Foto Lucas Pavin/Agência Avante!

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O sonho de retornar à divisão de elite do futebol catarinense foi adiado por mais um ano para o Juventus. Na última quarta-feira (8), o clube fechou sua quarta participação consecutiva na Série B apresentando uma campanha muito abaixo do esperado.

Após iniciar a competição pensando no acesso, o Tricolor acabou figurando nas últimas colocações e ficou longe de alcançar o objetivo.

Em 18 jogos disputados, foram cinco vitórias, três empates e dez derrotas, resultando em um aproveitamento de apenas 33,33%. Na classificação geral, a equipe jaraguaense somou 18 pontos e terminou na 8ª colocação, à frente apenas do rebaixado Operário e do 9º lugar Guarani.

Após a fraca campanha, a Rede OCP News listou cinco motivos para o insucesso do time no Estadual. Confira:

1. Falta de apoio

Uma frase muito utilizada nos dias de hoje de ‘futebol só se faz com dinheiro’ reflete perfeitamente um dos problemas vividos pelo Juventus na temporada.

Com poucos patrocinadores e uma folha salarial de apenas R$ 35 mil, incluindo atletas e comissão técnica, o Tricolor montou um grupo enxuto e não conseguiu bater de frente com as equipes de maior investimento, que bateram na casa dos R$ 100 mil mensais, como Marcílio Dias, Camboriú, Metropolitano e Fluminense.

Sem patrocinador máster na camisa, o Juventus levou o campeonato com poucos apoiadores. | Foto Lucas Pavin/Agência Avante!

Com elencos mais numerosos e qualificados, estes quatro clubes assumiram o principal pelotão da Série B e chegaram as semifinais.

2. Apostas do primeiro treinador

Contratado em meados de março, o técnico Eduardo Clara recebeu carta branca da diretoria e montou 50% do elenco, com destaque para o grande número de reforços oriundos do futebol amazonense.

Treinador teve um aproveitamento abaixo de 50% no turno | Foto Eduardo Montecino/OCP

Foram seis no total: o lateral-esquerdo Matheus Iton, os meias Tiago Amazonense, Railson e Leozinho, e os atacantes Wesley Napão e Charles Chenko.

Destes, ‘vingaram’ apenas Tiago e Railson, titulares absolutos da equipe e que deram boa resposta em campo, apesar de terem caído de produção no returno. Já o meia/lateral Leozinho também iniciou e terminou a temporada como titular, mas nunca convenceu a torcida.

3. Troca no comando técnico

Com a derrota para o Barra na última rodada do turno, a diretoria optou pela demissão do técnico Eduardo Clara, que havia deixado a equipe na 6ª colocação, com 11 pontos (três vitórias, dois empates e quatro derrotas) e um aproveitamento de 47%.

O objetivo era mexer com o brio dos jogadores no vestiário para buscar o título do returno, o que acabou não acontecendo.

Celso Rodrigues assumiu a equipe no returno, mas teve aproveitamento muito inferior ao seu antecessor | Foto: Lucas Pavin/Agência Avante!

Experiente, mas com tempo escasso para trabalhar entre um jogo e outro, Celso Rodrigues chegou e não conseguiu implementar sua filosofia de jogo, além de sofrer a perda de jogadores importantes por lesão como Anderson Pedra e Cristian Roque.

Com isso, a troca no comando técnico acabou influenciando o desempenho do time em campo, que teve uma queda considerável no aproveitamento para 20%, que colocou o Juve na vice-lanterna do returno, com 7 pontos (duas vitórias, um empate e seis derrotas).

4. Escassez de gols dos camisas 9

Um dos poucos motivos de orgulho do Juventus na Série B foi a defesa, a terceira menos vazada do campeonato ao sofrer 17 gols, atrás apenas de Marcílio Dias e Camboriu, ambos com 15. Mas se o setor defensivo foi bem, o ataque deixou a desejar. E muito.

Foram apenas 15 gols em 18 jogos, o segundo pior do campeonato, ficando à frente somente do rebaixado Operário, que marcou 11. E boa parte destes números muito abaixo das críticas deve-se aos chamados ‘camisas 9’ que passaram pelo Tricolor.

À começar por Charles Chenko, primeiro titular da posição, que deixou o clube antes da sexta rodada do turno alegando motivos pessoais e sem nenhum gol.

Charles Chenko foi o primeiro centroavante do Juventus no campeonato em 2018. | Foto Lucas Pavin/Agência Avante!

Depois, Jonatas Obina surgiu como grande promessa de gols, mas em seis partidas, sendo cinco como titular, também não balançou as redes e se desligou do clube antes do fim do Estadual.

Na reta final, Lucas Roggia foi outro a decepcionar no comando de ataque, assim como o reserva Wesley Napão que entrou em quase todos as partidas na Série B e foi titular em uma, mas não conseguiram marcar.

O único a anotar um gol usando a camisa 9 foi Cristian Roque, ponta de origem, mas que atuou improvisado na posição e marcou na goleada por 4 a 0 contra o Operário de Mafra, no dia 1º de julho.

5. ‘Robin Hood’ da Série B

Outro ponto visto como preponderante para o fracasso do Juventus no Estadual foi a síndrome de Robin Hood, personagem mítico, que tem como principal característica roubar dos ricos para distribuir entre os pobres.

No caso do Tricolor, isto se deve ao bom número de pontos conquistados contra os favoritos, mas ao mesmo tempo, os inúmeros tropeços diante das equipes teoricamente mais fracas da competição.

Barra (amarelo) foi um dos times a vencer o Juve por duas vezes | Foto: Lucas Pavin/Agência Avante!

Das cinco vitórias do Juve, três foram contra dois semifinalistas, sendo duas sobre o Metropolitano e uma em cima do Marcílio Dias.

Mesmo sem ter perdido para estes dois grandes concorrentes, a trajetória ante os mais fracos foram determinantes para a sequência do campeonato.

Um exemplo, foram as seis derrotas acumuladas nas duas partidas para Blumenau (7º colocado geral), Barra (6º) e Almirante Barroso (5º), além do revés para o rebaixado Operário de Mafra, que venceu apenas três jogos em toda Série B.

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