Mesmo sendo considerado um dos maiores jogadores da história do basquete mundial, Oscar Schmidt nunca atuou na principal liga da modalidade, a NBA. O ídolo brasileiro, que morreu nesta sexta-feira (17), aos 68 anos, chegou a ser draftado em 1984 pelo Brooklyn Nets, mas optou por não seguir carreira nos Estados Unidos.
Conhecido como “Mão Santa”, Oscar tomou a decisão de jogar na Europa para continuar defendendo a seleção brasileira. Na época, a FIBA proibia atletas da NBA de disputarem competições internacionais por seus países, o que pesou diretamente em sua escolha.
Revelado nas categorias de base do Palmeiras em 1974, o ala rapidamente se destacou e, em 1980, já representava o Brasil em Jogos Olímpicos. No país, também atuou por equipes tradicionais como Esporte Clube Sírio e América Football Club, antes de iniciar sua trajetória internacional.
Em 1982, transferiu-se para a Juvecaserta Basket, da Itália, onde permaneceu por oito temporadas. Foi durante esse período que recebeu a proposta da franquia norte-americana, recusada em nome da seleção.
A escolha permitiu que Oscar construísse uma das carreiras mais marcantes com a camisa do Brasil. Ele disputou diversas edições dos Jogos Olímpicos, conquistou títulos sul-americanos e foi protagonista do histórico ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1987, quando a seleção brasileira venceu os Estados Unidos em pleno território adversário.
Anos depois, já consagrado, o ex-jogador relembrou a decisão ao ser incluído no Hall da Fama do basquete, em 2013.
“Vieram me oferecer um contrato que para jogar no New Jersey Nets. Eu falei: “muito obrigado, mas se eu jogar uma partida aqui, nunca mais vou representar a minha seleção nacional”. Essa eram as regras, se vocês não sabem. Eu abri mão da NBA para jogar com a minha seleção. E, três anos depois, nós vencemos os americanos, aqui nos Estados Unidos. Foi a melhor coisa que eu já fiz no basquete”, disse.
Em 1989, a FIBA alterou a regra e passou a permitir a participação de jogadores da NBA em competições internacionais. Ainda assim, Oscar recusou novas oportunidades na liga. Seguiu atuando na Europa, defendendo equipes como o Pavia, na Itália, e o Fórum Valladolid, na Espanha, até 1995.
De volta ao Brasil, encerrou a carreira após passagens por clubes como Corinthians, Bandeirantes, Mackenzie e Flamengo.