Aproximadamente 32% dos 11 mil alunos das escolas municipais de Jaraguá do Sul estão acima do peso. O número é resultado de um levantamento realizado pela Secretaria de Educação no ano passado, levando em conta o cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC). O estudo teve parceria dos professores de educação física e técnicos de enfermagem. Nutricionistas da rede municipal, Tatiane da Rosa Nesi Da Boit relata que pela análise também foi possível identificar que as turmas do ensino integral apresentam menores índices de sobrepeso do que as da modalidade regular, da mesma forma com que os alunos das unidades públicas são mais saudáveis do que as escolas privadas. “Comparamos os dados gerais com os da escola Adelino Francener, que é integral. Lá, a taxa de sobrepeso e obesidade foi de 26%. Utilizamos outros estudos nacionais também para fazer esta avaliação”, explica. Segundo ela, esses números indicam que a alimentação escolar fornecida pelo município conta com um balanço nutricional mais adequado para a saúde. Os dados ainda apontam que 12% dos alunos do ensino fundamental estão abaixo do peso ideal, 56% estão com o peso adequado, 19% com sobrepeso e 12% obesos. Nas creches, 3% estão abaixo do peso, 9% com sobrepeso, 4% obesos e 84% com peso considerado normal. Com base em pesquisas nacionais, a nutricionista avalia que o brasileiro mudou a forma de se alimentar, deixando de consumir produtos mais naturais e introduzindo os industrializados no cardápio. “As crianças estão tomando mais refrigerante, comendo mais bolachas recheadas e outros produtos ricos em açúcar, sódio e gorduras”, observa. Como reflexo, Tatiane cita que muitas crianças estão apresentando alergias e intolerâncias a determinadas substâncias com as quais não deveriam ter tanto por causa da faixa etária.
Muitas crianças estão apresentando alergias e intolerâncias, cita nutricionista | Foto Eduardo Montecino/OCP
Para reverter este cenário, a equipe de profissionais da secretaria realiza trabalhos de educação nutricional nas unidades, por meio de palestras e projetos. “Nas creches, as reuniões são mais voltadas para os pais, já que eles são os responsáveis por essa introdução alimentar nas crianças”, aponta Tatiane. Outra preocupação da nutricionista é em relação aos outros problemas que tais substâncias podem causar no organismo, como colesterol e triglicerídeos altos, pressão não adequada para idade e nos casos de obesidade, dificuldade para respirar. Para as crianças que já sofrem com tais doenças a secretaria adapta a merenda escolar de acordo com as necessidades. Com as ações de conscientização e estímulo a escolha saudável dos alimentos na hora da merenda, Tatiane ressalta que é possível perceber uma melhoria nos hábitos alimentares das crianças, principalmente nas creches. “Depois das atividades educativas, onde apresentamos frutas diferentes para eles, percebemos que eles experimentam, gostam e passam a consumi-las com frequência”, conta. Quem sai dos centros infantis e segue para o ensino fundamental do município, conforme a nutricionista, também costuma consumir mais frutas e verduras do que os estudantes que cursaram as séries iniciais em outras instituições. “Ainda percebemos a diferença entre as escolas centrais e as das áreas mais afastadas. No Centro, os alunos preferem a merenda quando é biscoito e sanduíche, por exemplo”, avalia Tatiane. Este foi o primeiro levantamento realizado pela secretaria, que deve continuar acompanhando os índices nos próximos anos. “Depois das atividades educativas, onde apresentamos frutas diferentes para eles, percebemos que eles experimentam, gostam e passam a consumi-las com frequência”. Higiene é item obrigatório na cozinha Para garantir o sabor e nutrientes dos alimentos, a higiene é fundamental na preparação dos alimentos fornecidos na rede municipal de ensino. Conforme o nutricionista Tiago da Cunha, todas as profissionais responsáveis por fazer a merenda nas unidades recebem treinamentos constantes e são acompanhadas pela equipe. “Podemos afirmar que 90% das cozinhas estão com avaliação satisfatória de higiene. Os casos que acontecem são isolados e resolvidos com rapidez. Estamos sempre visitando as escolas e creches e verificando se as exigências estão sendo cumpridas. Nunca tivemos casos de intoxicação alimentar em virtude da merenda”, pontua o profissional. As merendeiras recebem uma cartilha da Prefeitura com todas as orientações necessárias, como hábitos de higiene pessoais, formas de limpar os móveis e utensílios da cozinha, vestuário adequado e limpeza e cozimento dos alimentos. Número de crianças e adolescentes obesos aumenta no mundo Segundo dados atualizados da Organização Mundial da Saúde (OMS) existem 124 milhões de crianças e adolescentes obesos no mundo. No Brasil, 9,4% (65º lugar no ranking mundial) das meninas e 12,7% (72º lugar no ranking mundial) dos meninos estão obesos. O aumento da população é responsável por apenas 10% desse crescimento. Segundo os especialistas, a tendência é que essa proporção aumente ainda mais. Eles culparam a falta de exercícios e a má alimentação. Esta é estimulada por comerciais de produtos com muito açúcar e pelos elevados preços de alimentos saudáveis, afirmaram. LEIA MAIS: - Merenda escolar: cardápio elaborado por nutricionistas tem 182 itens – Pão de abóbora e hambúrguer de couve-flor criado por merendeira faz sucesso entre crianças