Daniel Alves depõe e chora no último dia de julgamento; Médicos confirmam DNA

Foto: Reprodução

Por: Lucas Pavin

07/02/2024 - 16:02 - Atualizada em: 07/02/2024 - 16:19

O julgamento de Daniel Alves, acusado de estupro contra uma mulher em uma boate de Barcelona, na Espanha, em dezembro de 2022, chegou ao último dia.

Nesta quarta-feira (7), o jogador fechou os depoimentos no Tribunal Superior de Justiça da Catalunha, com a sua versão sobre o caso.

“Sai com meus amigos para comer juntos. Era umas 14h30. A princípio íamos só comer. Fazia muito tempo que não nos víamos então ficamos mais tempo. Pedimos 5 (garrafas) de vinho, um uísque, um saquê. (Tomei) mais ou menos uma e meia, duas garrafas de vinho, um copo de uísque. Depois de sair do restaurante, fomos direto ao bar. Ficamos aí um tempo, tomando uma rodada de gin tônica. Quando saímos daí, nós fomos ao Sutton. Eu e Bruno seguimos, os outros foram para casa. Entre 2 a 3 da manhã. Eu entrei na discoteca e os funcionários me levaram para a reserva da mesa 6. Depois pedi para trocar para a 7 porque a 6 estava longe da pista de dança”, contou.

O brasileiro também relatou como conheceu a suposta vítima e detalhes sobre a relação dos dois naquela noite.

“Quando chegamos na sala reservada, estávamos eu e Bruno dançando e seguimos por um tempo. Estavam duas meninas lá e ficaram por um tempo. Bruno que chamou as meninas. Um garçom trouxe o champanhe que havíamos pedido. Dançávamos bem próximos, de forma respeitosa. Sim, acho que elas sabiam que era eu porque mais de uma vez me pediram para tirar foto. Ficamos dançando pegado. Por um tempo a dançar mais próximo, começou a roçar suas partes nas minhas. Coloquei a mão e quando começou a pressão sexual, falei para ir ao banheiro, e ela disse que tudo bem. Não falou nada”, disse.

“Quando fui ao banheiro, disse a ela que iria primeiro e ela me deixou esperando um pouco. Achei que ela não viria, pensei que ela não queria vir. Baixei as calças, sentei no vaso sanitário, ela se ajoelhou e começou a me fazer sexo oral. Ela estava na minha frente e começamos a relação. Lembro que ela sentou em mim. Não sou um homem violento. Não a forcei a praticar sexo oral forçadamente. Ela não me disse nada. Estávamos desfrutando os dois e nada mais”, continuou.

Depois, o lateral falou sobre o início das acusações e chorou na audiência.

“Quando cheguei em casa, lembro que ela (a esposa Joana Sanz) estava em casa na cama e dormi na sequência. Sim, estou dizendo o mesmo que das outras vezes. Soube pela imprensa que estavam me acusando. Soube que estavam me acusando de violação sexual. Estava praticamente arruinado porque tive todos os meus contratos rompidos, contas bloqueadas. Fiquei sabendo tudo pela imprensa”, finalizou.

Daniel Alves está em prisão preventiva sem direito a fiança desde o dia 20 de janeiro e nega ter cometido o crime, que teria acontecido no dia 30 de dezembro de 2022, na boate Sutton, em Barcelona.

O Ministério Público pede nove anos de prisão ao ex-jogador da seleção brasileira, enquanto a defesa da vítima pede a condenação por 12 anos, que é a pena máxima prevista para esse tipo de crime na Espanha. Além disso, exige uma indenização de 150 mil euros (cerca de R$ 800 mil) por sequelas físicas e psicológicas.

Médicos confirmam DNA

Mais cedo, os profissionais da medicina forense (forenses, psicólogos, analistas científicos, provas biológicas) e documental (com visualização de vídeos de câmaras de segurança) prestaram depoimento e confirmaram ter encontrado DNA de Alves em material coletado dentro do corpo da denunciante.

O material genético do atleta de 40 anos foi encontrado em análises coletadas em fevereiro de 2023, quando o caso ainda estava em segredo de Justiça.

Além disso, os médicos que atenderam a vítima após a suposta agressão sexual detalharam o quadro de saúde da denunciante e lesões encontradas durante o exame de corpo de delito.

“Nesse caso, não encontramos nenhuma lesão vaginal, mas não podemos dizer que não tenha nenhuma agressão”, afirmou um dos médicos em seu depoimento.

Já um psicólogo que fez o acompanhamento da mulher nos meses que se seguiram à denúncia disse que ela desenvolveu um sintoma pós-traumático ao ouvir pessoas falando em português.

“Uma série de sintomas desencadeados podem ser vistos na entrevista e apontam que ela tinha uma situação pós-traumática. Ela teve um rompimento, choque e impacto e muitos aspectos da vida e daquela pessoa estão desfigurados. E não tivemos nenhuma indicação de que a pessoa estivesse exagerando ou fingindo”, relatou.