Relembrar os melhores momentos, as dificuldades enfrentadas, as ocasiões de realização de sonhos faz parte da rotina de um atleta.

Em Jaraguá do Sul, não faltam histórias recentes de pessoas que viraram exemplos por feitos alcançados.

Seja uma superação pessoal na vida ou em determinado desafio, alguns atletas chamaram atenção por momentos inesquecíveis no esporte.

Vitória contra o câncer

Foto: Arquivo OCP News

Multicampeão no atletismo, Ivanildo de Souza Pinto encarou a prova mais difícil da carreira em outubro de 2017, quando recebeu o diagnóstico de câncer na parótida esquerda (glândula salivar). Mas o susto deu lugar rapidamente à maior vitória de sua vida.

Em pouco mais de um mês após a cirurgia, o velocista voltou a treinar, e, hoje, aos 65 anos, deixou a doença totalmente para trás, competindo novamente em alto nível e conquistando novos pódios em eventos estaduais, nacionais e internacionais.

Transplante no coração

Foto: Arquivo OCP News

O roteiro que permeia a batalha de Isabeli Vieira Lourenço pela vida teve capítulos dramáticos e de muita tensão. Porém, com um final feliz. Portadora da síndrome de Wolff-Parkinson-White (arritmia cardíaca que causa batimentos acelerados), a fisioterapeuta chegou a sofrer risco de morte súbita em 2017.

Mas, após cinco meses na fila do transplante, surgiu um coração compatível para abençoá-la com nova chance, podendo, aos 29 anos, voltar a viver uma rotina de atividades no ciclismo, corrida, surfe e vela, seus esportes favoritos.

Do trauma ao exemplo

Foto: Simone Seguro

Diagnosticada com um bloqueio cerebral, causado por sintomas de depressão após a perda do pai, e o sedentarismo que levou à obesidade, Lady Karine André, 33 anos, perdeu o movimento das pernas e precisou ficar em cadeira de rodas.

Mas, quando tudo parecia desmoronar, encontrou esperança no trabalho de uma fisioterapeuta. Após dois anos de atividades específicas, deixou a cadeira de rodas e virou exemplo de atleta.

Em mais de 100 provas de corrida já disputadas, que vão das tradicionais de rua, passando por cross, montanhas e de obstáculos, conquistou 40 pódios.

Gratidão ao “Pernas Solidárias”

Foto: Arquivo OCP News

Se superar a cada dia e se desafiar sempre. Desde 2017, Julio Amador Santos Oliveira carrega, junto ao filho Matheus, este lema na vida esportiva.

Nada anormal, não fosse o fato de o menino de 11 anos ter paralisia cerebral e ser um dos maiores exemplos no “Pernas Solidárias”, projeto trazido a Jaraguá do Sul há três anos, que busca proporcionar a pessoas que nunca andaram ou que perderam os movimentos das pernas a possibilidade de participar de uma corrida de rua.

Junto a idealizadores do projeto, Matheus já disputou inúmeras provas e se diverte ao longo dos quilômetros percorridos nas competições.

Drible na arritmia cardíaca

Foto: Arquivo OCP News

Da trajetória de quase dez anos como atleta de futsal ao diagnóstico de um problema grave no coração que, por pouco, não o fez interromper sua carreira no esporte, mais um exemplo de superação.

Após diversos médicos apontarem o fim da carreira apesar de sua pouca idade, Thiago Ribeiro Valler, de 21 anos, não desistiu. Fez cirurgia com ajuda financeira do craque Falcão e deixou o trauma vivido há cinco anos para trás, virando jogador profissional nas quadras.

"Homem de ferro" pós-depressão

Foto: Arquivo OCP News

Há 10 anos, algumas crises de depressão e a luta contra a balança mostraram a Alexandre Innocenti Ortiz que algo precisava ser revisto na sua trajetória. E ele encontrou no esporte uma forma de mudar completamente o estilo de vida.

Após muita preparação e força de vontade, o jaraguaense de 40 anos entrou no mundo do triatlo e se tornou “Homem de Ferro” ao completar cinco provas do Ironman, que envolvem 3,8km de natação em mar aberto, 180km de ciclismo e 42km de corrida.

Promessa feita, promessa cumprida

Guilhermino Zapelini Junior percorreu 900km até o Santuário Nacional de Aparecida | Foto: Arquivo OCP News

Em desafios que partiram de promessas pessoais, dois ciclistas jaraguaenses precisaram de muita superação para completar no ano passado o “Pedal da Fé”, a maior trilha de peregrinação do Brasil.

Após o filho se recuperar de uma grave cirurgia, quando tinha apenas um ano de idade, Guilhermino Zapelini Junior, 35 anos, percorreu 900km até o Santuário Nacional de Aparecida (SP). Já Marinês Ronchi, 55, fez um percurso menor, mas tão desafiador quanto.

Marinês Ronchi em frente ao Santuário | Foto: Arquivo Pessoal

Foram 324km percorridos e o agradecimento a Nossa Senhora Aparecida por ter se recuperado de um grave acidente de bike em 2017, quando chegou a ficar em uma cadeira de rodas.

Cartão vermelho no preconceito

Foto: Liamara Polli

Exercer a função de arbitragem no Brasil nunca foi fácil. Quando se é mulher, os desafios são ainda maiores, pois inclui a luta pela igualdade de condições e oportunidades de trabalho.

Mas Charly Wendy Straub Deretti superou todos os preconceitos em um ambiente predominantemente masculino e hoje é uma das principais árbitras do país.

Aos 32 anos, é destaque no cenário estadual, já apitou jogos das Séries B, C e D do Campeonato Brasileiro, além de passar a integrar o quadro internacional da FIFA em 2020.

As maiores montanhas do mundo

Foto: Divulgação

Fã de montanhismo desde 1995, Hélio Fenrich entrou no esporte há pouco mais de 10 anos como uma forma de superar seus próprios limites e hoje é um dos grandes aventureiros do país.

Depois de escalar temidas montanhas no Alasca, Rússia, África e Argentina, o jaraguaense foi o primeiro brasileiro a completar, de forma solitária, o percurso original de 2.260km da Transamazônica, em cima de uma bicicleta.

Agora, ele se prepara para escalar o “Ojos del Salado”, o maior vulcão do mundo, localizado no Deserto do Atacama, e as três montanhas restantes do projeto Sete Cumes, entre elas, o Everest.

Desafio de tirar o fôlego

Foto: Divulgação

Aos 47 anos, Hamilton Kravice foge do estereótipo da pessoa que chega em sua idade e só quer descansar após horas de trabalho. Para ele, calçar um par de tênis e sair para correr é a atividade favorita.

E a paixão pelo esporte o fez encarar um grande desafio em 2018. O atleta superou todos os obstáculos, principalmente físicos, ao completar o Indomit Costa Esmeralda, uma ultramaratona de 160km em 31h25min, entre as praias de Bombinhas e Porto Belo.

Campeã física e mental

Foto: Divulgação

Mesmo em crescimento no Brasil, o fisiculturismo ainda é cercado de preconceitos, principalmente para as mulheres, por estarem em uma modalidade praticada majoritariamente por homens.

Que o diga Suelyn Ferreira, de 30 anos. Além de lidar com olhares de julgamento, a jaraguaense sofreu fortes abalos durante a trajetória no esporte, como grave lesão na coluna, chegando a ficar 15 dias sem andar.

Mesmo contra todos prognósticos, ela voltou a competir em 2018 e se tornou campeã de eventos importantes, superando qualquer preconceito no esporte.

Missão cumprida no exterior

Foto: Divulgação

Dirigir por 1,2 mil quilômetros com curtos períodos de descanso já é, naturalmente, desgastante. Agora imagine encarar esse percurso sobre uma bicicleta, enfrentando diferentes condições climáticas?

Pois este foi o desafio superado pelo jaraguaense Rodrigo Hacke, de 31 anos, no ano passado.

Em apenas cinco dias, mais especificamente em 88h41min18seg, ele completou o percurso no tradicional Paris-Brest-Paris (PBP), evento de ciclismo de estrada com regularidade mais antigo do mundo.

Determinação para chegar ao UFC

Foto Divulgação/UFC

Quem hoje vê Taila Santos brilhando no UFC, não imagina as dificuldades que a lutadora passou para chegar ao maior evento de MMA do mundo.

Ela sofreu com o preconceito e as dificuldades em mostrar seu talento em um esporte praticado majoritariamente por homens, principalmente no início de sua trajetória, há quase 10 anos.

Mas a dedicação e apoio do pai, visto como um dos precursores das artes marciais mistas em Jaraguá do Sul, foram fundamentais para alcançar o sucesso e se tornar a primeira jaraguaense na história a entrar no UFC.