Na noite de quarta-feira (27), 10 torcedores do Joinville Esporte Clube foram condenados por envolvimento em um ataque contra torcedores do Paysandu, em fevereiro de 2022, no bairro Aventureiro, em Joinville. Somadas as penas ultrapassam 100 anos de prisão e todos deverão cumprir a sentença em regime fechado.
As 10 pessoas envolvidas nos atos criminosos, denunciadas pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), foram julgadas em uma sessão do Tribunal do Júri que durou três dias. Eles foram condenados por tentativa de homicídio duplamente qualificada – motivo fútil e recurso que dificultou a defesa das vítimas – e pelos crimes conexos de associação criminosa e constrangimento ilegal.
Quatro dos réus receberam penas individuais de 10 anos, seis meses e 18 dias de reclusão e outros três acusados, penas de oito anos, quatro meses e 18 dias. Os demais foram penalizados com 15 anos, dois meses e 23 dias de reclusão; 13 anos, 11 meses e nove dias; e 12 anos, oito meses e 25 dias. Somadas, as penas – todas em regime inicial fechado – passam dos 100 anos de reclusão.
Relembre o caso
Os fatos aconteceram no dia 20 de fevereiro de 2022. Cerca de 30 integrantes de uma torcida organizada do JEC invadiram um bar em que torcedores dos times do Estado do Pará, Remo e Paysandu, estavam reunidos para assistir a um jogo entre as duas equipes. Eles obrigaram os torcedores a tirarem as camisetas dos clubes, afirmando que aqueles que recusassem seriam mortos.
Câmeras de segurança flagraram a movimentação dos agressores da torcida organizada se reunindo no ponto de encontro combinado, no bairro Aventureiro, e se dirigindo até o bar em que ocorreu a tentativa de homicídio. Eles estavam armados com tacos de beisebol, pedaços de madeira e barras de ferro.
No trajeto até o estabelecimento comercial ocorreram provocações, agressões e ameaças a torcedores que vestiam camisetas de times de fora da cidade. O grupo invadiu o local e ordenou que retirassem as camisetas. Diante da recusa de uma das vítimas, os agressores iniciaram um ataque indiscriminado contra homens, mulheres, incluindo uma grávida, e crianças.
Durante o tumulto, um dos clientes que tentou socorrer o homem que havia recusado tirar a camiseta do seu time acabou sendo brutalmente agredido por um dos réus. A vítima foi atingida com socos, chutes, uma barra de alumínio e uma cadeira, mesmo após cair desacordada.
O homicídio só não se consumou graças à intervenção da proprietária do bar e ao atendimento médico imediato. O cliente ficou gravemente ferido e precisou, na época dos fatos, ser internado em tratamento intensivo.