No dia 21 de junho de 1970, o estádio Azteca, no México, assistia à uma final marcante de Copa do Mundo. Na época, a seleção brasileira de futebol conquistava sua terceira Copa, ao golear a Itália por 4 a 1, em uma partida que é até hoje lembrada como um dos maiores exemplos de "futebol arte".

Mas o que pouca gente sabe é que naquele elenco estrelado do Brasil estava um jaraguaense.

Se hoje, o lateral esquerdo Filipe Luís leva o nome de Jaraguá do Sul na Rússia, na década de 70, a cidade se orgulhava em ver Eduardo Roberto Stinghen, o Ado, atingir o ápice de sua carreira com a conquista do tricampeonato mundial.

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E essa conquista foi ao lado de craques como Pelé, Rivelino, Carlos Alberto Torres, Clodoaldo, Tostão, Gerson, Jairzinho, entre outros.

Nascido em Jaraguá, no ano de 1946, o goleiro que comemorou na quarta-feira (4) seu 72º aniversário deixou o município aos 7 de anos de idade, após o pai Júlio Schmitt Stinghen, professor de língua portuguesa, ser transferido para um colégio em Londrina (PR).

Conhecido como 'galã' da seleção, Ado foi reserva do goleiro Felix. | Foto Divulgação

Por lá, Ado começou sua trajetória nos gramados através da Escolinha de Futebol do Londrina Esporte Clube.

Destaque pela boa colocação, agilidade e reflexo, ele marcou seu nome na base do Tubarão e se profissionalizou em 1964, com apenas 16 anos.

A partir daí, a ascensão foi meteórica. Em 1969 acabou sendo contratado pelo Corinthians e assumiu rapidamente a titularidade no lugar de Lula.

Jaraguaense com a camisa do Corinthians | Foto Divulgação

Com uma temporada esplendorosa e se destacando em clássicos, o jaraguaense chamou a atenção do técnico da seleção brasileira, João Saldanha, e foi convocado para Copa do Mundo de 1970.

“Tive uma evolução muito rápida, porque mesmo muito novo já jogava no time titular do Corinthians e logo depois fui convocado para seleção. Então foi um momento mágico na carreira”, disse.

Briga pela titularidade

Apesar da saída de Saldanha, que havia brigado com a comissão técnica, muito próximo do Mundial, o subsituto Mario ‘Lobo’ Zagallo manteve o jaraguaense na lista para Copa. Com Felix atormentado por lesões e após ser titular em amistosos, Ado tinha grandes esperanças de iniciar o Mundial na principal formação.

Porém, Felix se recuperou a tempo e Zagallo optou pelo experiente e já experimentado goleiro de 32 anos na época ao invés de apostar no talentoso, mas jovem Ado, de 23.

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Decepção? Jamais. Para ele, estar no grupo que conquistou o mundo era o mais importante.

“É difícil descrever a felicidade que tivemos, mas conhecer craques do futebol mundial como Pelé, Gerson, Rivellino, entre tantos outros, foi surreal. Não conseguia acreditar. Fomos nos conhecendo aos poucos e aquele grupo tinham pessoas maravilhosas, com um ajudando o outro, tanto que chegamos ao título, algo que jamais esquecerei”, completou.

Sequência e fim da carreira

Depois do título no México, Ado voltou ao Corinthians e atuou até 1974, fazendo um total de 205 jogos. Mas uma série de lesões no punho passaram a prejudicar sua carreira.

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Com o fim do vínculo junto ao alvinegro, ele passou por outros sete clubes, como América (RJ), Atlético-MG, Portuguesa (SP) e Fortaleza, até penduras as chuteiras em 1984.

Com a aposentadoria, ele teve a oportunidade de seguir no futebol após alguns clubes o convidarem para ser técnico, mas Ado preferiu tomar o caminho dos negócios. Como empresário, fez de tudo um pouco.

Com 72 anos, Ado reside em São Paulo. | Foto Divulgação

Abriu indústria, restaurante, pizzaria e, mais tarde, uma rede de escolinhas de futebol em São Paulo, juntamente com Rivellino. Aposentado há dois anos, o jaraguaense mantém residência na capital paulista.

“Me aposentei na hora certa e hoje sou babá de neto”, brincou Ado.

Ado vestindo o uniforme da seleção brasileira. | Foto Divulgação

DNA no Futebol

O futebol é uma questão de gerações na família do ex-goleiro. O amor de Ado pelo esporte serviu de exemplo para familiares que tem o futebol como DNA. O primeiro a seguir seus passos foi o primo por parte de pai, Sandro Luís Schmitt, o Toto.

Toto teve grande passagem pelo Flamengo. | Foto: Divulgação

Revelado e artilheiro no Juventus, o ex-atacante teve sucesso na década de 90 em outros clubes brasileiros como Flamengo, jogando ao lado de Zico, além de Cruzeiro, Paraná, Fortaleza, entre outros.

Atualmente, a família é representada por Filipe Luís, com quem Ado foi pego de surpresa recentemente ao saber que há um parentesco entre eles.

“O Filipe é da família Stinghen (parte da mãe Teresa), mas não sabia que ele era meu sobrinho. Meu neto me avisou. Minha família é muito grande na cidade, mas quando soube disso fiquei ainda mais orgulhoso. Ter uma família ligada ao futebol é algo mágico”, destacou.

Filipe Luís em ação na Copa da Rússia | Foto Kirill Kudryavtsev/AFP

Para Ado, a torcida não está só pelo hexacampeonato, mas também pela titularidade do lateral do Atlético de Madrid-ESP.

“Ele entrou muito bem no time nos últimos jogos e não deveria sair. É um grande jogador, que marca e apoia bem. É um orgulho para família e para o pessoal de Jaraguá, porque não é fácil colocar dois jogadores da mesma cidade na seleção. Ele está levando o nome de Jaraguá muito bem”, finalizou.

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