Por Kamila Schneider Como a maioria dos produtores rurais, a rotina do agricultor João Cleiton Feldmann começa cedo, por volta das 5h da manhã. Antes mesmo de o dia raiar, a lista de tarefas a serem cumpridas já é grande – do preparo das mudas à colheita e separação dos produtos, é João quem coordena cada aspecto do cultivo de orgânicos realizado na propriedade da família, localizada no bairro Rio Branco, em Guaramirim. Em meio às tarefas do campo, um detalhe costuma chamar a atenção de quem visita a propriedade: além das tradicionais ferramentas de trabalho, João tem sempre à mão um pequeno smartphone, que, por incrível que pareça, tornou-se uma peça fundamental no trabalho do produtor. O cultivo de orgânicos foi adotado pela família há pouco mais de um ano, mas foi no fim de 2016 que surgiu a ideia de utilizar a internet como uma ferramenta de incremento nas vendas. Tudo começou com uma lista de produtos enviada a um grupo de amigos e, em poucos meses, a fazenda Santa Bárbara já fazia parte da agenda de contatos de mais de 200 consumidores de toda a região. A proposta é simples: toda a sexta-feira João prepara um lista de produtos disponíveis na fazenda e envia para os consumidores pelo aplicativo de conversas Whatsapp – do pimentão à rúcula, passando pela melancia, o limão e o maracujá, a variedade oferecida segue a época e o tempo necessários a cada cultivo. Com a lista em mãos, os consumidores fazem suas encomendas e escolhem o melhor local e horário para receber os produtos, que serão colhidos e enviados fresquinhos conforme a preferência do cliente.  
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Feldmann diz que no fim do ano passado surgiu a ideia de usar a internet para facilitar a comercialização | Foto Eduardo Montecino
“A maior dificuldade do produtor sempre é concretizar a venda. Antigamente, era comum agricultores jogarem parte da produção fora por terem dificuldade de vender os produtos. Com a ajuda do Whatsapp, conseguimos aproximar os produtores dos consumidores, oferecendo produtos orgânicos frescos com praticidade”, explica João, que atualmente recebe cerca de 50 encomendas por semana, a maioria delas em Jaraguá do Sul e Guaramirim. As entregas acontecem às terças-feiras, dia em que João percorre a região com o porta-malas do carro repleto de frutas e verduras. “A maior procura é pelas folhas verdes, como alface e rúcula, e também o tomate e o morango, porque o sabor é totalmente diferente”, afirma o produtor. O morango, em especial, tem conquistado o paladar dos clientes, tanto é que a família planeja expandir o número de pés de 300 para três mil ainda este ano. “O morango está entre os itens que mais possui resíduos de agrotóxico, atrás apenas do pimentão, por isso há muita procura por cultivos mais saudáveis”, explica ele. Na fazenda, além do apoio da mulher, Meri Feldmann, que dá um suporte ao marido nos horários em que não está no trabalho, João conta com o auxílio da filha, Bárbara, de seis anos. “Ela adora ficar junto comigo na hora do plantio e principalmente da colheita, para ela é uma diversão. Quando ela resolve me ajudar a embalar os morangos, tenho que ficar cuidando, senão ela come dois e embala um”, conta o pai, sorrindo. “Ela ama melancia e sabe diferenciar as verduras. Por causa dela, nós mesmos adotamos uma alimentação quase toda com base em orgânicos. É muito bom ver o filho crescer com outra visão. Hoje, a Bárbara come tomate cereja como se fosse salgadinho, sentada no sofá”, diz, orgulhoso. Parceria com outros produtores ajuda a fortalecer agricultura local Além de investir na tecnologia para incrementar as vendas, João tem apostado na parceria com outros produtores para fortalecer a agricultura local e aumentar a renda das famílias que vivem do campo. A associação Rio Cristina, por exemplo, da qual João é presidente, une 17 famílias de produtores orgânicos da região, que comercializam seus produtos de maneira conjunta e coordenam suas produções de forma a agregar valor a todas as propriedades. “A venda de orgânicos está crescendo em média 30% por ano. A procura é grande – só aqui na fazenda temos em média de três a quatro novos clientes por semana. Esta união é fundamental neste processo”, salienta ele. No próximo ano, João também tem planos de estabelecer uma produção de ovos e peixes orgânicos, que são uma carência do mercado. “Para que isso seja possível, as galinhas e os peixes só podem se alimentar de itens orgânicos, como folhagens ou rações certificadas. É um custo alto e exige muito conhecimento. Na indústria, em 45 dias uma galinha sai com três quilos. Em uma fazenda orgânica, isso pode demorar até um ano e meio”, exemplifica o produtor. Para chegar ao status de propriedade orgânica, a fazenda Santa Bárbara passou por um ano de vistorias e adequações. A recompensa veio no início deste mês, quando os produtos receberam o certificado concedido pelo Ministério da Agricultura. “O cultivo orgânico não é só sobre não passar veneno, é sobre respeitar o tempo da natureza e o meio ambiente, com manejo e manutenção totalmente naturais”, destaca João, explicando que algumas plantas, como a rúcula, chegam a ter 40% de perdas quando se utiliza esta forma de cultivo. Informações e encomendas: 47/99975-5500