“Nós duas temos crianças pequenas. Eu tenho uma de 7 anos e um menino de 2,5 anos e a Lusiane tem um bebê de 1,5 ano. Estamos longe dos nossos filhos há mais de 20 dias. Eles estão com nossos parentes, pois estamos trabalhando na linha de frente no combate à pandemia”, exclama, emocionada, a coordenadora da Vigilância Epidemiológica de Criciúma, Cristiane Santos da Rosa.

Entre os profissionais da saúde que estão na linha de frente no combate à pandemia da Covid-19, que inclui médicos, enfermeiros, técnico de enfermagem e outros profissionais, estão os profissionais da Vigilância Epidemiológica.

Desde o início das medidas de enfrentamento contra o coronavírus em Criciúma, a equipe do órgão municipal desenvolve o trabalho de bastidores, são eles: manter contato com a rede hospitalar, laboratórios e as Unidades Básicas de Saúde (UBS) do município; desenvolver o boletim epidemiológico e embalar as coletas feitas e enviar para o Laboratório Central de Saúde Pública de Santa Catarina (Lacen), em Florianópolis.

No momento que o mundo se encontra, quando as pessoas se mantêm em isolamento, evitando uma transmissão em massa, os profissionais da área de saúde ampliam a jornada de trabalho.

O único caminho para diminuir a saudade da família é por meio da tela do celular.

“São muitas chamadas de vídeo. Chegamos aqui 7h ou 8h e muitas vezes ficamos até 22h ou 23h. Tem dias que não dá tempo. Na medida do possível, a gente tenta fazer a vídeo chamada e torce para que depois isso deixe o mínimo de trauma possível na cabeça deles e na nossa”, completa Cristiane.

O trabalho da vigilância é importante neste momento, sendo uma fonte de informação e de contabilização dos casos na cidade.

“Entendemos a importância do nosso trabalho nesse momento, mas é muito difícil. Além da própria demanda de trabalho, a saudade da família é imensa”, ressalta a coordenadora.

“Mas a demanda de serviço, que é um protocolo novo, que é passivo de mudança, de reorientar toda a rede de atenção básica, hospitais, laboratórios e as unidades, conseguimos lidar. O maior problema é a parte emocional. Quando se trata de família é mais difícil de lidar”, acrescenta a técnica do setor de agravos da Vigilância Epidemiológica de Criciúma, Lusiane Mendes.

Reconhecimento da população

As profissionais entendem que o serviço prestado pela vigilância é um trabalho de bastidores.

Conforme elas, quando a rotina de trabalho continua os profissionais ficam invisíveis.

“O nosso trabalho é fazer com que essas doenças não disseminem. Agora é uma pandemia com um potencial de transmissibilidade muito alta, por mais intenso que sejam os esforços das equipes da Vigilância Epidemiológica do país todo, ainda assim a situação chegou onde chegou. Mas eu acho que as pessoas não nos conhecem, não nos reconhecem como profissionais da linha de frente. A gente se sentiu aplaudido, mas acho que os aplausos não foram para nós”, enfatizou Cristiane.

Dia a dia do trabalho

De acordo com a técnica do setor de agravos, no dia a dia do órgão municipal tem um planejamento em cima das unidades de saúde e da rede hospitalar.

“Nós temos um trabalho muito legal com a nossa Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) dos hospitais. Conversamos muito com eles para montar essas estratégias e ver as notificações. Passamos todos os dias nos hospitais para acompanhar os casos mais graves, finalizar as notificações e as coletas das amostras”, explicou.

O contato com os dois setores é diário para debater os casos.

“Todos os dias de manhã passamos nessas instituições para fazer o recolhimento dessas amostras, embalar, prepará-las e encaminhá-las para o Lacen. Este trabalho de embalar é nós que fizemos. Eles coletam e nós embalamos e enviamos para o Lacen”, explanou.

Boletins

Todos os dias, a equipe da Vigilância Epidemiológica emite os boletins epidemiológicos de quantos casos confirmados, suspeitos, óbitos e recuperados da Covid-19, em Criciúma.

Segundo Cristiane, a elaboração dos boletins é complicada, já que são novas informações chegando durante todo o dia.

“Nós estabelecemos a emissão de um boletim diário. No início conseguimos ter uma atualização mais frequente porque era um ou outro caso. Agora não. Existe um sistema de informação que o hospital e a unidade inserem esse dado no sistema e temos que entrar em cada dado de paciente para ver se saiu o resultado. Com isso, então, resolvemos fazer uma vez ao dia”, esclareceu.

A profissional ainda explica que a vigilância só notifica um novo caso a partir do momento que recebe a notificação.

“Muitas vezes o hospital ou o laboratório fala de um caso positivo, mas a gente precisa esperar a notificação de fato chegar aqui para contabilizar”.

Outro alerta que ela faz é sobre pessoas que buscam fazer o teste.

“Se a pessoa não se enquadra dentro do critério do exame, existe um risco de dar um falso negativo. Não queremos isso. Queremos identificar os casos de fato e poder interagir e manter o isolamento”, completou.

Reforço dos profissionais

Antes da pandemia, o órgão municipal contava com 21 funcionários.

Mas devido ao aumento dos números de casos do novo coronavírus, foram recrutados mais dez profissionais da saúde para auxiliar na parte de monitoramento.

O paciente que é identificado como positivo tem que indicar todas as pessoas que ele teve contato no pré-diagnóstico.

Assim, o profissional vai conversar com a pessoa e informá-la que teve contato com um paciente, suspeito ou positivo da Covid-19, para que ela fique em casa e observe o surgimento de algum sintoma.

O setor tem as pessoas responsáveis pelo trabalho na planilha de números, monitoramento, ajudar na coleta, embalo e também no contato com os laboratórios.

Além disso, há servidores que fazem os testes rápidos e duas enfermeiras que cuidam da notificação de outras doenças.

Outras demandas

A Vigilância Epidemiológica tem diversos setores com atividades definidas.

Sendo dos nascimentos vivos, agravos (doenças de notificação), setor da imunização e a vigilância nutricional.

Além disso, tem os programas, que são fora da vigilância, que trabalham doenças específicas, como hepatites, tuberculose, HIV, DSTs e violências.