A Secretaria Municipal de Meio Ambiente preparou para esta segunda-feira, 8 de março, Dia Internacional da Mulher, roteiro de coleta com equipe exclusivamente feminina. Uma motorista e três garis vão fazer a coleta no Campeche e, deste modo, homenagear a presença de mulheres nessa atividade que é uma das mais masculinas até hoje. “Foi o que elas quiseram e mulher pode fazer o que quiser”, afirmou o secretário de Meio Ambiente, Fábio Braga, que foi inclusive desafiado a participar do roteiro.

Esta é a temporada de maior presença das mulheres na coleta da Comcap. Estão trabalhando 33 garis, 14 efetivas e 19 temporárias. E duas motoristas de caminhão compactador.

Rafaele Terezinha dos Santos trabalha na Comcap há 12 anos. Pensou que estava fazendo concurso para auxiliar operacional, mas chegou gari de coleta. Hoje agradece! “Tudo que tenho devo à Comcap, até minha família”, conta. Ela tem três filhos e o marido, Jean Renê Coelho, também é da Comcap.

Orgulho do uniforme

 

As garis têm o maior orgulho de usar o uniforme da Comcap, mesmo que ele reforce o quanto a profissão tem de masculina. “Chegou a hora de morfar”, é como lidam com a hora de vestir o uniforme. Deixar de ser borboleta e voltar a ser lagarta, explica Geovana Duarte Farias.

De acordo com as garis, depois de algumas horas de trabalho, por conta dos vapores que saem do caminhão e do suor, o cabelo fica duro. “A gente tem de reforçar cremes, xampu, condicionador, hidratante, se quiser se cuidar”, revela Elaine Bernardo. Ela é professora de educação infantil e cumpre a 12ª temporada na Comcap.

Ela lembra que, na coleta, as primeiras mulheres eram olhadas com estranhamento, porque iriam “amarrar” os roteiros. “Hoje já me vêem como temporária- efetiva (risos), eles me respeitam.” Elaine tem três jornadas de trabalho, de manhã é auxiliar de sala na rede municipal de Florianópolis, à tarde gari da Comcap e ainda revende roupas e cosméticos.

“Tenho três turnos de trabalho, três filhos, uma neta, marido e 38 anos”, resume Elaine. Ela gosta de trabalhar como gari porque é ao ar livre, quando cumpre a tarefa, está pronta, não leva “trabalho nem frustração pra casa”.

#sóelasnacoleta

 

Nesta temporada há duas mulheres motoristas de coleta na Comcap. Liliana Costa, inclusive, trabalha com os novos compactadores de maior porte e câmbio automático. Com essa presença também das motoristas, agora é possível organizar roteiros exclusivamente femininos. “É minha segunda temporada. Estar aqui como motorista é maravilhoso, eu amo fazer isso. É mostrar que nós, mulheres podemos estar onde quisermos, fazendo o que quisermos. Todas temos nosso lugar no mundo ”, aponta Liliana.

“Quando conseguimos fazer um roteiro só de mulheres fazemos no nosso ritmo. É bem divertido!”, aponta Elaine. E até provoca: “Acho que os meninos têm receio de perder para a mulherada. Mas é bom se acostumar, porque a gente vai dominar o mundo”.

Servir à cidade

Esse clima amigável e familiar da Comcap também é destacado por Geovana, que passou no concurso de temporária pelo quarto ano.

Ela sempre foi respeitada, embora tenha ouvido coisas preconceituosas como “lugar de mulher é na vassoura, não atrás de caminhão”. Na rua, acrescenta ela, quando o usuário percebe que tem mulher no caminhão de lixo a reação ainda é de espanto. Dentro ou fora, ela esclarece: “Lugar de mulher é onde ela quiser, não tem barreira pra mulher, o que ela quiser, consegue.”

Recentemente, Geovana arriscou-se para retirar de dentro da concha do caminhão compactador um pacote com R$ 25 mil que o cidadão havia descartado por engano. “É assim que a gente trabalha aqui: procurando ajudar o próximo. A Comcap sempre foi a favor da comunidade, ajudar no que for possível”, ensina.

O maior desafio, lembra Rafaele para o Dia Internacional da Mulher é cuidar de si mesma.