Um homem, com uma mochila carregada de suprimentos e equipamentos, e muita coragem para encarar desafios quase inimagináveis. Além do planejamento, é claro. É isso que o paranaense radicado em Jaraguá do Sul, Hélio Fenrich, tem feito desde 2008.

O objetivo? Completar o desafiador projeto ‘Sete Cumes’, que envolve os picos mais altos do Mundo. Apesar de parecer quase impossível para muitos, a meta parece ser questão de tempo para o ‘jaraguaense’.

Uma confiança trazida após completar na última quinta-feira (7), a subida ao temido Monte Denali, no Alasca. Após chegar ao município na noite de terça-feira (12), Hélio concedeu uma entrevista exclusiva ao jornal O Correio do Povo na tarde de quarta-feira, dia 13 para falar sobre a expedição que durou 22 dias.

Em entrevista ao OCP, alpinista falou das dificuldades enfrentadas no Denali e projetou desafios futuros I Foto: Renan Reitz/OCP News

No corpo, ainda algumas marcas sofrida pelo clima extremo na montanha mais alta da América do Norte. Na mente, as lembranças de dias difíceis, com inúmeras adversidades, mas que culminou com um final feliz ao atingir o topo da quarta das sete montanhas previstas no projeto.

Desde 2015, quando iniciou o ‘Sete Cumes’, o alpinista já conquistou o Kilimanjaro, na África, o Elbrus, na Rússia, e o Aconcágua, na Argentina. Agora, ele segue o objetivo de tornar-se o único brasileiro a fechar o projeto sozinho e sem o auxílio de oxigênio.

“Sou bastante simples e me considero a mesma pessoa de quando iniciou o projeto. Mas é uma satisfação pessoal muito grande em ver que comecei um projeto e estou passando pelas etapas sozinho. Os desafios ainda serão grandes, mas vou me preparar bem para completar todas as montanhas”, comenta.

Dificuldades

Kilimanjaro, Elbrus e Aconcágua. Cada uma teve seu grau de dificuldade. Mas segundo Fenrich, nenhuma se compara ao Denali. A começar pelo deslocamento feito por um avião, que o deixou no base camp há 2.000m de altitude.

Imagem feita em uma dos acampamentos na subida da montanha I Foto: Hélio Fenrich

A partir daí, todo o trajeto tem que ser feito de forma solitária, sem ajuda de transporte até a base. Isso reflete no carregamento de todo equipamento, que chegou a pesar mais de 40kg.

Mas as dificuldades não pararam por aí. Vareta de sustentação para barraca quebrada, isolantes térmicos para dormir furados, bolhas no pé já no segundo dia de subida e principalmente o frio foram outros percalços encarados pelo alpinista.

“Meu relógio marcou -32 graus quando estava a 5.000m e dentro da barraca. No Everest, por exemplo, que é a maior montanha do mundo você vai pegar -30 acima de 8.000m. Além disso, peguei a maior tempestade da minha vida, quando estava descendo. Então foi a (montanha) mais difícil que encarei até agora, sem dúvidas”, comentou.

Temperatura dentro da barraca chegou a mais de 30 graus negativo I Foto: Hélio Fenrich

Fora isso, Hélio ainda enfrentou um princípio de congelamento nas mãos após ficar cerca de três minutos sem as luvas para registrar imagens.

“Demorou mais de duas horas para eu conseguir movimentar a mão e aquele foi um momento crítico, pois também sabia que não demoraria muito para chegar uma tempestade. Até hoje ainda sinto a ponta dos dedos um pouco dormentes”, declarou.

Apesar dos contratempos, o morador de Jaraguá soube utilizar o aspecto psicológico, que de acordo com ele, foi fundamental para completar o desafio. “Você tem que se reinventar a cada dia com as adversidades, porque elas não vão diminuir. Apesar do Denali ter sido a mais difícil até agora, eu estava tranquilo e sabia do meu potencial para finaliza-la. E felizmente consegui”, afirmou.

Próximo objetivo

Quatro locais já foram percorridos e o próximo desafio é, justamente, a maior montanha do mundo em altitude: o Monte Everest, na Cordilheira do Himalaia, com quase nove mil metros. A ideia inicial é encarar o percurso no ano que vem, mas, para isso, Hélio Fenrich necessita de apoio. Segundo ele, somente para tirar uma permissão para escalar, o governo cobra uma taxa de US$ 11 mil.

Isso sem contar as despesas de logística, equipamentos e os dois meses estipulados para ficar na montanha.

“Não quero subir as outras montanhas, antes do Everest. Não tenho condições de fazer sozinho e preciso de apoio. Se conseguir, posso fazer já no ano que vem. É um projeto desafiador, que exige um custo muito maior, mas que estou ansioso em fazer”, disse.

Quem se mostrar interessado em apoiar o ‘paranaense de Jaraguá’ no projeto, basta entrar em contato pelo telefone (47) 99651-3377.

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