O Simesc (Sindicato dos Médicos de Santa Catarina) entrou com uma ação no Ministério Público contra a empresa de planos de saúde Agemed devido ao atraso no pagamento de médicos por consultas e procedimentos efetuados. A situação também motivou uma denúncia na ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) por parte do sindicato.

O advogado do Simesc, Erial Lopes de Haro, afirma que mesmo após as negociações feitas em novembro de 2018, os médicos continuam sem receber pelos serviços prestados a Agemed. “Houve um pagamento parcial feito logo após a negociação, mas nem todos receberam e a dívida continua”.

O sindicato segue recebendo reclamações de todo o estado, com ênfase na região Norte, onde a Agemed atua com mais força. Segundo Erial, existem dívidas de mais de 10 meses e uma das medidas que estão sendo tomadas é a rescisão do contrato.

“Estamos em uma fase que os médicos estão entrando com ações judiciais individuais contra a empresa e deixando de atender por esse convênio, então a população pode sim ficar sem atendimento”, enfatiza.

Haro explica que quando o paciente vai em uma consulta, precisa assinar um documento que vai comprovar sua presença e se há alguma irregularidade, a prestadora de plano de saúde pode afirmar que ocorreu um erro e o procedimento não foi realizado, evitando pagar por esse atendimento.

“É o direito da empresa, mas eles começaram a fazer a suspensão de uns 30% de atendimentos, deixando de pagar esses profissionais e aumentando a dívida” finaliza.

Um dos inúmeros casos de recusa de atendimento para os beneficiários da Agemed aconteceu com a administradora Aline Cruz, 33 anos, que precisou procurar o SUS (Sistema Único de Saúde), pois precisava realizar uma cirurgia para retirar pedras na vesícula e seu médico se recusou a atenda-la pelo plano devido a falta de pagamento da empresa.

Aline relata que a já havia feito todos os exames e foi orientada pela Agemed a procurar outro médico, mas não obteve sucesso nas outras duas tentativas de conseguir o procedimento através do convênio, tendo assim que procurar a saúde pública.

“Eu precisava realizar o procedimento com urgência e não podia esperar a solução do problema, agora vou esperar me recuperar para cancelar o plano de saúde e procurar o Procon para garantir os meus direitos”, relata a administradora.

Empresa afirma que não há problema nos pagamentos

O assessor de imprensa da Agemed, Rogério Kiefer, informou que “a empresa discorda da atitude tomada pelo Simesc". "A operadora enviou ofício à entidade em dezembro solicitando informações sobre os profissionais representados pelo sindicato com valores pendentes junto à operadora e não recebeu a informação até o momento”.

Segundo Kiefer, a operadora mantém um cronograma de pagamentos periódicos aos prestadores de serviço que integram sua rede e dispõe de uma equipe responsável por buscar soluções para qualquer problema ocorrido no relacionamento com os parceiros.

“A empresa se coloca à disposição dos profissionais para eventuais dúvidas”, finaliza.

Os hospitais da região não se pronunciaram sobre o assunto.

 

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