Restam poucos detalhes para o início do Campeonato Varzeano de Jaraguá do Sul. Previsto para começar no dia 17 de março, a competição definiu nesta semana, o número de participantes para sua 36ª edição. E dentre os 28 times que confirmaram presença no maior torneio de futebol amador da cidade, um chamou a atenção de todos: o Mosprehab FC. Criado em outubro do ano passado pelo Movimento Social para Reunião dos Haitianos no Brasil, a equipe reúne 22 jogadores naturais do Haiti e será a primeira estrangeira a participar do certame jaraguaense.
O clube que promete surgir como a mais nova sensação do futebol local impressiona pela força de vontade. Com moradores de Jaraguá do Sul, Guaramirim e Joinville, os atletas do elenco, a exemplo de outros compatriotas, saíram do Haiti carregando inúmeros sonhos e buscando oportunidades. Além do trabalho no dia a dia para poder se manter no Brasil e ainda ajudar familiares que estão na América Central, eles encontraram em solo brasileiro a chance de participar do espaço que abriga uma das maiores paixões nacionais, quiçá a principal: o futebol.
As atividades iniciaram há cinco meses no campo do Rau, sendo que na atual temporada o grupo transferiu os treinos semanais de domingo para a Arsepum. Apesar de todas as dificuldades enfrentadas no país, já que muitos ainda não exercem uma profissão, nada tira o sorriso e a alegria contagiante dos haitianos, que procuram uma vida estável em Jaraguá do Sul e região. É o caso, por exemplo, de Michel Orlwith. Aos 27 anos, ele deixou sua terra natal em 2016 e chegou a município a convite de um amigo para terminar a faculdade, conciliando com o trabalho, o que é proibido no Haiti.
Ex-jogador profissional e com passagem pela seleção de base do Haiti, Michel Orlwith será técnico e atacante da equipe I Foto: Lucas Pavin/Agência Avante!
Mas tudo isso, sem deixar de lado a paixão pelo futebol. Ex-jogador profissional e campeão nacional no Haiti, além de ter integrado a seleção haitiana Sub-17 em duas oportunidades, Michel não esconde a alegria pelo atual momento vivido em terras tupiniquins. “Sempre quis trabalhar, fazer faculdade e jogar futebol. Estou conseguindo isso e daqui dois anos me formo no curso de radiologia. Espero que muitos companheiros também consigam esse caminho. Estou muito feliz aqui no Brasil, ainda mais agora em poder jogar em um time só de haitianos”, destaca Michel Orlwith, que acumulará as funções de atacante e treinador da equipe.
Apesar de desconhecido, engana-se quem pensa que o Mosprehab entrará no Varzeano apenas para cumprir tabela. De acordo com o presidente do clube, François Louis, esta é uma boa chance de o time mostrar que o pequeno país também sabe jogar o esporte mais popular do mundo, além de ser uma oportunidade do profissionalismo do time e da continuidade de um projeto iniciado com a ajuda de muita gente. “Queremos começar no município para depois ir para o cenário estadual e nacional. Por isso, estamos aqui prontos para jogar o Varzeano. Primeiro vamos ver quais barreiras enfrentaremos e, aos poucos, pretendemos evoluir para um dia jogar um campeonato nacional”, disse François. “Queremos ser campeões (do Varzeano) e vamos batalhar até o fim para mostrar que os haitianos sabem jogar mais que os brasileiros”, brincou o mandatário.
Clube busca patrocinadores
Mesmo confirmado para a disputa do Varzeano, o Mosprehab FC busca patrocinadores para manter o sonho de tornar o projeto grandioso no cenário municipal, e, futuramente estadual e nacional. De momento, o clube recebeu apoio somente da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer de Jaraguá do Sul. Após reunião entre a secretária Natália Lúcia Petry e o presidente François Louis, a entidade forneceu as bolas para treinamentos e conseguiu um doador para as camisas de jogo.
Com relação ao campo, os jogadores, integrantes da comissão técnica e diretoria que recebem salário, reservam uma parte para o pagamento do aluguel na Arsepum, mantendo o time em atividade. Segundo François, a equipe ainda carece de investimentos para ter um bom início do projeto. “Nos faltam muitos recursos. Muitos atletas estão sem emprego e precisamos de apoio para esse projeto. Mesmo se não conseguirmos neste momento, vamos jogar o Varzeano, isso é certo. Mas levando em conta todos os gastos que incluem, por exemplo, o transporte que acredito que seja o principal, precisamos em torno de R$ 15 mil para o início do projeto. Então precisamos de bastante ajuda para ver se mais para frente conseguimos pagar os jogadores só para jogar bola, sem depender de outro emprego, além fazer contratações para os campeonatos”, afirmou. Para ajudar a equipe, basta entrar em contato no telefone (47) 99683-5921, com o próprio François.