Desde pequena, o brinquedo preferido da jaraguaense Josianne da Silva Lopes sempre foi a bola. Entre as brincadeiras com os primos de criação e o incansável apreço pelo objeto, decidiu, ainda criança, que o futebol seria sua profissão.

E hoje, aos 15 anos, Josi, como é carinhosamente chamada por todos, vem dando passos importantes para o sonho de virar profissional.

A trajetória começou em 2013, quando ainda a jovem goleira fez suas primeiras defesas na base do futsal feminino de Guaramirim. Mas assim como muitos talentos no esporte, a migração da quadra para o campo era vista como natural. E com Josi não foi diferente.

Josi (E) na época do futsal de Guaramirim | Foto Divulgação

Em 2016, iniciou atividades na Escolinha Bom de Bola, de Jaraguá do Sul. O detalhe é que não havia time feminino e ela passou a treinar com os meninos. “A técnica, tática individual de aplicação dela em treinos era gigante e até melhores que os meninos da idade”, lembra o técnico Paulo Peters.

As palavras do treinador ficaram comprovadas em campeonatos. Afinal, Josi defendeu a escolinha em seis torneios e foi campeã em quatro, sendo, inclusive, goleira menos vazada.

Goleira com um dos troféus conquistados pelo Bom de Bola | Foto Divulgação

O destaque em dois anos no Bom de Bola e posteriormente na Olesc de 2018, quando jogou por São Bento do Sul, chamou a atenção de clubes importantes.

Até que, no ano passado, a jaraguaense foi contatada pelo Criciúma e assinou contrato com a equipe do Sul do Estado, recebendo sua primeira grande oportunidade no futebol.

Jaraguaense chegou ao Criciúma em 2018 | Foto Divulgação

Mas a rápida ascensão nos gramados não parou por aí. Depois de boas apresentações pelo Carvoeiro na Copa Encantado, realizada no início deste ano, no Rio Grande do Sul, a goleira entrou na mira do Internacional e foi emprestada ao clube gaúcho, onde vem disputando a Copa Nike.

As ‘gurias coloradas’, como são chamadas em Porto Alegre, se classificaram na quarta-feira (8) à semifinal da renomada competição após as vitórias na primeira fase contra Corinthians e São José.

Josi (em pé, a segunda da direita para esquerda) com o elenco colorado | Foto Divulgação

Isso tudo com Josi na meta. “Sempre sonhei com isso, mas não imaginava que fosse tão rápido. Foi muita dedicação e esforço no que eu mais amo fazer, que é jogar futebol”, destaca Josi.

Ambição: seleção brasileira

Não é nenhum segredo que existe um abismo de diferenças entre o futebol feminino e masculino no Brasil. Apesar dos avanços nos últimos anos, o cenário atual para as mulheres está longe de ser o ideal, é bem verdade.

No entanto, as barreiras já quebradas por outras gerações proporcionaram que atletas, como Josi, possam continuar trilhando um caminho com mais tranquilidade e projetando um futuro de sucesso no esporte.

Foto Divulgação

E os sonhos movem a carreira da jaraguaense. O primeiro objetivo de chegar a grandes clubes foi atingido. Agora, a jovem que tem a melhor do mundo, Marta, como sua grande inspiração, tem outras duas metas: virar profissional e representar o país.

“Meu maior sonho é jogar na seleção brasileira. O futebol feminino está conquistando seu espaço e quero ser exemplo para todas as meninas que tem o mesmo sonho”, declara.

Orgulho para família e treinador

As conquistas do presente amenizam a saudade da família de Josi, que segue torcendo pela jogadora em Jaraguá do Sul. Liane e Josimar, pais da goleira, acompanham cada passo desde pequena e são os maiores incentivadores da carreira da filha.

Família na apresentação junto ao Criciúma | Foto Divulgação

Mais do que isso. Transmitem força e acreditam no potencial da menina para alcançar todos os seus sonhos.

“Ela (Josi) está vivendo um momento muito bom e acreditamos no potencial que ela tem. Sempre apoiamos e o futebol é o que ela gosta de fazer”, afirma a mãe Liane Martins da Silva, de 41 anos.

O incentivo também é constante do ex-treinador da Escolinha Bom de Bola, Paulo Peters, que vê a caminhada de Josi como um exemplo para outras meninas da região.

“Sempre falei para ela não desanimar que uma hora a oportunidade ia chegar. E veio. Isso é tudo fruto do esforço dela. É uma conquista grandiosa e a região ficará mais rica com esses acontecimentos, porque temos mais meninas sendo monitoradas por alguns clubes”, finaliza.

Josi e o técnico da Escolinha Bom de Bola, Paulo Peters | Foto Divulgação

 

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