Com a chegada do período de férias escolares e as boas condições de vento, o aumento da prática de empinar pipas é nítido em Florianópolis. Também cresce o risco para acidentes envolvendo crianças e motociclistas por conta das linhas deste brinquedo com produtos cortantes, o cerol, uma mistura de cola com caco de vidro. Com o objetivo de cortar a linha de outras pipas, o usuário transforma o lazer em uma verdadeira arma letal.

A prefeitura da Capital, por intermédio da Secretaria Municipal de Educação, vem reforçando a conscientização dos estudantes e demais membros da comunidade escolar sobre esses riscos. De acordo com o secretário de Educação, Mauricio Fernandes Pereira, as ações ocorrem dentro do “Educar para Salvar”, projeto que vem sendo desenvolvido desde o inicio do ano em diversas unidades educativas.

O projeto tem um caráter preventivo e trabalha como eixo principal as noções de primeiros socorros e proteção civil aos jovens educandos. Durante as aulas, o professor Charles Schnorr realiza oficinas mostram o quanto agressivo e perigoso é o uso de linhas com cerol ou linha chilena, não apenas durante as ações externas em parques e praças, mas também durante a confecção e preparação do material cortante para ser usado nas linhas.

As aulas são direcionadas para turmas de educação fundamental e infantil, além de capacitações aos docentes em paradas pedagógicas e reuniões com as famílias, visando a conscientização do maior número de pessoas possível.

Na quinta-feira (12), foram feitas ações no período matutino na Escola Básica Municipal Antonio Paschoal Apostolo, no Rio Vermelho, bem como no núcleo de educação infantil municipal (NEIM) Júlia Maria Rodrigues, do bairro Jardim Atlântico.

Na sexta-feira (13), foram realizadas ações no NEIM Maria Salomé dos Santos, no Bairro de Sambaqui, com docentes e demais colaboradores da unidade. Durante a tarde, o foco será novamente crianças da Escola Antonio Paschoal Apóstolo.

Tem lei que proíbe cerol

A Lei Estadual , de número 11.698, de 2001, proíbe a utilização em Santa Catarina de pipas ou similares equipadas com instrumentos cortantes e com linhas preparadas à base de produtos cortantes.
O artigo segundo , alerta que “o infrator da presente Lei fica sujeito à apreensão do objeto e à imposição de multa no valor de 50 UFIRs, sem prejuízo das penalidades previstas na legislação federal”.

Tem lei para linha chilena

O professor Charles Schnorr lembra que Florianópolis sancionou a Lei 9.635, de 15 de setembro de 2014, que proíbe no município a produção, comercialização, transporte, uso ou guarda de linha produzida com compostos de quartzo moído, óxido de alumínio e cola de madeira. É a chamada linha chilena, material cortante e industrializado.
Pela lei, o produto, “quando estiver em posse de usuário, ambulante ou comerciante será apreendido e destruído pelos órgãos competentes de fiscalização, não cabendo aos infratores qualquer indenização”.

Dicas para prevenir acidentes

- Brincar sempre com a presença ou consentimento de adultos e responsáveis;

- Evitar brincar perto de antenas, fios telefônicos ou cabos elétricos (eles conduzem eletricidade e são muito perigosos, pois o contato com a linha pode causar um “curto circuito” e transformá-la em condutor elétrico, ocasionando danos tanto para a rede elétrica quanto para a pessoa que está brincando);

-  Jamais utilize linha metálica, como fio de cobre, de bobinas ou com cerol;

- Cuidado com “lages residenciais elevadas e desprotegidas” ruas e lugares movimentados, principalmente quando andar para trás. Você pode cair em um buraco ou chocar-se com carros em trânsito;

- Muita atenção com os motociclistas e ciclistas - a linha pode ser perigosa para eles. Fique atento para que a linha não entre na frente deles;

- Não produza cerol, ele pode causar também acidentes domésticos, principalmente envolvendo crianças;