A crise financeira que atinge a Ponte Preta ganhou contornos ainda mais preocupantes nesta semana. Desde as primeiras horas da última quarta-feira (26), quando os jogadores decidiram suspender treinos e jogos em razão dos salários atrasados, o risco de a equipe não entrar em campo contra o América-MG, no domingo (30), em Belo Horizonte (MG), pela 25ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro, passou a ser a principal preocupação da diretoria alvinegra.
Em uma nota assinada por 27 jogadores, segundo os advogados que acompanham o caso, o elenco fez duras críticas à diretoria executiva e afirmou que a paralisação será mantida até que as pendências financeiras sejam regularizadas. A decisão envolve tanto os treinamentos quanto os compromissos oficiais.
Apesar do cenário de incerteza, a direção garante que a Ponte Preta estará em campo no domingo. Em entrevista à Rádio Bandeirantes de Campinas, o vice-presidente e diretor de futebol Marco Antonio Eberlin descartou a possibilidade de W.O.
“Não há hipótese de W.O. A gente, imediatamente, a partir de uma situação de dificuldade, está atuando para buscar a solução”, afirmou o diretor jurídico José Henrique Specie, também à Rádio Bandeirantes.
Com o elenco principal em paralisação, a diretoria trabalha em duas frentes. A primeira é tentar convencer parte dos jogadores a retomar as atividades. A segunda envolve recorrer às categorias de base para garantir atletas em número suficiente para os treinamentos e, principalmente, para a partida de domingo.
Pelas regras do futebol, uma equipe precisa ter no mínimo sete jogadores para iniciar uma partida. Internamente, a estimativa da Ponte é de que aproximadamente 15 atletas estejam atualmente à disposição.
Entre eles estão jovens já integrados ao elenco profissional, como o lateral-esquerdo Matheus Souza, de apenas 17 anos, que foi titular na última partida, contra o Avaí.
A diretoria também considera jogadores que estão emprestados a outras equipes. É o caso dos zagueiros Lucas Cunha e Palacios, do Bragantino, e dos atacantes David da Hora e Brandão, do Coritiba. Como esses atletas recebem parte ou a totalidade dos salários pelos clubes de origem, a Ponte entende que não estão entre os jogadores afetados pelos atrasos salariais.
O departamento de futebol espera evitar a necessidade de recorrer em massa às categorias sub-20 e sub-17, principalmente porque os times de base estão envolvidos em competições. Mesmo assim, os jovens foram colocados de sobreaviso para uma eventual convocação emergencial.
Dentro do elenco principal, a ideia também não seria provocar um W.O. A possibilidade discutida é deixar cada jogador livre para decidir individualmente se participará ou não da partida, enquanto as negociações para solucionar as pendências financeiras continuam.
O momento, portanto, é de contagem regressiva. Enquanto a diretoria busca dinheiro e tenta reconstruir o grupo para o compromisso em Belo Horizonte, a Ponte Preta enfrenta uma crise que ultrapassa as quatro linhas e ameaça diretamente sua participação na Série B.
Um W.O. em uma divisão nacional é um acontecimento raro. A última ocorrência foi registrada em 2020, na Série D, quando o São Caetano não entrou em campo diante do Marcílio Dias.
Na Série B, o caso mais recente — e único até então — ocorreu em 2019, quando o Figueirense não disputou a partida contra o Cuiabá.