O ex-prefeito de Jaraguá do Sul e pré-candidato ao Governo do Estado, Antídio Lunelli (MDB), esteve na sede da Rede OCP de Comunicação esta semana onde concedeu entrevista ao jornalista Sérgio Peron.

O MDB prepara o lançamento oficial da pré-candidatura de Lunelli para o dia 11 de junho, em Curitibanos. Às vésperas do prazo para esta definição importante no Movimento Democrático Brasileiro de Santa Catarina, Antídio falou das andanças pelo Estado, sobre da unidade da sigla e ainda sobre seu plano de governo.

Como é percorrer o Estado de Norte a Sul e de Leste a Oeste? E o que senhor tem notado nestas andanças?

É uma experiência muito legal e muito importante. Muito por conta da força do partido, pois nosso partido tem capilaridade. Então, nos 295 municípios do Estado de Santa Catarina, em todos os lugares que nós chegamos, sempre temos pessoas nos recebendo, são prefeitos, vice-prefeitos, vereadores. Estamos presentes em todas as partes de Santa Catarina. As reuniões com estes representantes são maravilhosas, nós conversamos com as entidades de classe, com a população, com os empresários, vamos nos hospitais. Então eu quero dizer que a recepção é fantástica. Eu me relaciono muito bem com o povo, desde a pessoa mais simples até os grandes empresários. É uma experiência maravilhosa.

Como o senhor está enxergando as diferentes demandas impostas pelas diferentes realidades do nosso Estado?

Essas passagens que fazemos também servem para nosso plano de governo, que será um plano simples e exequível. Para conseguir fazer uma grande gestão, você deve ter as pessoas que representem cada região para fazer parte junto do governo. Nós precisamos conciliar a todos. Os grandes projetos são basicamente os mesmos, mas há particularidade para cada região. No Oeste, por exemplo, há problema de energia trifásica. Há também o problema de água para a população, pelo qual a região sofre muito. Há também a questão das estradas: no Sul estamos bem servidos, mas ali para o Meio Oeste, Oeste, Extremo Oeste, estão totalmente abandonadas. A questão da infraestrutura se faz muito presente. Hoje, uma carreta lá do Oeste até o porto, ela leva 22 horas para chegar. A "ambulancioterapia", que está uma vergonha. Estamos no século 21 e ainda temos que transportar pacientes de urgência para outras cidades. É uma vergonha.

Está programado para dia 11 de junho, em Curitibanos, o lançamento oficial da sua pré-candidatura. Por que será feito lá?

Porque Curitibanos é basicamente o centro do Estado de Santa Catarina, então fica fácil para as pessoas que vêm do Extremo Oeste, do Oeste, como as que vêm do Norte, do Litoral e do Sul. Todos andam a mesma distância. Faremos o lançamento oficial, onde teremos os emedebistas reunidos todos em Curitibanos. E confesso mais uma coisa: acho que se houvesse dinheiro, deveria ser Curitibanos a capital do Estado. Deixamos Florianópolis com o turismo. Em termos de deslocamento, fica melhor para todos. Curitibanos era um município fraco até pouco tempo. Hoje foi aprovado até um curso de medicina novo na cidade. Tivemos lá excelentes prefeitos. Inclusive tiro o chapéu para os políticos do interior catarinense.

E no mesmo dia do lançamento da sua pré-campanha, o senhor também vai apresentar um projeto do que será seu plano de governo?

Sim, é o que iremos fazer. Motivar toda nossa base, pois o MDB tem a maior capilaridade do Estado. A partir daí, movimentaremos a base para que consigamos dar um movimento maior à nossa campanha. Um exemplo é o investimento na educação. É grande o investimento que teremos na formação do jovem — e aqui também será um grande desafio, pois nos primeiros anos, que são de responsabilidade do município, das escolas municipais, formamos alunos excelentes. Mas quando entregamos para a educação estadual, há um declínio muito grande. Se for governador e tiver condições, eu gostaria de municipalizar até nível técnico e segundo grau [ensino médio]. Temos um investimento muito bom nos municípios e a nível de universidade. Eu gostaria de municipalizar tudo e transferir os recursos, pois administrar a educação dentro do município facilita o processo. E a educação tem muito recurso, mas vejam como está nosso ensino médio e a questão da tecnologia também. Hoje temos vagas abertas com excelentes remunerações, mas não há alunos formandos nas áreas de tecnologia. Precisamos formar e manter o jovem aqui dentro. Minha filosofia é a de transferir recursos para as prefeituras e elas, com o próprio trabalho, tenho certeza que teremos uma grande mudança de qualidade.

O senhor acha que com o lançamento de sua pré-candidatura haverá mais união no partido?

Acredito sim, pois até o dia 5 de julho acabam as transferências de recursos. E muita coisa não poderá acontecer porque não existe tempo. Acho que muita coisa vai mudar e há um encantamento muito grande. Li que o governo do Estado vai dar mais R$ 600 para cada aluno para ir para a aula. Existe uma distribuição de dinheiro hoje e minha preocupação está nos grandes projetos para o Estado de Santa Catarina. Hoje está havendo uma pulverização, um “varejinho”, de muita coisa que ficará pelo caminho ou não trará o impacto daquilo que nosso Estado realmente precisa. Na questão de infraestrutura, temos rodovias impossíveis de transitar, precisando de duplicação, de terceira faixa. Santa Catarina é o quinto maior arrecadador e quinto que mais transfere recursos à Brasília. Ultrapassamos o Rio Grande do Sul e o Paraná, muito em função de nossos portos. Mas qual estrutura estamos dando aos nossos portos?