O empresário John Textor não comanda mais a SAF do Botafogo. O afastamento foi determinado pelo Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e será reavaliado na próxima quarta-feira (29), quando as partes envolvidas devem se manifestar no processo.
A decisão foi tomada de forma liminar por três árbitros, que apontaram que medidas recentes adotadas por Textor “têm o potencial de causar danos irreparáveis aos acionistas e a toda a comunidade de torcedores do Botafogo”. O afastamento imediato atendeu a um pedido da Eagle Bidco, uma das partes do imbróglio societário.
Em nota oficial, a SAF alvinegra criticou a medida, alegando interferência indevida em questões internas da empresa. Segundo o comunicado, a decisão “avança sobre matéria tipicamente societária” e substitui a vontade dos acionistas, que, conforme previsto em estatuto, deveria ser definida em assembleia.
O tribunal destacou dois pontos centrais para justificar o afastamento. O primeiro foi a decisão de iniciar um processo de recuperação judicial da SAF, protocolada na última terça-feira, sem deliberação prévia dos acionistas. Para a FGV, a medida viola regras de governança e não contou com a aprovação necessária do clube associativo.
O segundo ponto envolve um contrato de compra e venda (SPA) assinado por Textor em 26 de janeiro. No documento, o empresário transfere para uma empresa sediada nas Ilhas Cayman a participação societária da Eagle Bidco na SAF do Botafogo. A própria Eagle Bidco afirmou ao tribunal que o acordo foi firmado de maneira irregular, sem o cumprimento das formalidades legais.
O episódio é mais um capítulo da disputa entre Textor e a Ares, fundo de investimento que financiou a aquisição do Olympique Lyonnais pelo empresário. Com a dívida não quitada, ações da SAF do Botafogo foram dadas como garantia, permitindo ao fundo ampliar sua influência nas decisões da Eagle Bidco.
Textor assumiu o controle do futebol do Botafogo em março de 2022 e, durante sua gestão, o clube viveu um dos períodos mais vitoriosos da história recente, com as conquistas da Libertadores e do Campeonato Brasileiro em 2024. Apesar dos títulos, a SAF enfrenta, nos últimos meses, uma grave crise financeira.
Em meio ao cenário conturbado, a empresa britânica Cork Gully foi indicada, em março deste ano, como administradora da Eagle Bidco, atualmente sob gestão da Ares. Já no início deste mês, a companhia colocou à venda os clubes ligados ao grupo — incluindo o Botafogo — em anúncio publicado no jornal Financial Times.
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