O novo posto de saúde do Campeche, no sul da Ilha, se transformou em um dos símbolos da má gestão do dinheiro público em Florianópolis. A nova unidade para atender os moradores deverá ser entregue em ainda este mês, como parte da programação do aniversário da cidade, com exatos três anos de atraso. A novela é antiga e começou lá em meados de 2012, quando o Governo Federal liberou R$ 1 milhão para construir a obra. Entre elaboração de projetos, publicação de edital de licitação, obtenção de licenças e conclusão da concorrência foram dois anos. Em junho de 2014 as obras foram iniciadas ao lado do antigo campo de aviação do bairro, após cessão do Governo Federal e com o prazo para conclusão de 240 dias. O contrato foi recheado de aditivos e quando a obra chegou a estar 90% concluída, apareceram os problemas: em setembro de 2016, a construção foi totalmente paralisada pela construtora, sob alegação de problemas no cumprimento do contrato. Com o abandono, vândalos tomaram conta do local. Praticamente tudo foi roubado ou destruído: fiação elétrica, tomadas, janelas, vidros.... As paredes foram “decoradas” com pichações e o que era para ser uma unidade responsável pela saúde da comunidade se transformou em ponto para usuários de drogas. De acordo com os cálculos realizados pela própria Prefeitura Municipal, o custo referente apenas à compras de materiais roubados ou conserto de tudo o que foi danificado na unidade do Campeche gira em torno de R$ 300 mil. Segundo a assessoria da secretaria municipal da Saúde, o novo valor contratado para a obra é de R$ 896 mil. “Em outubro de 2017, o projeto foi atualizado para que a nova empresa contratada revitalize as ações de vandalismo decorrentes do abandono da obra. Já haviam sido investidos em torno de R$ 1 milhão no projeto”, informou em nota.