Velocidade, adrenalina, competição. O mundo automobilístico atrai a atenção dos jovens principalmente pelo alto nível de emoção das corridas.

Mas o esporte, que é considerado o ‘individual mais coletivo’ que existe, vai muito além do piloto e seu carro.

Hoje em dia, é fundamental o condutor ter uma boa equipe em sua volta para alcançar sucesso nas pistas. E talvez, o que pouca gente saiba, é que tem um jaraguaense ganhando cada vez mais destaque nos bastidores.

Formado em engenharia mecânica pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Guilherme Luis Emendorfer Gonçalves trabalha diretamente nas principais categorias do automobilismo no Brasil.

Foto: Divulgação

Uma delas, e a de mais renome, é a Stock Car. Integrante da equipe de Andreas Mattheis, do Rio de Janeiro, o profissional de 29 anos é um dos três engenheiros do Ipiranga Racing, sendo responsável pela parte de dados e performance desde 2017.

Neste período, já conquistou uma tradicional Corrida do Milhão, 16 poles, 15 vitórias e dois vice-campeonatos.

Agora, está perto de chegar ao seu primeiro título, ao lado do piloto Thiago Camilo, que lidera a categoria restando apenas uma etapa para o fim, assim como no ranking por equipes.

Guiga (E) e Thiago Camilo | Foto: Divulgação

Mas Guiga, como é carinhosamente conhecido, não exerce a função apenas na Stock Car. A primeira experiência surgiu em 2013 na Porsche GT3 Cup Brasil, onde permanece até hoje.

De estagiário, ele foi crescendo até ganhar a supervisão técnica e coordenação de toda equipe formada por 40 engenheiros, uma vez que nesta categoria, o formato de trabalho é bem diferente, em que um grupo só faz todos os carros do grid.

Como se não bastasse, o engenheiro também trabalha na Endurance Brasil, com a mesma equipe da Stock Car, mas comandando uma Mercedes GT3. Nela, é responsável técnico pela equipe inteira.

Foto: Arquivo Pessoal

Entre poles, vitórias e troféus, o jaraguaense tem papel decisivo nos resultados dos pilotos e já se coloca como um dos profissionais mais respeitados do país.

“Acredito que já atingi meus maiores sonhos, que sempre foi trabalhar em uma equipe de ponta do esporte e a Stock Car é considerada uma das principais do mundo. Todo engenheiro tem o sonho de trabalhar na Fórmula 1. Isso já foi mais latente dentro de mim e continua existindo, mas meu principal objetivo como profissional eu consegui atingir. O que vier a mais é bônus, mas hoje o que quero conseguir é consagrar um piloto campeão da Stock Car”, destacou.

A função do engenheiro

Diferentemente da Fórmula 1, o carro da Stock Car é um equipamento comprado e não desenvolvido pela equipe.

A partir do momento que se tem o carro, compete à equipe montá-lo, desenvolver o que for possível e ajustá-lo.

Um carro de corrida tem uma infinidade de ajustes que podem ser feitos, variando de pista, temperatura ambiente do local, umidade, estilo de pilotagem, entre outros fatores.

Foto: Divulgação

Esse é um dos grandes desafios do engenheiro, que se prepara através de uma série de ferramentas, como estudos, coleta de dados do carro e estratégias com o piloto para chegar ao melhor resultado na pista.

“É um trabalho extremamente desgastante. A Stock Car tem 12 etapas no ano, então é como se o trabalho de um mês inteiro estivesse concentrado em um fim de semana só. Toda pressão por resultado e dedicação do trabalho vem de uma vez só. Então, o desgaste é muito grande, principalmente na parte psicológica. Vivemos de resultado como todo esporte. Mas, ao mesmo tempo é muito gratificante quando se vence, justamente por tudo isso”, declarou Guiga.

Paixão trazida da infância

Guilherme Gonçalves foi uma criança daquelas fissuradas por automobilismo. A medida que foi crescendo, a diversão passou a ficar mais séria e os planos eram todos voltados para uma carreira profissional no esporte.

Na escola, suas matérias prediletas eram da área de exatas. Daí a escolha pela profissão foi um pulo. Ao prestar vestibular, decidiu conciliar essa paixão pelo automobilismo e fazer engenharia mecânica.

A partir do momento que começou a trabalhar com isso dentro da UFSC e com o entendimento maior da parte técnica, viu que havia feito a escolha certa.

Logo no início do curso, já participou do projeto Mini Baja, conhecido a nível mundial, onde é desafiado a projetar e construir um veículo de competição. Foram quatro anos dedicados a atividade extracurricular.

Jaraguaense (E) e os colegas durante o projeto da faculdade | Foto: Arquivo Pessoal

Na fase final da faculdade, rumou para São Paulo, onde realizou estágio em uma empresa fornecedora de peças de automobilismo.

Com os contatos feitos na capital paulista, saiu de lá com vagas de trabalho dentro das equipes brasileiras e viu a carreira evoluir até garantir posições de destaque no automobilismo nacional, as quais exerce atualmente.

 

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