Deputada aciona MPF contra Janja por suposta interferência no caso Robinho

Fotos: Divulgação/Redes sociais

Por: Lucas Pavin

03/04/2024 - 15:04 - Atualizada em: 03/04/2024 - 15:25

A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) acionou o Ministério Público Federal (MPF) contra a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, por suposta interferência no julgamento do ex-jogador Robinho, condenado por estupro.

Segundo a parlamentar, Janja teria pressionado o relator do caso, o presidente do Superior Tribunal de Justiça, Francisco Falcão, para que o ex-atleta fosse preso e pede que a primeira-dama seja investigada pelos crimes de coação no curso de processo e tráfico de influência.

“Entramos no MPF ontem, com notícia-crime e consequente requerimento de abertura de investigação contra Janja pela possibilidade dela ter incorrido nos crimes de coação no curso do processo e tráfico de influência, segundo denúncia veiculada pela imprensa”, escreveu Zambelli no X (antigo Twitter).

O colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, publicou em sua coluna que Janja ligou para Falcão para pressioná-lo. O magistrado votou favorável pelo cumprimento da pena de Robinho no país.

Zambelli ainda não apresentou provas, mas disse ainda que Janja tem trabalhado em indicações de juízes na Justiça Federal e para uma das duas vagas abertas no Tribunal Regional Federal da 3ª Região.

Já o ministro-chefe da Secom (Secretaria de Comunicação Social), Paulo Pimenta, negou a interferência da primeira-dama no caso.

“Segundo o ministro (Francisco Falcão), a conversa nunca existiu e ele não conhece e nunca falou com ela. Aguardo os desmentidos e pedidos de desculpas de todos(as) que durante todo o dia de hoje [2ª feira (1º.abr.2024)] de forma covarde divulgaram essa fake news”, declarou em seu perfil no X.

Janja também se pronunciou pela mesma rede social e afirmou que não fez qualquer ligação para o presidente do STJ e que sequer conhece o ministro.

“Janja gostaria de esclarecer que não realizou qualquer ligação ao Ministro Francisco Falcão, a quem sequer conhece, como reconhece o próprio Ministro em nota publicada, para interpelar sobre qualquer caso. Mesmo após o Ministro desmentir a acusação feita pelo jornalista Lauro Jardim em sua coluna, o jornalista insiste em reafirmar a mentira, como se as palavras publicadas pelo Ministro em sua nota não valessem o suficiente. Deveria ser imprescindível aos jornalistas ter um cuidadoso trabalho de conferir fontes para evitar a propagação de fake news. Janja reforça publicamente a resposta do Ministro, reafirmando que não foi feita nenhuma ligação a ele.” ps: desculpe Jornalista, domingo eu estava em família celebrando a Páscoa e não preocupada em ler fake news que o senhor estava publicando”, escreveu.

Condenado a nove anos de prisão por estupro coletivo contra uma mulher, cometido na Itália, em 2013, Robinho está preso desde o dia 21 de março.

O caso

O caso aconteceu na Sio Café, uma conhecida boate de Milão, na madrugada do dia 22 de janeiro de 2013. Uma mulher albanesa disse que foi embriagada e abusada sexualmente pelo atacante, o amigo Ricardo Falco e outros quatro homens enquanto estava inconsciente.

Em depoimento, em abril de 2014, Robinho negou a acusação. Ele admitiu que manteve relação sexual com a vítima, mas disse que foi uma relação consensual de sexo oral e sem outros envolvidos.

A primeira condenação do jogador foi em 2017, época em que jogava no Atlético-MG. Depois, ele passou pelos turcos Sivasspor e Istambul Basaksehir. Em outubro de 2020, Robinho chegou a ser anunciado pelo Santos, mas após a grande repercussão pelo caso de estupro, o clube rompeu contrato.

No dia 20 de março, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) homologou a sentença de nove anos de prisão por estupro coletivo, a qual ele foi condenado em todas as instâncias na Itália, para ser cumprida no Brasil. A votação terminou 9 a 2.