Quase 40 medalhas conquistadas na última edição do Jogos Abertos Paradesportivos de Santa Catarina, destaques em Olimpíada nacional e resultados inéditos em competições renomadas no território brasileiro. Os números não mentem e os desempenhos recentes ressaltam o grande trabalho de Jaraguá do Sul no esporte paralímpico, que mesmo com uma equipe menor em comparação a outras cidades vem se tornando uma potência no Estado, principalmente nos segmentos DI (deficientes intelectuais) e DF (deficientes físicos). Se no Jasc, o município sofre para se colocar entre os melhores, o paradesporto jaraguaense vem galgando seu espaço com naturalidade no Parajasc.
Futsal: paradesporto jaraguaense vem galgando seu espaço com naturalidade no Parajasc | Foto Eduardo Montecino/OCP
Os motivos são variados e vão desde a estrutura oferecida por duas grandes entidades da cidade até a própria exclusão sofrida pelos deficientes no mercado de trabalho, que lhe deixam o esporte como única alternativa de lazer e esperança de um futuro na carreira.

Trabalho feito em conjunto

Mas, para falar do paradesporto de Jaraguá é preciso, antes, separá-lo em duas partes. Uma é o trabalho desenvolvido pela Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer (Secel). São apenas seis nomes a serviço da equipe, mas com potencial de sobra que vem colocando o município em diversos pódios de eventos estaduais e nacionais. Isso nas modalidades de atletismo, que realiza suas atividades no Centro Esportivo Murillo Barreto de Azevedo, por três vezes na semana com o suporte técnico de Dilnei Marcelino, além da natação, que trabalha o mesmo período no Acaraí, sob a supervisão das professoras Iara Fructuozo e Verônica Paciello Matile. - Não deixe de ler também: https://ocponline.com.br/paradesporto-jaraguaenses-atletismo-circuitocaixa/ - A outra e maioritária parte do paradesporto jaraguaense concentra-se na Apae. Com cerca de 80 atletas, a entidade conta com o Projeto Paradesportivo ‘A Superação através do Esporte’, dividindo os usuários desde a forma de iniciação nas modalidades esportivas, passando pela inclusão em treinos e competições, até o rendimento com participação efetiva pela equipe, podendo receber o bolsa atleta municipal.
Na bocha, os treinos acontecem duas vezes por semana | Foto Eduardo Montecino/OCP
Os treinos acontecem duas vezes por semana, para o futsal, atletismo, tênis de mesa e bocha (convencional em cancha de areia), enquanto a bocha paralímpica tem o acréscimo de um dia de atividades. Os locais são separados entre a própria Apae, Baependi e Arweg. Na reta final de cada temporada, as duas equipes se reúnem e representam Jaraguá do Sul no Parajasc, o qual vem mantendo uma média alta de 40 medalhas nas últimas edições, sendo que no ano passado foram 14 de ouro, 14 de prata e 10 de bronze, rendendo ainda um expressivo 4º lugar geral no DI.
“Muito dos bons resultados se deve à boa dinâmica entre professores e atletas, e à estrutura da Apae, que faz um grande trabalho. Nosso objetivo principal não é conquistar resultados, mas sim a inclusão social. E quanto mais atletas estiverem no paradesporto, naturalmente os resultados mais expressivos aparecem”, destaca Airton Luiz Schiochet, gerente de esportes da Secel.

Principais destaques

Com o grande número de conquistas recentes, alguns nomes acabam despontando como destaques em diversos campeonatos pelo município. No atletismo, André Engel, Luís Henrique Tomaselli e Gabriela Gadotti são os grandes expoentes da Secel no Parajasc, sendo que os dois últimos ainda obtiveram inéditas medalhas para Jaraguá no Circuito Loterias Caixa de Paradesporto, em março deste ano, no Rio Grande do Sul.
Paratletas de Jaraguá do Sul, como Gabriela Gadotti, têm avançado nos resultados em competições estaduais e nacionais | Foto Eduardo Montecino/OCP
- https://ocponline.com.br/jaragua-se-despede-do-parajasc-com-medalhas-na-natacao-e-bocha/ - Já da Apae, Felipe Santos, Gabriel Rambo, Jonathan Franco, Jean Carlos Correia e Maicon Meurer garantiram juntos nada menos que 14 medalhas no Parajasc de 2017. Somando-se a isso, ainda tem a natação com Maria Helena Eggert, multicampeã nas piscinas, e a equipe feminina de bocha (formada por Andressa Aparecida de Sevegnani Weiss, Itamara Cristina Valentim de Sousa e Rosane Mello Telles), que é atual detentora do título do Parajasc.

“O resultado é fruto da qualidade dos atletas. Muitos não acreditam no potencial que eles possuem, porém, com os treinamentos e paciência os resultados aparecem”, disse o coordenador técnico da Apae, Wanderlei Augusto Gessner.

Ele complementou que os educadores físicos são responsáveis por grande parte dos resultados, mas na Apae os alunos contam com uma assessoria (psicólogo, fisioterapeuta, fonoaudióloga, terapeuta ocupacional, assistente social e os professores) que sempre auxiliam quando necessário.

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