O Juventus foi da euforia à frustração na Série B do Campeonato Catarinense. Após brigar pelo acesso durante toda competição, o Tricolor viu a vaga na elite escapar por um ponto, com a goleada do Concórdia sobre o Almirante Barroso no último domingo (18).

Depois da lamentação, o momento é de avaliar o trabalho que foi feito. Em entrevista a Rede OCP News na tarde de quarta-feira (21), o presidente Cristiano Humenhuk admitiu a tristeza pela equipe não ter conseguido carimbar o passaporte a Série A.

Porém, destacou o trabalho realizado no Estadual, afirmando que a temporada trará ensinamentos que farão o Moleque Travesso ainda mais forte em 2020.

Confira abaixo a entrevista completa

- OCP: Desde o início da temporada, a diretoria falou que era o ano do acesso e a equipe brigou por isso até a última rodada. O que faltou para este objetivo?

Cristiano Humenhuk: “Da parte da diretoria não faltou nada. Foi feito concentração que há anos não se fazia, o que deu em torno de R$ 25 mil, toda parte de transporte, logística, alimentação conforme a comissão técnica pediu. Foram detalhes em campo. O elenco foi muito bem escolhido e acredito que, infelizmente, (o acesso) não era para ser esse ano”

- Toda essa expectativa criada acabou ajudando ou atrapalhando durante o campeonato?

“Todo ano temos expectativa que o time vai chegar e esse ano foi maior por mais gente comprar a ideia de fazer o Juventus crescer. A medida que as pessoas foram chegando, a expectativa foi aumentando. Expectativa sempre vai ter, então não atrapalhou”

- Qual momento você acredita que foi crucial para o acesso não ter chego em 2019?

“Foram dois. O jogo contra o Guarani de Palhoça, que cometemos dois erros individuais e custou a derrota por 2 a 0 para um time que não brigava por mais nada. E o principal foi estar ganhando do Concórdia por 1 a 0, jogando melhor e com um jogador a mais, e sofrer o empate, aos 40 minutos do segundo tempo, em um pênalti que até hoje não me convence”

Lance do jogo entre Juventus e Concórdia | Foto Lucas Pavin/Avante! Esportes

- Feito essa avaliação, qual sentimento que fica?

“Como torcedor, é muito triste, mas como presidente estou muito feliz. Conseguimos resgatar o público, trazer novos parceiros e patrocinadores. Já tentarei renovar com todos para antecipar o trabalho do ano que vem, o que facilita. Então como presidente foi um ano fenomenal, porque ter visto o estádio João Marcatto cheio novamente, não tem preço”

- Esse resgate do clube junto à comunidade foi o principal ponto positivo do ano?

“Sem dúvida. A torcida nos ajudou a pagar a folha dos atletas. Sem eles pagarem entrada nos jogos e adquirindo o sócio torcedor fica impossível fazer futebol. Os apoiadores e patrocinadores vieram, mas não cobriam nossas despesas. Acredito que recuperamos a imagem do clube, com o torcedor voltando ao estádio. Agora temos que resgatar o clube, precisando da ajuda dos empresários”

- O Juventus vinha com campanhas modestas desde 2015, inclusive, brigando para não cair em 2017. O quanto o desempenho deste ano dá esperanças para a próxima edição?

“A tendência é vir cada vez mais forte. O Juventus tem uma importância gigante para cidade. Agora temos que ver se Jaraguá do Sul quer o Juventus, se as empresas virão abraçar o clube. Caso isso não aconteça, não adianta, vamos ficar no meio da tabela. Em 2019 demos um ‘bote’ a mais, mas tivemos que tirar um pouco do nosso (bolso), porque essa diretoria trabalha voluntariamente e está tentando fazer história para o bem de Jaraguá. Se não tiver ajuda fica difícil manter”

Torcida lotou as arquibancadas descobertas no jogo contra o Concórdia | Foto Lucas Pavin/Avante! Esportes

- A saúde financeira sempre foi uma preocupação do clube, mesmo sem ter apresentado déficit nos últimos anos. Em 2019, a diretoria conseguiu arcar com todos os seus honorários?

“Parte de clube, com funcionários, está tudo em dia. Com atletas e comissão apenas a rescisão. Falta a rescisão dos 19 dias trabalhados de agosto, 13º, fundo de garantia, férias, como qualquer outra empresa. Hoje, estamos com um negativo de R$ 80 mil, que precisamos levantar em um prazo de 30 a 60 dias. Vamos fazer algum tipo de evento, procurar empresários que possam nos ajudar para finalizar mais um ano sem dividas. Fomos mais ousados neste ano e contávamos com uma final, que sanaria esses valores com a bilheteria, mas infelizmente não obtivemos sucesso”

- O mandato da atual diretoria encerra no fim deste ano. Você pretende se reeleger como presidente? E qual seu principal objetivo no momento?

“Todos da diretoria querem que eu continue e eu também tenho essa vontade. Já estamos reforçando nossa chapa com mais pessoas para ficar mais três anos. Tenho como foco principal a montagem do conselho, porque com ele, a nossa credibilidade aumenta”

- Sem competições profissionais, qual programação do clube até o fim do ano?

“Além dos eventos para buscar recursos temos as categorias de base, que é a nossa esperança de revelar e vender um grande atleta para nos ajudar financeiramente. Então o trabalho continua somente com a base e algumas avaliações”

- Último recado para torcida que foi uma grande aliada do Juventus na temporada.

“Infelizmente o acesso não veio e o torcedor sofre tanto quanto a gente. Mas que não perca a esperança e continue acreditando, porque só queremos o bem do clube, sem nenhum tipo de intenção financeira. Aguarde, acredite, ajude o Juventus, porque estamos fazendo o melhor pelo clube e ano que vem faremos de tudo para vir ainda mais fortes”

 

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