Um relatório estadual contabilizou mais de R$ 136 mil em estragos causados pelo ciclone extratropical na agricultura regional. Ao todo, cerca de 1,8 mil propriedades foram atingidas pelo efeito climático que aconteceu entre os dias 30 de junho e 1º de julho.

O levantamento feito pela Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina) em parceria com as secretarias municipais apontaram Corupá como a principal afetada. Foram 550 propriedades rurais, com danos na casa dos R$ 70,7 milhões.

De acordo com o diretor de Agricultura da Prefeitura de Corupá, Lucas Trevisan, as perdas somam até 53% da produção de banana em Corupá, além de ter atingido cultivos de plantas ornamentais, eucaliptos e palmeiras.

De acordo com diretora-executiva da Asbanco (Associação dos Bananicultores de Corupá), Eliane Muller, se tem buscado viabilizar condições financeiras para os produtores.

Numa reunião em Brasília houve sinal verde para uma linha de crédito praticamente a juros zero e negociações com os bancos em relação à prorrogação do custeio de investimentos

Além disso, outro ponto que preocupa é a obtenção de mudas, já que a maior parte dos bananais precisará ser totalmente replantada. Com o volume de perdas em Santa Catarina, não existem mudas disponíveis em laboratório. Negociações com o Governo do Estado também buscam descontos para a obtenção dessas mudas, pontua Eliane.

Desânimo no campo

Medidas semelhantes em busca de crédito e subsídios têm sido tomadas em todos os municípios da região.

O secretário Municipal de Agricultura, Isaías Kubnik aponta que as perdas mais expressivas foram na bananicultura e produção de palmáceas, o que devem representar perdas econômicas significativas.

“Para ilustrar melhor o cenário, informamos que a bananicultura congrega um universo de 218 produtores rurais, com valores brutos estimados para a produção total acima de R$ 30 milhões, sendo que a perda devido ao evento é estimada em cerca de 60% da área plantada. As palmáceas, por sua vez, contam com 582 produtores gerando um valor bruto de produção acima de R$ 27 milhões, sendo estimada a perda em aproximadamente 30% da área plantada”, revela.

Além disso, existem todos os custos para o reestabelecimento das áreas produção e das propriedades. Uma situação que tem afetado os agricultores.

“Os produtores estão aparentemente tensos e frustrados, alguns tiveram grandes perdas,

há tentativas de restabelecer a produção, especula-se que possa haver abandono ou troca de atividade e de áreas devido à ocorrência destes fenômenos”, complementa.

Em Guaramirim, o gerente de atividades da Secretaria Municipal de Agricultura e Pecuária, Denilton José Malinski, comenta que o impacto principal tem sido na receita semanal e mensal dos produtores e também para quem trabalhava nas lavouras e acabou perdendo o emprego. Dependendo da propriedade, essas restruturação pode levar até seis meses.

"O município também pode ter perca na receita total, já que a movimentação econômica no que diz respeito às notas dos produtores rurais terá uma queda principalmente em áreas como bananicultura e olericultura", afirma o gerente.

Quase 370 mil toneladas de banana perdidas em SC

Em todo o estado, foram relacionados 3.296 estabelecimentos com produção de banana afetados, em 19.763 hectares de área, com 369.185 toneladas de perdas, com valor estimado de R$ 275, 69 milhões.

Se compararmos com a estimativa de produção do LSPA/IBGE para 2020 de 716.418 toneladas, seria uma perda de 52,5% na bananicultura catarinense.

Studio OCP

 

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