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Vídeo: Árbitro deixa partida de futebol após ser vítima de racismo

Foto: Reprodução/Votoraty TV

Por: Lucas Pavin

02/08/2026 - 18:08 - Atualizada em: 02/08/2026 - 18:09

Um caso de racismo marcou a partida entre Votoraty e Referência, válida pelo Campeonato Paulista Sub-15, disputada no estádio Domênico Paolo Metidieri, em Votorantim. O árbitro Marcos Roberto de Jesus Nunes interrompeu sua atuação no intervalo do jogo para registrar um boletim de ocorrência após ser vítima de injúria racial por parte de um torcedor.

Segundo informações da arbitragem, Marcos Nunes foi informado pela delegada da partida de que um homem, identificado como pai de um atleta do Votoraty, teria o chamado de “macaco” ao término do primeiro tempo, quando o Referência vencia por 2 a 0.

O episódio foi confirmado por testemunhas, entre elas integrantes da equipe de apoio e da segurança do estádio, que acionaram a Polícia Militar. O suspeito foi identificado ainda no local.

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Antes do reinício da partida, o árbitro acionou o protocolo antirracista previsto pela Federação Paulista de Futebol e deixou o campo para comparecer à delegacia de Votorantim, onde formalizou a denúncia. O quarto árbitro assumiu a condução do segundo tempo, e o Referência confirmou a vitória por 3 a 0.

Na delegacia, vítima e suspeito prestaram depoimento. Um boletim de ocorrência foi registrado e o torcedor foi qualificado pelo crime de racismo, cuja pena prevista varia de dois a cinco anos de prisão. Ele responderá ao processo em liberdade.

Após o ocorrido, Marcos Roberto de Jesus Nunes se manifestou em suas redes sociais e relatou o impacto emocional provocado pelo episódio.

“Acredito que as redes sociais sirvam para compartilharmos vivências e experiências, e hoje não vai ser diferente. ​Venho contar aqui o que aconteceu comigo no dia de hoje. Em um jogo válido pelo Campeonato Paulista de base (categoria sub-15), entre as equipes do Votoraty e do Referência, sofri um ato de racismo por parte de um pai de atleta do Votoraty. Fui chamado de MACACO, palavras que foram ouvidas claramente pela equipe de apoio e pela segurança do evento. ​Ouvir que isso aconteceu com outra pessoa já é extremamente triste e doloroso. Mas sentir na pele é devastador. A sensação de impotência é tão grande que te faz chorar. Hoje, ainda dentro do vestiário, cheguei a agradecer a Deus por não ter um filho, só para saber que ele não passaria por uma situação tão horrível quanto essa. ​Na época da Copa do Mundo, ouvi muitas pessoas dizendo que não torceriam para a Argentina porque lá eles são racistas. Olhem para o nosso próprio quintal. O problema que apontamos lá fora também é o nosso”

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Lucas Pavin

Jornalista esportivo, com a missão de informar tudo o que rola na região, seja na base, amador ou profissional.