Cruzar a Transamazônica, a terceira rodovia mais longa do Brasil, com motos e carros 4×4 é considerado tranquilo para aventureiros.

Difícil mesmo é encarar o desafio que um jaraguaense vem realizando. Aos 42 anos, Hélio Fenrich percorre a parte mais complicada do local, sem infraestrutura e de complicado acesso, montado em uma bicicleta.

Reconhecido por grandes feitos no alpinismo ao escalar montanhas temidas no Alasca, Rússia, África e Argentina, Fenrich começou a nova missão, desta vez de ciclismo, no último dia 14 de maio.

Jaraguaense na expedição do Monte Denali, no Alasca | Foto Divulgação

O objetivo? Ser o primeiro brasileiro na história a completar, de forma solitária, o percurso original da Transamazônica, que iniciou em Marabá, no Pará, e vai até Lábrea, no Amazonas, resultando em um trajeto total de 2.260km.

Menos de 10 pessoas do mundo todo concluíram esse mesmo projeto, sendo a maioria europeus, americanos e neozelandês.

Com metade do percurso já finalizado, o jaraguaense agora encara o trajeto mais difícil, entre o Pará e Amazonas, onde o local é mais isolado e praticamente tendo de ser todo feito em estrada de chão.

Com uma rotina de 10h a 12h de pedalada por dia, Fenrich vem cumprindo a meta de percorrer 100km em 24h para fechar o desafio em um total de 20 dias.

“A ideia não é fazer velocidade. Quero pedalar em um ritmo tranquilo para que no final do dia eu consiga fazer uma grande quilometragem. As dificuldades são grandes, mas vim para concluir esse projeto e vou até o fim”, destacou.

As dificuldades do trajeto

Para concluir um desafio grandioso como a Transamazônica, os obstáculos surgem a cada momento aos atletas que tentam atravessá-lo. Para Hélio Fenrich, não vem sendo diferente.

O pouco contato com a família e amigos, já que muitos locais não possuem área de celular, além do forte calor que traz um desgaste ainda maior para encarar subidas e descidas na região, são dois exemplos. Mas nenhuma dificuldade na viagem será maior do que a enfrentada pelo jaraguaense, no último dia 18.

Quando viajava pela região de Altamira-PA, dois homens avistaram o ciclista e saíram armados de uma caminhonete, com placas cobertas, para anunciar o assalto, obrigando a vítima a levantar os dois braços.

Foto Arquivo Pessoal

Com uma lesão no ombro que foi agravada durante o percurso, Fenrich conseguiu erguer apenas um dos braços, o que gerou o momento mais tenso da abordagem. Ao imaginar uma possível reação, um dos assaltantes efetuou um disparo próximo ao atleta, como forma de aviso.

Logo em seguida, roubaram os aparelhos eletrônicos, como máquina fotográfica e celular, além do dinheiro que estava na carteira para as despesas como alimentação, manutenção da ‘bike’ e pedágio das balsas.

“Dei azar de estar no lugar errado e na hora errada. Foi um susto muito grande, mas sou um cara tranquilo e jamais iria reagir. Só não queria que levassem a ‘bike’ para eu concluir o projeto. Ainda me ameaçaram caso eu fosse prestar queixa e não fui mesmo, porque estou na estrada e quero concluir isso rápido”, comentou.

Vaquinha online para ajudar o alpinista

Com quase todo dinheiro levado pelos assaltantes, o jaraguaense lançou uma campanha na internet para juntar recursos para compra de material fotográfico e os demais gastos básicos para terminar o projeto.

O objetivo da campanha é arrecadar R$ 3.000, sendo que até o fim desta edição já haviam sido arrecadados pouco mais de 50% do valor.

As contribuições devem ser feitas através deste link e quem ajudar terá seu nome lembrado no livro "Vencendo Desafios", do próprio alpinista, que será lançado em julho.

 

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