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Presidente do Juventus detalha negociação da SAF, fase crítica da RJ e situação de terreno

Foto: Divulgação/Juventus

Por: Lucas Pavin

06/08/2026 - 18:08 - Atualizada em: 06/08/2026 - 18:37

Enquanto tenta superar o rebaixamento inédito à Série C do Campeonato Catarinense, o Juventus trava uma batalha ainda maior fora das quatro linhas: garantir a sobrevivência do clube.

Em entrevista exclusiva ao OCP, o presidente Paulo Marcelino abriu os bastidores das negociações para transformar o Moleque Travesso em Sociedade Anônima do Futebol (SAF), revelou o perfil do possível investidor e detalhou como funcionará a operação.

O dirigente também fez um alerta sobre a situação financeira do clube. A partir de outubro, o Juventus entrará na fase mais pesada da Recuperação Judicial, com parcelas mensais de aproximadamente R$ 300 mil.

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Além disso, ele esclareceu a situação do terreno localizado atrás de um dos gols do estádio João Marcatto e deu detalhes da parceria de naming rights com a TopSun. Confira a entrevista completa.

OCP – Quais critérios levaram a diretoria a escolher esse grupo para iniciar as negociações da SAF?

Paulo Marcelino: Surgiram várias conversas desde a aprovação da Recuperação Judicial, mas esse foi o primeiro grupo que formalizou uma carta de intenção, apresentando quem é a empresa e qual percentual pretende adquirir do clube. Agora entramos na fase do memorando, quando todos os detalhes serão colocados no papel.

OCP – Qual é o perfil desse investidor? Ele já atua no futebol?

Paulo Marcelino: É uma holding que atua no Brasil e nos Estados Unidos. Nunca investiu diretamente no futebol, mas conta com pessoas que conhecem o esporte. É uma empresa sólida, comandada por um empresário de grande capacidade financeira, o que nos transmitiu bastante segurança.

OCP – Por qual motivo se interessaram pelo Juventus?

Paulo Marcelino: Acredito que seja um conjunto de fatores. O Juventus tem tradição, uma torcida ativa e está em uma cidade economicamente forte, próxima da maior cidade do Estado e de um aeroporto, além de concentrar grandes empresas. O objetivo deles é tornar o clube autossustentável. Falaram em investimento para assumir as dívidas, criar um centro de treinamento, modernizar o estádio e até estudar a construção de uma nova casa para o Juventus.

OCP – O nome da empresa e do empresário já pode ser divulgado?

Paulo Marcelino: Ainda não. Existe um acordo de confidencialidade enquanto estamos na fase de troca de documentos. Os nomes só poderão ser revelados quando chegarmos à assinatura do contrato de compra e venda da SAF.

OCP – Que proposta já foi apresentada ao clube?

Paulo Marcelino: O principal ponto é que o grupo pretende adquirir 90% da SAF e assumir a responsabilidade pelas dívidas. O associativo permanecerá com 10%. Eles demonstraram interesse em investir principalmente na base, na valorização de atletas e na melhoria da estrutura. O volume de investimento anual ainda será definido no plano de negócios.

OCP – O que acontece se o Juventus deixar de pagar alguma parcela da Recuperação Judicial?

Paulo Marcelino: Perdemos os benefícios conquistados no processo. Tivemos cerca de 85% de desconto nas dívidas tributárias. Se houver atraso, podemos perder esse parcelamento, voltar praticamente à estaca zero e até correr o risco de a Recuperação Judicial ser encerrada. Nesse cenário, existe a possibilidade de o clube caminhar para a falência.

OCP – Em outubro começam as parcelas de R$ 300 mil por mês. O Juventus tem condições de pagar esse valor?

Paulo Marcelino: Se fosse hoje, o clube fecharia, porque não temos essa receita. A partir de outubro enfrentaremos o momento mais crítico da Recuperação Judicial, com 12 parcelas de aproximadamente R$ 300 mil. Depois esse valor diminui novamente. Fizemos a Recuperação Judicial para ganhar tempo e preservar o patrimônio. Até agora conseguimos honrar todos os pagamentos, mas essa nova fase exige um investidor. O associativo, sozinho, não consegue suportar esse compromisso. Sabíamos que seria difícil, mas preferimos lutar. O rebaixamento dói muito, mas ver o clube fechar as portas doeria muito mais.

OCP – Muito se falou sobre o terreno atrás de um dos gols do João Marcatto. Afinal, qual é a situação dessa área?

Paulo Marcelino: É importante esclarecer que esse terreno não pertence ao Juventus há aproximadamente dez anos. Na época, o imóvel foi levado a leilão em razão de dívidas antigas do clube e acabou sendo adquirido por um terceiro. Posteriormente, uma associação parceira do Juventus passou a ser proprietária da área por meio de doação. Ao identificar que o clube enfrentava um momento extremamente delicado, com a necessidade de ingressar na Recuperação Judicial e arcar com os elevados custos desse processo, além das demais despesas operacionais de 2025, a associação decidiu prestar apoio financeiro ao clube. Esse auxílio não decorreu de qualquer movimentação do clube envolvendo o terreno. Foi uma iniciativa da própria associação, que, por reconhecer a importância da continuidade das atividades do Juventus, formalizou um contrato de empréstimo no valor de R$ 500 mil. Esses recursos foram fundamentais para viabilizar o ingresso na Recuperação Judicial e custear as obrigações daquele período, que foi um dos mais desafiadores da história recente do clube. Ao ajuizar o pedido de Recuperação Judicial, o clube incluiu esse compromisso financeiro entre os créditos do processo, reconhecendo formalmente a existência da obrigação decorrente do empréstimo. O crédito foi regularmente habilitado na Recuperação Judicial e, com a aprovação do plano, recebeu o mesmo tratamento aplicável aos demais credores da respectiva classe, resultando em um deságio de aproximadamente 85%. Assim, o valor originalmente emprestado já não corresponde ao montante atualmente devido.

OCP – Como funciona o acordo de naming rights com a TopSun?

Paulo Marcelino: O contrato é de R$ 200 mil por dois anos. Esse valor contempla a utilização do nome do estádio, a pintura realizada e outras melhorias que ainda serão concluídas, como letreiros e a fachada da bilheteria. Pode parecer um valor modesto, mas para um clube na nossa situação representa muito. São recursos que o Juventus não teria e ajudam a reduzir a dependência exclusiva de patrocínios tradicionais.

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Lucas Pavin

Jornalista esportivo, com a missão de informar tudo o que rola na região, seja na base, amador ou profissional.