O ano começou promissor. O técnico Hemerson Maria, torcedor do clube e formado como profissional no Scarpelli, havia sido contratado para buscar o bicampeonato estadual. O departamento de futebol estava terceirizado, com a promessa de grandes conquistas e a volta para a Série A. Mas 2019 termina com a sensação de alívio. Por pouco o time não caiu para a Série C e a dita profissionalização quase faliu o Figueirense.

O jogo deste sábado (30), às 16h30min, contra o Operário-PR, no estádio Orlando Scarpelli, marca a última partida na Série B. A participação da equipe na disputa nacional foi marcada pela frustração. A crise administrativa resultou em atraso de salários; na saída de Hemerson Maria; na greve dos jogadores; no WO histórico; e na salvação com o apoio da torcida. Uma tragédia contada em cinco atos. Confira:

Hemerson Maria chegou com expectativa e saiu disparando criticas | Foto Figueirense FC/Divulgação

1 – A promessa de títulos com Hemerson Maria

O técnico formado na base do clube e com trajetória de conquistas – como o título catarinense com o Avaí em 2012 e o acesso à Série A com o Joinville em 2015 – Hemerson Maria chegou ao Scarpelli com expectativa da volta dos bons tempos. Mas a frustração com os resultados e a crise administrativa foram, aos poucos, tirando a força do treinador. No Estadual, acabou em terceiro lugar. Na Série B, chegou a ficar entre os primeiros, mas o atraso de salários e a crise de relacionamento com a empresa que geria o futebol do clube culminaram com a sua saída recheada de críticas públicas. O fracasso em campo era iminente.

Claudio Hongman foi afastado do Figueirense | Foto Divulgação/FFC

2 – O fim da parceria com a Elephant

Quando anunciou a chegada da Elephant para gerir o futebol do clube, os dirigentes do Figueirense projetavam que, terceirizado, o time conseguiria voltar aos tempos de glória, com o retorno à Série A. Mas gestão polêmica de Cláudio Honigman levou ao atraso de salários e a uma crise interna sem precedente. O dirigente acabou afastado em meio a uma guerra jurídica e o pior só não aconteceu porque os sócios tradicionais voltaram ao comando. Os desmandos administrativos deixaram sequelas que devem ser curadas ainda durante 2020.

Jogadores decidiram não treinar | Foto Divulgação/FFC

3 – A greve dos jogadores

Os salários atrasados e a ausência de explicações dirigentes foram revoltando os jogadores do Figueirense. A saída de Hemerson Maria foi a gota d’água. Sem o comandante, os atletas iniciaram protestos que culminaram com a greve inédita. Os jogadores ficaram vários dias sem treinar e alguns deixaram o clube com amparo jurídico por conta do atraso de mais de três meses dos vencimentos. A crise parecia levar o Figueirense ao colapso.

Figueirense não entrou em campo no jogo contra o Cuiabá | Foto Olímpio Vasconcelos

4 – WO histórico em Cuiabá

A crise chegou ao ápice no dia 20 de agosto. Revoltados com os salários atrados – seus, dos jogadores da base e dos funcionários – os jogadores não entraram em campo para enfrentar o Cuiabpa, pela 17ª rodada da Série B. O time foi considerado perdedor por 3x0 e passou por julgamento na justiça desportiva. Perdeu os três pontos do jogo e ainda foi multado em R$ 3 mil.

Apoio da torcida foi fundamental para a reação | Foto Matheus Dias/FFC

5 – A reação com apoio da torcida

Com a saída da Elephant e volta dos dirigentes tradicionais, a torcida retornou ao Scarpelli. A queda parecia certa. O time estava na última posição e só um milagre evitaria o pior. No dia 24 de setembro, 12 mil torcedores foram ao Scarpelli e apoiaram os jogadores mesmo na derrota por 3x0. A festa na arquibancada contagiou o time que aos poucos – primeiro sob o comando de Márcio Coelho, depois com Pintado – começou a reagir. De ponto em ponto conseguiu subir na tabela e após empatar em 0x0 com o CRB, em Maceió, na penúltima rodada, garantiu a permanência na Série B. O jogo desta tarde serve para exorcizar os fantasmas de 2019 e começar a projetar 2020 num cenário mais positivo.

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