O esporte jaraguaense carrega diversas peculiaridades que merecem serem recordadas para demonstrar toda dedicação dos seus envolvidos, desde o surgimento das modalidades até os principais feitos alcançados.

Tem aqueles que se orgulham de um simples ato de iniciação, independentemente de qual seja o projeto. Outros, por sua vez, tem a busca por títulos como objetivo maior para engrandecer ainda mais sua história.

E quando o assunto chega a este último quesito, há de ser lembrado o bicicross. Afinal, quando Cesar Silva montou sua primeira equipe em 1982, não poderia imaginar que a categoria do ciclismo se tornaria o mais vencedor de todos os tempos da cidade. Mas antes de se tornar uma potência no Brasil, o início do BMX foi modesto, assim como grande parte das modalidades locais.

Uma das primeiras competições nacionais sediadas em Jaraguá do Sul, na década de 80. (Foto: Divulgação)

Auxiliado por Valdir Moretti – atual diretor da Equipe Jaraguaense –, Silva começou o trabalho com um grupo formado por apenas seis ‘bikers’, contando com a Nanete Têxtil como primeiro patrocinador, dando lugar para Dalcelis posteriormente. Eles treinavam na pista de um Motódromo já inexistente no município, construída na época por iniciativa do Breithaupt.

Gradativamente, a modalidade foi crescendo e recebendo cada vez mais praticantes, mesmo vivendo um período de cinco anos sem apoio entre as décadas de 80 e 90. No entanto, tudo mudou em 1997. Com status já consagrado no Estado, o bicicross de Jaraguá do Sul passou a figurar no cenário nacional e internacional através de um grande aporte da Malwee.

O investimento na modalidade foi um marco para o sucesso. Em pouco tempo, a equipe mudou os treinos de uma pista na Nova Brasília para a Parque Malwee, considerada hoje um dos melhores locais para prática do esporte. Consequentemente, os resultados evoluíram consideravelmente e Jaraguá do Sul passou a se tornar referência no país.

Não é para menos. Em 36 anos de existência, a cidade acumula 34 títulos estaduais, oito brasileiros e um sul-americano, além de participações em finais do Mundial. Isso tudo sem contar os troféus e medalhas individuais.

“Isso mostra a força que o esporte tem na cidade. Ficamos muito animados pelo pessoal se dedicar bastante e temos consciência de ter tirado bastante jovens da rua através do bicicross. É uma história que está aí para ser guardada e a satisfação é muito grande em poder ver o que o bicicross jaraguaense se tornou hoje”, disse Valdir Moretti.

Monark e pistas irregulares

O bicicross passou por uma constante evolução a cada década. No início, os atletas utilizavam bicicletas Monark e andavam em pistas irregulares. Hoje, com o desenvolvimento das ‘bikes’ e uma estrutura muito superior em relação as de antigamente, o esporte cresceu em número de praticantes em Jaraguá do Sul.

Atualmente, duas equipes representam o município em competições. A Equipe Jaraguaense, que conta com 30 atletas, e a APP BMX Racing, com cerca de 20 integrantes, que vão dos 3 anos até o adulto.

Além disso, foi inaugurada recentemente a Escolinha de Iniciação que conta com apoio da Prefeitura. Buscando novos talentos, a iniciativa é gratuita e acontece duas vezes por semana no Parque Malwee, atendendo 20 crianças.

Objetivos

Apoiada pela Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer, a Equipe Jaraguaense de Bicicross tem como grandes objetivos na temporada a busca pelo 35º título estadual e o 9º nacional, competições na qual largou na liderança após a realização das primeiras etapas. A disputa da Olesc, Joguinhos e Jasc também são tratados como de suma importância pelos atletas para ajudar Jaraguá do Sul a subir na classificação estadual.

Valdir Moretti, um dos idealizadores do esporte em Jaraguá do Sul. (Foto: Eduardo Montecino/OCP News)

Além disso, a equipe será contemplada até abril do ano que vem com o projeto FIA (Fundo para a Infância e Adolescência), que auxiliará os jovens da modalidade com as despesas de inscrição e transporte a campeonatos, anuidades com federação e uniformes.

“Esse é um projeto que vai ajudar muito o bicicross. Sempre encontramos algumas dificuldades e o FIA vem para deixar os atletas ainda mais incentivados a praticar o esporte”, declarou Moretti.

Principais atletas

Com centenas de conquistas ao longo destes anos, são inúmeros os atletas que marcaram seus nomes na história do bicicross jaraguaense. Mas alguns merecem serem lembrados por seus grandes feitos, como Sergio Piazera e Diego Brandenburg na década de 80, e Dedé nos anos 90, que acumularam troféus a nível estadual, sendo o último um dos pioneiros em eventos internacionais.

Já neste século, Ricardo Gruetzmacher, o Rica, que veio a falecer com apenas 18 anos, após complicações em um procedimento cirúrgico para a retirada do apêndice, foi outro a se destacar nas pistas. Ao lado do pai Dorival, eles viajaram pelo Brasil e América do Sul, e somaram total de 285 troféus e 62 medalhas, guardados até hoje em um pequeno memorial na casa da família.

Em memorial, Dori Gruetzmacher guarda troféus e medalhas conquistados com o filho Ricardo. (Foto: Divulgação)

Mais recentemente ainda, Guilherme Bourscheidt também está na galeria dos grandes campeões. Atual técnico da Equipe Jaraguaense, Borcha como é mais conhecido, ingressou na modalidade com apenas cinco anos de idade e segue competindo até hoje.

Guilherme Bourscheidt, principal nome do bicicross jaraguaense na atualidade. (Foto: Eduardo Montecino/OCP)

No currículo, tem como principais conquistas cinco brasileiros, treze estaduais, um bronze no sul-americano e uma final do Mundial, desde as categorias menores até a Elite.

“Os pais sempre foram muito envolvidos com o projeto. O bicicross é um esporte muito familiar e esse apoio agrega muito. A preparação e talentos que temos aqui também faz muito a diferença para chegar ao patamar que alcançamos”, destacou Borcha.