Alta taxa de HIV é alerta para necessidade de prevenção em Jaraguá do Sul

Alta taxa de HIV é alerta para necessidade de prevenção em Jaraguá do Sul Alta taxa de HIV é alerta para necessidade de prevenção em Jaraguá do Sul

Cotidiano

Por: Ana Paula Gonçalves

quinta-feira, 06:30 - 08/02/2018

Ana Paula Gonçalves
Com taxa de HIV/Aids de 50,9 casos por 100 mil habitantes, índice maior que o do estado e do país, Jaraguá do Sul também é alvo da Campanha de Prevenção do Carnaval 2018, lançada pelo Ministério da Saúde. Embora a folia tenha sido cancelada na cidade, todas as unidades de saúde vão oferecer camisinhas femininas, masculinas e gel lubrificante para motivar os cuidados com transmissão de doenças sexualmente transmissíveis durante o clima festivo, especialmente entre o público jovem. Mais de 100 milhões de preservativos estão sendo distribuídos gratuitamente em todo o país. Portanto, essa é a época ideal para destacar a importância do sexo seguro. Quer receber as reportagens do OCP Online pelo whatsApp? Basta clicar aqui A Secretaria Municipal de Saúde aproveita o momento para alertar a população sobre o elevado índice de HIV/Aids no município. Em 2017, enquanto o Brasil ficou com 20,7 casos a cada 100 mil habitantes e Santa Catarina contabilizou 34 casos para cada 100 mil habitantes, Jaraguá do Sul atingiu, até 22 de novembro, 50,9 casos. Segundo a gerente de Vigilância Epidemiológica Fabiane da Silva Ananias, a incidência é muito alta. “Temos uma população homossexual jovem se infectando muito cedo” comenta a enfermeira, destacando que há 18 vezes mais chance de infecção na relação anal do que na vaginal. Em 2017, conforme os dados do Sinan até novembro, a faixa etária mais atingida foi entre 20 e 34 anos (47 casos), o sexo foi o masculino (64 casos), especialmente de homens que mantêm relações sexuais com outros homens – HSH (39). Conforme Fabiane, outra doença sexualmente transmissível que vem acometendo os jaraguaense é a sífilis, havendo, inclusive, jovens soropositivos (HIV/Aids) se infectando. “Isso indica que jovens que são HIV positivo não estão se protegendo, pois contraíram sífilis. Em 2015, tivemos o ‘boom’ da sífilis, que hoje está um pouco mais controlada, mas merece atenção”, ressalta. Mesmo que a cidade não tenha grandes eventos carnavalescos, a Saúde vai continuar distribuindo 50 mil preservativos por mês, como vem fazendo. Além das camisinhas masculinas, também oferece camisinhas femininas e gel lubrificante. AIDS AVANÇA ENTRE OS JOVENS Cerca de 830 mil pessoas vivem com HIV/aids e aids no Brasil. São 694 mil pessoas diagnosticadas, e 548 mil pessoas me tratamento. Estima-se que 136 mil pessoas ainda não sabem que estão com HIV e que 196 mil sabem que tem o HIV e não estão em tratamento. De acordo com pesquisa do Ministério da Saúde, os jovens são os que menos usam preservativos, razão pela qual são foco da campanha. Dados da Pesquisa de Conhecimento, Atitudes e Práticas apontam queda no uso regular de camisinhas entre a faixa etária de 15 a 24 anos, tanto com parceiros eventuais – de 58,4% em 2004 para 56,6%, em 2013 – como com parceiros fixos – queda de 38,8% em 2004 para 34,2% em 2013. Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), realizada nas escolas de todo o país com adolescentes de 13 a 17 anos, reforça esse cenário: 35,6% dos alunos não usaram preservativos em sua primeira relação sexual. O mesmo estudo aponta que, quanto mais jovem, menor é o uso da camisinha. Enquanto 31,8% dos jovens de 16 e 17 anos não usaram preservativos em sua primeira relação sexual, esse índice sobe para mais de 40% entre os jovens de 13 a 15 anos. O hábito de não usar camisinha tem impacto direto no aumento de casos de e Aids entre os jovens. No Brasil, a epidemia avança na faixa etária de 20 a 24 anos, na qual a taxa de detecção subiu de 14,9 casos por 100 mil habitantes, em 2006, para 22,2 casos em 2016. Entre os jovens de 15 a 19 anos, o índice aumentou, passando de 3,0 em 2006 para 5,4 em 2016. LEIA MAIS: - Registros de novos casos de HIV em Jaraguá superam as médias nacional e estadual  
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