Desde 2014, a rotina de Vanildo Rodrigues da Silva Júnior, 29 anos, consiste em acordar cedo, ir para o trabalho e realizar suas atividades como repositor para ganhar o salário no fim do mês. Nada o diferencia dos outros funcionários, a não ser pelo diagnóstico de Síndrome de Down.

Júnior cuida de um corredor específico da loja, que é o seu cantinho precioso. Ele abastece e alinha os produtos nas prateleiras, atende os clientes quando precisa e sempre está pronto para ajudar em algo que a gerente Ana Kelli Gasparim, 26 anos, pede. "Ele é a alegria da loja, não tem ninguém que não ame o Júnior", destaca Ana.

E não são só os colegas de trabalho que gostam de sua companhia, os clientes também tiram um tempo para abordá-lo e saber como está a vida de Júnior.

"Trabalhar sempre foi meu sonho e é muito legal estar aqui todos os dias. Conversar com as pessoas também é algo que gosto", confessa.

Atualmente, um turbilhão de sentimentos está rondando a vida de Júnior. Em maio, quando completará cinco anos de empresa, ele vai ganhar a "Plaquinha Milium".

A ansiedade também é explicada por outro momento marcante que está chegando: noivo, ele já pensa no casamento. "O nome dela é Carolina Petris", conta, exibindo um largo sorriso no rosto.

Como qualquer outra pessoa, ele foi aprimorando e desenvolvendo habilidades ao longo dos anos.

Ana acredita que além ajudar em sua autonomia e organização, a pessoa portadora da síndrome no mercado de trabalho desperta o interesse de quem trabalha com ela, deixando o ambiente mais agradável.

Programa Educação e Trabalho

Inserir as pessoas com Síndrome de Down no mercado de trabalho é uma das bandeiras levantadas pela Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Jaraguá do Sul.

Após os 15 anos, os alunos podem frequentar o programa "Educação no Trabalho", que os preparam para a inserção profissional e oferece cursos.

A orientadora pedagógica do programa, Zilamar de Santana Piecharski, relata que existem três níveis e não tem um tempo hábil para o aluno terminar todas as fases, pois depende de como será seu desenvolvimento. Das 83 pessoas que o programa atende, oito possuem a síndrome.

Jean Carlos Corrêa, 23 anos, começou em 2013 no primeiro nível, onde trabalhou com aptidões, realizando coisas diárias da vida e atividades manuais, como fazer horta e artesanato.

"Também trabalhamos com autonomia, desde passar doce no pão e escolher a própria roupa", destaca Zilamar.

E o resultado é demonstrado no dia a dia de Jean. Em sua casa, ele precisa ajudar, seja lavando a louça, arrumando os cômodos ou auxiliando sua mãe, Magrid Corrêa, no trabalho como costureira, mas sua especialidade é na cozinha. "Faço o almoço, pão, bolo e ninguém assa melhor churrasco do que eu lá em casa", diz.

Se o aluno atingir a expectativa dos profissionais, ele vai pra o nível de formação 1, onde os projetos são focados justamente para o mercado de trabalho, com temas de recrutamento, documentos e na busca de conhecer melhor as qualidades e desejos da pessoa.

Quando eles estão no estágio mais avançado, é oferecido dois cursos: de lavação e cozinha. Essa etapa mostra na prática como funciona uma empresa, além de aprimorar o trabalho em equipe.

Ao descobrir que chegaria no nível de formação 2, última etapa do projeto, Jean não conseguia tirar o sorriso do rosto.

Quando chegou em casa, recebeu o carinho da família. Algo inesquecível para quem um dia sonha em trabalhar na WEG. "Eu estava muito feliz. Meu pai, minha mãe e meu irmão ficaram contentes", lembra.

Todo mês, a equipe de assessoria faz uma reunião para falar sobre os alunos e avaliar quem está apto a ingressar no mercado de trabalho.

Depois, é enviado um relatório para a empresa, constando o parecer de cinco profissionais. "Eu quero ir para a WEG porque no comércio precisa trabalhar no fim de semana", esclarece Jean.

 

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