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Mundial de Canoagem testa limites de atletas de Jaraguá do Sul e Schroeder

Foto: Arquivo pessoal

Por: Lucas Pavin

28/05/2026 - 07:05 - Atualizada em: 28/05/2026 - 12:04

A aventura sonhada por dois atletas do Vale do Itapocu virou um teste de resistência e coragem durante o Campeonato Mundial de Canoagem Descida de 2026, em Banja Luka, na Bósnia e Herzegovina. Representando o Clube Kentucky, de Jaraguá do Sul, o jaraguaense Marcos Zanghelini e o schroedense Wilson Völz encararam não apenas os adversários, mas também um dos rios mais violentos já enfrentados pela dupla na carreira.

Depois de meses de preparação, o desfecho ficou distante do planejado. Na categoria 55+, Wilson terminou na 13ª colocação, enquanto Marcos sequer conseguiu concluir a prova após enfrentar uma sequência de dificuldades dentro do percurso de 4km.

Os problemas começaram antes mesmo da largada. Impedidos de transportar os próprios caiaques por restrições das companhias aéreas, os canoístas precisaram negociar o aluguel de embarcações à distância. A solução veio com uma equipe da Macedônia, mas os equipamentos estavam longe do ideal.

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Os caiaques utilizados eram antigos, apresentavam remendos improvisados e vazamentos constantes, fator que comprometeu diretamente o desempenho dos atletas em um cenário já considerado extremamente complicado.

Além das limitações do equipamento, os competidores se depararam com um rio muito diferente dos encontrados no Brasil. O trajeto reunia ondas gigantes, refluxos violentos e paredões de canyon que dificultavam qualquer margem de erro.

Tensão no percurso

Foi justamente nesse cenário que Marcos Zanghelini viveu os momentos mais tensos da competição. Após cerca de 500 metros de prova, o jaraguaense perdeu o controle do caiaque em meio às fortes corredeiras. A embarcação virou em um grande redemoinho, fazendo com que ele precisasse abandonar o barco ainda dentro do rio.

Sem conseguir acessar as margens por conta dos paredões do canyon, ele perdeu o remo e ficou quase duas horas aguardando resgate em meio à água gelada, sofrendo princípio de hipotermia.

“Não concluí a prova por ter perdido o remo, mas foi válido como aprendizado. É sempre difícil competir sem o nosso equipamento, ainda mais usando um caiaque velho e mal consertado. Isso complicou demais a minha prova, infelizmente, porque treinei muito para esse Mundial”, lamentou.

Wilson Völz também destacou o alto grau de dificuldade encontrado no local da prova e a diferença em relação aos rios brasileiros.

“Desde o primeiro instante recebíamos orientações para revisar todos os itens de segurança por causa do alto volume de água do rio. Não estamos acostumados com esse tipo de situação porque treinamos em rios muito menores. Além disso, competir com caiaques alugados dificulta ainda mais a adaptação. Fizemos o que era possível dentro das condições que tínhamos”, afirmou.

Wilson e Marcos (primeiros à esquerda) com a equipe brasileira | Foto: Arquivo pessoal

Próximo desafio

Apesar dos obstáculos, a dupla traz mais uma experiência internacional na bagagem e já projeta o próximo grande desafio da temporada. O foco agora será o Campeonato Mundial de Canoagem Maratona, marcado para outubro, na Argentina.

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Lucas Pavin

Jornalista esportivo, com a missão de informar tudo o que rola na região, seja na base, amador ou profissional.