Uma das frases banais e sem sentido que, inacreditavelmente, ainda se ouve é: "futebol é coisa para homens". Na verdade, futebol é coisa para seres humanos, homens e, evidentemente, mulheres. E a Copa do Mundo de Futebol Feminino está aí para comprovar isso, com muitos, e belos, gols, jogos de alta qualidade e a presença de craques, como a nossa Marta, ganhadora de seis troféus da FIFA de melhor jogadora do mundo (inveja para Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, que têm cinco).

Apesar da igualdade ser algo óbvio, as mulheres ainda buscam o reconhecimento no esporte mais amado pelos brasileiros e lutam por melhores salários, patrocínios, estrutura, visibilidade, campeonatos e, claro, torcida. E sabe como podemos ajudar? Com pequenas atitudes que, por mais singelas que sejam, transformam essa realidade.

Em Blumenau, uma startup está plantando uma sementinha que, certamente, faz a diferença na luta pela igualdade de tratamento e quebra de preconceito. Assim como na Copa do Mundo de Futebol Masculino, a Movidesk está liberando os seus funcionários para assistirem juntos aos jogos das meninas do Brasil. O ambiente carregado de energia e vibração, sem faltar aquele cheirinho de pipoca, mostra que o amor pelo futebol e pela Seleção Brasileira não tem relação com o gênero.

Foto Giulia Venutti/OCP News Vale Europeu

“Nós estamos vindo no caminho da equidade, da diversidade. Se desejamos que as pessoas mostrem o que elas são, então precisamos começar nas pequenas coisas. Entendemos que se na Copa do Mundo Masculina nós paramos, fizemos pipoca, compramos refrigerantes, por que na feminina não iremos fazer o mesmo?”, destaca a coordenadora de Cultura da empresa, Mariana Vasconcelos, 29 anos.

A Movidesk possui uma sala de recreação que fica liberada para seus colaboradores entrarem, se aconchegarem no cantinho escolhido e torcerem com toda a vontade que desejam. Infelizmente, nem todos podem sair de suas mesas, mas isso não os impossibilita de ficarem na torcida, tendo em vista que possuem à disposição aparelhos de televisão nas salas.

Foto Giulia Venutti/OCP News Vale Europeu

Para a analista de Marketing, Carolina Ignaczuk, 24 anos, ver a empresa em que trabalha tomar uma atitude como essa, é o que faz a diferença. “Sou apaixonada pelo esporte! Já joguei muito, assim como sou torcedora fiel do Timão. Uma paixão que vem de todo o amor que a minha família possui pelo Corinthians”, declara.

Se muitos ainda pensam que torcer por futebol é apenas coisa de homem, Carol veio para provar que o esporte está muito longe de ser definido apenas por gêneros. “Já cheguei a parar tudo o que estava fazendo para poder torcer. Saía mais cedo da faculdade”.

Foto Giulia Venutti/OCP News Vale Europeu

Anos atrás, Carol sentiu na pele como o incentivo das pessoas pode mudar o panorama. Sua paixão pelo futebol passou da arquibancada para dentro do campo quando encontrou em sua antiga cidade, Lontras, um professor que valorizava o time feminino. “Ele nos incentivava, nos levava para competir, nos treinava e deu todo o apoio que merecíamos. Quando vim para Blumenau, vi que a realidade não era assim por aqui e essa foi uma das minhas frustrações”, comenta.

Se o apoio de um único professor fez Carol levar para o campo a sua paixão pela modalidade, o que o incentivo de milhares de brasileiros não poderia fazer com o futebol feminino? “Ver mulheres e homens torcendo juntos é algo muito legal, e a empresa dar essa oportunidade é algo incrível. Por mais que pareça algo pequeno para algumas pessoas, acredite, faz a diferença”.

Foto Giulia Venutti/OCP News Vale Europeu

A questão não envolve o número de troféus, quanto cada um consegue correr pelo campo ou se um é melhor do que o outro. A questão é sentir no coração que, independentemente de qualquer diferença entre homens e mulheres dentro de campo, a torcida fora dele deve ser sempre igual, porque todos vestem as cores e representam a nossa bandeira.

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