lampião para poder enxergar e curtir o couro. Hoje acho que está tudo muito bom e divertido na cidade”, diz. A mulher, Maria Madalena Schmitz Schmitt, com quem diz que viveu excelentes momentos, faleceu há 15 anos. “Danço umas dez músicas por tarde” E não é apenas tocando música que o jaraguaense Antônio Schmitt se diverte. Todas as quartas-feiras à tarde, ele coloca a camisa social e caminha em direção à Matriz São Sebastião, onde ocorrem os encontros do Clube Zélia Schmitt Haffermann. Lá, encontra velhos conhecidos e também faz novas amizades, em tardes divertidas, e aproveita para dançar. Como bom pé de valsa, não fica parado. “Não sei se por causa da minha doçura ou azedura, mas fazem fila para dançar comigo. Danço umas dez músicas por tarde”, diz. Bandoneon 99 anos - em e (1) Além de música e dança, uma das paixões de Schmitt é passear. Ele adora caminhar a pé pelo centro, em idas ao mercado, barbearia e até o início do calçadão para tocar para os amigos em uma padaria, e também gosta de dirigir. A caminhonete D-20 estacionada na garagem da casa é um dos xodós do aposentado. É com ela que até bem pouco tempo atrás ele percorria a região. Sabe exatamente onde ir quando quer a melhor carne, o melhor produto colonial e adora visitar cidades como Nova Trento, para ir ao santuário de Santa Paulina, e Angelina, cidade de seus avós. Os passeios aqui por perto ele geralmente faz sozinho, para ir mais longe, conta com companhia. A família é composta por sete filhos, um já falecido, 20 netos, sete bisnetos e um tataraneto que está para nascer.