Exatos dois meses depois de anunciar sua aposentadoria do futebol para atuar no mercado financeiro, o ex-goleiro Bruno disse ao Extra que a culpa de sua saída forçada dos gramados é da mídia, que o teria condenado a "uma prisão perpétua".

“Na verdade, eu tenho lenha para queimar ainda, teria condições para continuar jogando, meu preparo físico é bom. Eu tinha a intenção, depois de ter enfrentado a situação que todo mundo já conhece, de dar a volta por cima, de mostrar que todo ser humano é capaz de recomeçar, o ser humano é maior que seu próprio erro. Eu tinha, sim, a vontade de continuar no futebol, até porque é um sonho de criança, que foi realizado. E infelizmente não consegui. Deixei isso em terceiro ou quarto plano por causa da pressão midiática. Onde eu saio, aonde eu vou, eu arrasto multidões. Sou abraçado, acolhido, principalmente no Rio de Janeiro. Então, o que mais pegam no meu pé é a questão midiática”, declarou.

Condenado a 22 anos e três meses de prisão em março de 2013 pelo assassinato da modelo Eliza Samudio, o goleiro está no regime semiaberto desde julho de 2019.

Desde então, jogou por equipes de menor expressão, como Boa Esporte, Poços de Caldas, ambos de Minas Gerais, Rio Branco-AC e Esporte Clube Atlético Carioca, até se aposentar em maio deste ano.

“O futebol mudou muito. Hoje eles olham para essa questão de imagem, o jogador bad boy não é enxergado como era antigamente, o futebol mudou muita coisa nesse sentido. Então a mídia meio que colocou sobre o Bruno uma prisão perpétua, como se ele não pudesse recomeçar. Sendo que a nossa legislação fala que a gente tem que ser ressocializado, com trabalho, para ser o provedor da casa. No meu caso não. Infelizmente enterraram meu sonho, meus objetivos, minha profissão”, acusou.

Bruno ainda revelou que recebeu propostas para seguir no futebol, mas optou por continuar na carreira de trader.

“Depois que anunciei minha suposta aposentadoria, uma pessoa me procurou e falou de um projeto bacana. Eu disse que eu não queria mais saber do futebol, porque iria atrapalhar meus estudos. Surgiram outras propostas, até de um clube de Alagoas, outro de Fortaleza e Londrina para disputar a série B. Eu optei em não mais seguir na carreira”, disse.