Nesta sexta-feira, 15, é comemorado o Dia Nacional do Homem. E essa data serve de lembrete para a prevenção de doenças e conscientização para cuidados em relação à própria saúde. Veja dez dicas do médico Gustavo Cardoso Guimarães, coordenador dos Departamentos Cirúrgicos Oncológicos da Beneficência Portuguesa e diretor do Instituto de Urologia, Oncologia e Cirurgia Robótica.

 

  • Acompanhamento médico regular

Para o especialista, muitas doenças podem ser evitadas, curadas e controladas se forem prevenidas, diagnosticadas e tratadas em tempo. “Além dos exames e procedimentos específicos, é importante manter a rotina saudável, o que inclui alimentação equilibrada e atividades físicas”. Entre as dicas, é recomendável evitar fumar e consumir bebidas alcóolicas em excesso. Também é recomendado ter um médico de referência para cuidar da saúde de maneira integral e preventiva.

 

  • Fazer os exames de rotina

Não é novidade que o check-up masculino pode prevenir doenças e condições que costumam atingir os homens, como diabetes, obesidade e câncer de próstata. “Hemograma, glicemia, perfil lipídico e sorologias são os exames de rotina mais relevantes”, diz Guimarães. Normalmente, o recomendado é começar o acompanhamento aos 30 anos e, para cada dois anos, avaliar pressão arterial, índice de massa corporal (IMC) e vacinação contra hepatite B. Depois dos 50 anos, além de hemograma, urina tipo 1, glicemia em jejum e perfil lipídico, é essencial avaliar a próstata. “Para os casos com histórico familiar de câncer de próstata, o acompanhamento deve iniciar aos 45 anos”.

 

  • Respeitar o calendário de exame de próstata

“Esse exame, também chamado toque retal, tem como objetivo analisar a presença de alterações no formato e consistência da próstata. E a avaliação precisa ser complementada para definir se alguma alteração é compatível com hiperplasia, infecções, inflamações ou câncer. Para auxiliar no processo, podem ser solicitados análise sanguínea do antígeno prostático específico (PSA), medição do jato de urina e ultrassonografia transretal, por exemplo”, afirma o médico.

Quem determina a frequência do exame é o urologista, mas a indicação é que comece a rotina após os 50 anos – ou 45 anos para homens com histórico familiar. “É um exame rápido e que não dói”, diz. Vale lembrar que câncer de próstata é uma das principais causas de mortes entre os homens e que o diagnóstico precoce pode garantir o sucesso no tratamento em 95% dos casos.

 

  • Câncer de mama pode acometer homens

Homens também podem desenvolver câncer de mama, já que também têm glândulas mamárias e hormônios femininos, ainda que em baixa quantidade. Por isso, esses tumores são raros: estima-se que entre os casos de câncer de mama, apenas 1% é masculino. Ou seja, para cada 100 mulheres diagnosticadas, há um homem com câncer de mama.

“Justamente por ser raro, não existe rastreamento de câncer de mama para homens. Ao primeiro sinal de um caroço na mama, inchaço próximo do mamilo, dor unilateral ou secreção pelo mamilo, é importante agendar uma consulta com um médico. É mais provável que seja uma doença benigna, mas não vale a pena arriscar”, afirma o especialista.

 

  • Manter a higiene no pênis

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), há cerca de seis mil novos casos de câncer de pênis por ano no Brasil. E a limpeza diária com água e sabão no banho é fundamental, mas principalmente após relações sexuais e masturbação.

“Ao lavar o pênis, com cuidado, quem tem prepúcio, deve puxá-lo para trás e limpar a parte inferior, bem como a ponta do pênis (a glande), usando apenas água e um sabonete suave. Esse cuidado evita o acúmulo de esmegma, que é a secreção que fica concentrada na pele que cobre a cabeça do pênis”, diz o médico Gustavo Cardoso Guimarães.

 

  • Fazer cirurgia da fimose se necessário

Fimose ocorre quando não é possível expor a cabeça do pênis ao se puxar o prepúcio, o que pode dificultar a higienização, aumentar as chances de ocorrerem infecções e até mesmo problemas urinários devido ao acúmulo de secreções.

“Todos os meninos nascem com fimose. No entanto, conforme dados do Ministério da Saúde, com seis meses de idade, 20% das crianças já conseguem retrair a pele, eliminando futuros problemas; aos três anos, cerca de 50% retraem facilmente; aos 17 anos, 99% não apresentam dificuldades em retrair o prepúcio. Nos casos em que a fimose persiste e apresenta uma forma mais aguda, a cirurgia poderá ser indicada, mas depende de análise médica”, afirma.

 

  • Realizar autoexame nos testículos

Após a puberdade, os homens devem ficar atentos ao câncer de testículo, que, embora seja considerado raro, tem crescimento rápido e até mesmo agressivo. Por isso, é indicado autoexame mensal – que é indolor, rápido e fácil de ser feito. “É preciso ficar atento a qualquer alteração, como o aumento do tamanho, dor, nódulos, dor na virilha ou outras anormalidade. Nestes casos, é hora de procurar um médico”, diz Guimarães.

 

  • Preservativo para prática de sexo seguro

Preservativo (ou camisinha) é o método mais conhecido, acessível e eficaz para prevenir a infecção pelo HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis, como sífilis, gonorreia e também alguns tipos de hepatites. De acordo com dados do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 40 mil novos casos de Aids, em média, todos os anos desde 2018.

“Entre 2010 e junho de 2017, foram contabilizados 342.531 casos de Sífilis Adquirida – transmitida através de relação sexual desprotegida. Vale destacar ainda que o uso de preservativo durante a relação sexual é importante, mas essa medida não previne a infecção pelo HPV, pois o vírus pode estar presente em áreas não protegidas pela camisinha, como vulva, região pubiana, perineal ou bolsa escrotal”, explica o especialista.

 

  • Manter a vacinação em dia

A imunização é uma das principais formas de prevenir doenças: por meio dela, o corpo se torna protegido de vírus e bactérias que afetam seriamente o organismo e que podem levar à morte. “Importante destacar a relevância na rotina de autocuidado da vacina de comprovada eficiência científica contra o HPV, que acomete homens e é fator de risco para os cânceres de colo de útero, anal, vagina, orofaringe, vulva e pênis”, afirma.

 

  • Dar atenção à saúde mental

Mesmo com avanços nos últimos nãos, falar de saúde mental ainda pode ser considerado um tabu para os homens. “O estigma negativo sobre os sentimentos masculinos prevalece, enquanto a condição emocional deteriora. Por isso mesmo, a maioria ainda encontra inúmeras barreiras na hora de buscar ajuda profissional para falar sobre sentimentos. A resposta inicial para qualquer vulnerabilidade psicológica é esconder”, diz o médico. Por isso, é importante normalizar conversas sobre saúde mental e derrubar preconceitos quanto à necessidade de consulta com profissionais como psicólogos e psiquiatras.

 

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Fonte: Exame