Grave o nome de Joaquim Ferreira Martins. Ele é apenas uma criança de 7 anos, mas já tem números e talento de gente grande. Para quem ainda não conhecia, o jovem jaraguaense vem chamando atenção desde os primeiros treinos de futsal no Colégio Evangélico Jaraguá, quando tinha apenas 3 anos de idade.
O crescimento vertiginoso foi sendo notado através de vídeos publicados pelo pai nas redes sociais, até que em maio de 2023, um olheiro do Internacional formalizou a intenção de vê-lo de perto. Foi aí que a carreira, mesmo ainda curta, começou a deslanchar.
Após uma semana de testes em Porto Alegre (RS), ele e apenas mais um menino foram aprovados entre 53 selecionados. Por ser menor de idade, Joaquim não assinou contrato direto com o clube e ficou acordado com os representantes legais do pequeno que ele seria chamado sempre que o clube precisasse.
Desde então, o garoto se tornou uma joia no Colorado. Quando solicitado, vestiu a camisa do time gaúcho em campeonatos, se destacou e até já foi campeão fazendo gol em final. Com isso, outras equipes de ponta do futebol brasileiro demonstraram interesse em contar com o jaraguaense, como Palmeiras, Flamengo, São Paulo, Fluminense, Athletico-PR e Bahia.
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Joaquim e o pai Carlos Eduardo Martins, o Café, ex-jogador profissional de futsal | Foto: Arquivo pessoal
Porém, ele segue no Inter em 2025, ano em que irá se deslocar mais vezes para Porto Alegre e disputar um número maior de competições.
“O clube me passa que ele tem muito bom controle de bola, é muito rápido e pensa muito rápido nas jogadas pela pouca idade. É inteligente para jogar e tem várias características que os clubes gostam”, afirmou o pai Carlos Eduardo Martins, o Café, ex-jogador profissional de futsal.
Contratos externos
As características pouco comuns para alguém dessa idade também gera interesse de empresas fora do clube. Recentemente, a família fechou contrato com a AGM, maior agência do Sul do Brasil, que já agenciou grandes jogadores do próprio Inter, como Nilmar, Alisson e Alexandre Pato.
São três anos de contrato, com a empresa tendo a responsabilidade de dar todo suporte ao atleta, com serviços de nutrólogo, psicóloga, exploração da imagem, material esportivo e demais despesas como transporte e hospedagem.
Inclusive, a AGM aproximou o jaraguaense de uma possível parceria com a Nike, que já está monitorando o atleta. A assinatura só não foi feita ainda pela pouca idade.
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Foto: Arquivo pessoal
As novidades são grandes, mas o foco da família é não deixar que as mudanças impactem negativamente o pequeno, que segue levando o esporte como uma brincadeira.
“Ter assinado com a agência dá uma tranquilidade, porque são pessoas sérias e que querem ajudar não só com dinheiro. O principal é que o Joaquim tem que jogar futebol, não pensar em dinheiro. Ele é uma criança e tem que se divertir. Esse foi o principal motivo de eu ter assinado com eles”, disse Café.
DNA para a bola
Reza a ditado que “filho de peixe, peixinho é”. No caso de Joaquim, esta frase mostra mais uma vez o quanto é verdadeira. Pai do menino, Café foi uma das grandes promessas do futsal jaraguaense na ‘Era Malwee’, jogou no profissional e rodou por alguns clubes do Brasil e do Exterior.
Em 2017, decidiu encerrar a carreira aos 30 anos para se dedicar a família e virou técnico de formação para inúmeros jovens de Jaraguá do Sul, profissão que exerce até hoje.
Mas ele não imaginava que seu maior talento estaria dentro de casa. Ao perceber a qualidade de Joaquim, Café nunca deixou de incentivar a prática do esporte ao lado da esposa Cintia, mas sempre de uma forma leve.
“Eu e minha esposa procuramos fazer mais o papel de família para ser o pilar de segurança, porque temos que estar ali para o que ele precisar. Sou um cara tranquilo, não tenho perfil de ficar cobrando e procuro às vezes até tirar o foco dele do futebol, incentivando a fazer outras coisas. O futebol já está inserido na vida dele, então não tem porque eu fazer mais força ainda”, relatou.
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Joaquim e os pais na sala de imprensa do Beira Rio | Foto: Arquivo pessoal
Além disso, o ex-atleta desmentiu algumas teses criadas ao longo do tempo de que o pupilo cresceu no futebol por conta de treinos pessoais dados por ele.
“Todo mundo fala que ele é bom assim porque eu treino ele, mas sou o que menos faz isso. Não faço treino pessoal com ele apesar de trabalhar com isso e não sou adepto de fazer o Joaquim treinar muito, tanto que ele treina pouco, só uma vez por semana futsal. Criança tem que brincar, se divertir e ver o futebol como uma diversão, não como compromisso”, destacou.
Objetivos e sonhos
Com um histórico de 65 gols em 72 jogos oficiais, Joaquim vem se consolidando como grande promessa. No entanto, o caminho ainda é longo e cheio de desafios para quem tem o sonho de ter sucesso no futebol.
Por isso, o objetivo é primeiro seguir o crescimento tanto nos gramados como nas quadras, já que ele continua jogando torneios pelo CEJ. Mas nada que também impeça o menino de carregar seus sonhos no esporte.
“A meta é ele continuar nessa evolução e suprindo as expectativas que o Inter tem sobre ele, além de fazer bom trabalho por aqui também em campeonatos de futsal, que é muito importante nessa idade e traz muitas valências para crianças. Mas ele já falou que quer ser jogador de futebol, jogar no Inter e no Manchester City, da Inglaterra, porque o jogador que ele gosta muito é o Haaland”, contou Café.