O hábito de ler ainda é uma realidade que precisa avançar no país. Em 2011, os leitores representavam 50% da população, em 2015, eles somam 56%. Apesar do pequeno aumento, 44% da população brasileira não lê, 30% das pessoas nunca nem compraram um livro e a leitura ocupa o décimo lugar quando o quesito é “o que gosta de fazer no tempo livre”. Os dados são da quarta edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada na quarta-feira (18). O levantamento de abrangência nacional foi realizado pelo Ibope sob encomenda do Instituto Pró-Livro. Foram ouvidas 5.012 pessoas. A pesquisa considerou que leitor é quem leu, inteiro ou em partes, pelo menos um livro nos últimos três meses. Os que não leram em três meses, mesmo que leram uma publicação durante o ano, são considerados não leitores. Os dados indicam que, das mulheres entrevistadas, 59% são leitoras, enquanto os homens totalizam 52% - em 2011 eles representavam 44% dos leitores. Na região Sul do Brasil, o número de leitores subiu de 43%, em 2011, para 50%. A pesquisa aponta ainda que o brasileiro lê, em média, 2,54 livros no período referência de três meses anteriores à pesquisa. Isso equivale a 4,96 livros por habitante/ano entre os que se declararam leitores. A leitura ficou em décimo lugar quando o tema é preferência de lazer nas horas livres. Assistir televisão (73%), ouvir música (60%), e usar a internet (47%), lideraram o quesito. Os não leitores indicaram que as razões para eles não terem lido nenhum livro foram, principalmente, a falta de tempo (32%), por não gostar de ler (28%), e não ter paciência para ler (13%). “Falta de leitura é um problema para a sociedade” Para o escritor e crítico literário radicado em Jaraguá do Sul, Carlos Henrique Schroeder, o baixo índice de leitura é reflexo do analfabetismo instalado no país. “Enquanto a leitura não for um hábito como é escovar os dentes, tudo vai continuar da maneira como está. Essa é uma questão de saúde social e pública, a leitura tem uma função social muito importante, educa a imaginação e tem pesquisas que comprovam que quem lê se relaciona melhor com outras pessoas, além de outras pesquisas indicarem que o hábito de ler ajuda a prevenir o Alzheimer”, afirma. Segundo Schroeder, que é autor de diversos livros, entre eles “As fantasias eletivas” e “História da Chuva”, e que já conquistou o Prêmio Clarice Lispector, da Biblioteca Nacional, as políticas públicas devem visar mais o futuro. “Temos que pensar em longo prazo em ações para o futuro, se não continuaremos como um país de analfabetos porque não nos preocupamos com isso. Com a extinção do Ministério da Cultura, a colocação de pessoas despreparadas na área da Educação e outras coisas que estão acontecendo, a tendência é piorar e isso tudo pode refletir negativamente em todo o país”, lamenta. Uma dica do autor é para que as pessoas fujam das listas tradicionais. “É preciso criar o hábito da leitura e fugir das listas dos mais lidos, procurar seu próprio caminho literário e se educar de maneira diferente, saindo da zona de conforto da vida e da de leitura também”, afirma. “A leitura de ficção é muito importante. Ler é tomar pílulas de diferentes coisas, viver outras personagens e é preciso embarcar nessa viagem dos livros”, acrescenta. Livros mais citados • Bíblia • Diário de um Banana • Casamento Blindado • A Culpa é das Estrelas • Cinquenta Tons de Cinza • Ágape • Esperança • O Monge e o Executivo • Ninguém é de ninguém • Cidades de Papel • O Código da Inteligência • Livro de Culinária • Livro dos Espíritos • A Maldição do Titã • A Menina que Roubava Livros • Muito mais que cinco minutos • Philia • A Única Esperança Autores mais citados  • Augusto Cury • João Ferreira de Almeida • Zibia Gasparetto • Padre Marcelo Rossi • Cristiane Cardoso • Cristiane e Renato Cardoso • Paulo Coelho • Allan Kardec • John Green • Chico Xavier • Ellen G. White • Machado de Assis • Padre Fábio de Melo • Maurício de Souza • Bispo Edir Macedo • Kéfera Buchmann