O primeiro dia do quinto mês de cada ano é de festa pelos lados do João Marcatto. Neste sábado, 1º de maio, o Grêmio Esportivo Juventus completa 55 anos de história.

Mas, em meio a pandemia do novo coronavírus, a diretoria teve que optar mais uma vez apenas por uma programação virtual, celebrando a data especial nas redes sociais do clube.

Comemorações à parte, o foco está todo voltado para um campeonato: a Série D do Brasileiro. Afinal, o Tricolor volta a disputar uma competição nacional após 25 anos.

Um momento emblemático de um clube que viveu uma verdadeira gangorra ao longo de sua história, mas hoje passa por um momento de ascensão e buscando se consolidar no cenário estadual e nacional.

Em Santa Catarina, esse objetivo vai se estabelecendo a cada temporada, com as classificações à semifinal em 2020 e quartas de final em 2021, além de uma semi da Copa SC.

Já fora do território catarinense, a caminhada será retomada no início de junho, quando o Tricolor estreia na quarta divisão, contra o Caxias (RS), em Jaraguá do Sul.

“É uma data muito especial e é um aniversário marcante. Depois de muitos anos, voltamos a ter um calendário anual e a uma competição nacional que é a Série D. Isso marca muito para mim. É uma evolução e viemos numa crescente”, destaca o presidente Paulo Ricardo Marcelino.

Se o planejamento terá sucesso, só o futuro dirá. Mas o Moleque Travesso vem mostrando capacidade de se firmar na elite do Estado e, quem sabe, galgar seu espaço nas principais divisões do futebol nacional.

“Estou muito feliz com essa evolução do clube, com as pessoas que estão na diretoria, como o Hudson (presidente de futebol) que não mede esforços em acreditar que o Juventus pode se tornar uma potência no Estado. Nosso planejamento estratégico visa isso. É trabalhar para que a cada ano a gente consiga fazer campanhas melhores e que o clube se torne autossustentável no futuro”, finaliza o presidente Marcelino.

História

No dia 1º de maio de 1966, um grupo de 27 jovens se reunia semanalmente no Salão Cristo Rei, ao lado da Igreja Matriz São Sebastião, com o objetivo de confraternizar e espiritualizar.

Sob os ensinamentos do visionário Padre Elemar Scheid, esses jovens se tornaram líderes em vários segmentos da sociedade e foram essenciais na alavancada jaraguaense.

Foi nesta época que a cidade passou a contar com uma faculdade (hoje Católica SC), com os serviços do SESI e, como ninguém é de ferro, um grupinho se juntou para bater uma bolinha, criando o Grêmio Esportivo Juventus.

O apoio do Padre Elemar, um apaixonado por futebol, foi decisivo para que o Juventus deixasse de ser um clube recreativo para disputar competições oficiais.

O primeiro título foi em 1971. De forma invicta, a equipe conquistou o Campeonato Regional, mais conhecido como a Taça dos Municípios, que teve a presença o Ipiranga e Continental, de Rio Negrinho, Operário, de Mafra, e Dom Pedro II, de Corupá.

Time campeão de 1971 | Foto: Arquivo Histórico

Já a primeira participação na Série A do Campeonato Catarinense veio em 1976, sendo que o clube permaneceu na elite até 1980.

Após dez anos licenciado do futebol profissional, o Tricolor voltou em 1990 para disputa da segunda divisão estadual.

E foi justamente nessa década que o Juventus viveu sua época de ouro, chegando a jogar o Campeonato Brasileiro da Série C, em duas ocasiões. Na melhor delas, em 1995, o Juve alcançou à terceira fase da competição.

Equipe da Série C de 1995 | Foto: Arquivo Histórico

Depois de ficar na Série A do Catarinense de 1991 a 1997, o clube passou a viver uma verdadeira gangorra e até voltou a ficar inativo por mais alguns anos.

O retorno às competições profissionais foi em 2004, ano em que veio o primeiro título estadual na Série C, chamada de B1 na época.

Elenco de 2004 | Foto: Arquivo OCP News

Desde então, o Juventus viveu altos e baixos, de acessos à elite catarinense e duas classificações a semifinal até rebaixamentos e estagnação na Série B.

Mas nos últimos dois anos, o clube vem conseguindo recuperar o orgulho perdido por sua torcida em muitos momentos.

Tudo por conta das boas participações na primeira divisão estadual e a volta a uma competição nacional após mais de duas décadas, o que dá esperanças de um futuro de sucesso para o ‘time do povo’ de Jaraguá do Sul.

*Com ajuda e informações de Henrique Porto