Quem acompanha pelas redes sociais as páginas de ONGs (Organizações Não Governamentais) e associações protetoras de animais da região sabe o quanto o trabalho de acolher e tratar os bichinhos em situação de vulnerabilidade é árduo.

Não são poucos os casos de maus tratos e abandono, especialmente dos animais doentes e em idade avançada.

E quem se dedica à causa acaba assumindo diversas tarefas, incluindo a de abrigar cães e gatos, recolher e distribuir doações e buscar recursos para castrações, tratamentos e procedimentos cirúrgicos.

Os perfis na internet dessas entidades também se dedicam a conscientizar sobre a adoção responsável, desencorajar a compra de animais e aumentar a rede de lares temporários, pois não existem abrigos públicos na região.

Alguns desses grupos de voluntários se formaram pelas redes sociais. É o caso, por exemplo, do “Amor Maior”, que atua em Corupá e região.

Conforme sua presidente, a assistente social Tatiana Miranda Baeumle, 43 anos, o município apresenta situações de abandono constantemente. No entanto, o quadro se agrava com a proximidade do fim do ano.

A voluntária também cita uma série de abusos que pautam o atendimento a cães e gatos, como atropelamentos, maus tratos e negligência. “Algumas famílias vão embora e deixam seus animais sozinhos, sem comida ou água, amarrados. Há situações de animais queimados e até estuprados”, conta.

Os grupos e entidades, na maioria das vezes, usam recursos próprios e contam com a colaboração da comunidade para resgatar e dar atendimento a esses bichos.

Em Corupá, existem alguns pontos onde as situações de abandono ocorrem com mais frequência, como próximo à prefeitura, onde há um mirante, e no bairro Ano Bom.

“Nesse momento, estamos dialogando com a Câmara de Vereadores em busca de políticas públicas para os animais. Queremos que o Poder Público assuma uma cota de castrações mensais”, destaca Tatiana.

Neste sábado (20), o Amor Maior promove uma feira de adoção no estacionamento do Supermercado Mees, das 9h às 12h. Os voluntários estarão recebendo doações de ração no local.

Abandono e maus tratos em Schroeder

Protetora independente há mais de uma década, a pedagoga Rute Feliciano, 46 anos, é responsável pela ONG Clube da Pulga, de Schroeder.

Ela explica que o município possui diversos casos de abandono e maus tratos, havendo alguns pontos mais críticos, como os bairros Schroeder 1, Itaoupava Açu, Duas Mamas e Rancho Bom.

Para solucionar esses problemas, a voluntária vem orientando a comunidade a protocolar as denúncias na Prefeitura, para haver registro da ocorrência.

Clube da pulga atua em Schroeder | Foto Divulgação

“Pode ser feito de forma anônima, com fotos, filmagens, o que tiver. Depois que o protocolo é feito, a Vigilância investiga o caso. Como não há abrigos de animais por aqui, eles vão para lares temporários”, aponta.

Para manter o Clube da Pulga, os voluntários promovem alguns eventos. Em setembro, houve uma pastelada e o grupo já prepara um pedágio para os próximos meses.

“A gente também está juntando latinhas e tampas de garrafa pet para vender. Quem quiser ser voluntário para nos auxiliar nas feirinhas de adoção também é bem-vindo”, ressalta Rute.

5 mil animais errantes em Jaraguá do Sul

Uma das ONGs mais conhecidas da região, a Ajapra (Associação Jaraguaense Protetora dos Animais) vem lutando pela causa animal há vários anos. Atualmente, a entidade é dirigida pelo grupo Bicho da Vez, tendo como presidente Marilene Malheiro Bruch, 52 anos.

Ela afirma que a situação de abandono de animais em Jaraguá do Sul é preocupante e que manter um canil ou abrigo é inviável, pois esse número só cresceria. “Todos os dias, de seis a dez situações de maus tratos e abandono chegam até a Ajapra”, afirma.

Segundo destacou, a situação ainda deve piorar, pois agora inicia o que chamou de período da desova, entre outubro e janeiro. “As pessoas saem em férias e abandonam seus bichinhos. Em janeiro, elas voltam para adotar um filhotinho”, declara.

A Ajapra atua em Jaraguá do Sul | Foto Divulgação

A Ajapra encaminha animais abandonados machucados às clínicas conveniadas, por meio do setor de Zoonoses da Prefeitura. Após serem vacinados e tratados leva dez dias para serem castrados. Nesse meio tempo, são abrigados nos lares temporários.

Apesar do grande volume de animais errantes em Jaraguá do Sul que, de acordo com Marilene, chegam a 5 mil, a ONG possui apenas cinco lares. Ela diz que é um número pequeno e incapaz de suprir a demanda.

O setor de Zoonoses cede 40 castrações por mês para animais de famílias carentes, sendo que 10% (4 castrações) são destinadas à Ajapra.

Uma boa maneira de ajudar a entidade é apadrinhando um ou mais animais, com doação de ração, vacinas e até mesmo pagando algum procedimento nas clínicas em nome da associação.

Um trabalho que nunca tem fim

Quem acompanha a voluntária Andréia Giacomet ou a página LarSinguLar pelas redes sociais percebe que o envolvimento dela com a causa animal é constante.

Além de buscar recursos, Andréia também se dedica a “puxar a orelha” dos internautas e cobrar o papel de cada um para que os animais não sofram tanto.

Há posts falando sobre as plaquinhas de identificação nas coleiras dos animais e outros mais taxativos: “Cão de rua não é de rua! É do seu cão que você não castrou! E do cão da vizinha, que também não castrou”, escreveu.

Há pouco tempo, Andréia fez uma campanha para ajudar Xuxinha. Pesando menos de dois quilos, o animal tinha uma hérnia tão grande que arrastava no chão.

Andréia é criadora da página LarSinguLar | Foto Divulgação

A cadela passou por uma cirurgia e o procedimento custou R$ 2.585, dinheiro que ela ainda está arrecadando. Protetora há mais de 20 anos, a voluntária diz que não tinha como deixar Xuxinha sofrendo.

Andreia atua em diversas frentes de apoio aos animais e abriga alguns em sua casa. Ela também promove mutirões de limpeza em residências que acolhem muitos cães e gatos, além de arrecadar e levar alimento e material de higiene e limpeza e promover campanhas de adoção responsável.

Seu sonho é adquirir um veículo próprio para o transporte dos animais e produtos que arrecada.

Outro grupo de proteção animal que também se dedica a divulgar animais para adoção responsável é a Gang dos Patinhas Poverellos.

Como ajudar

As entidades protetoras dos animais aceitam doação de ração, vermífugo, medicamentos, casinhas, caminhas, apadrinhando um animal para castração ou consulta, entre outros. Você também pode abrigar os bichinhos temporariamente ou adotá-los.

Veja como entrar em contato com as entidades:

Amor Maior

Faça contato pelo Facebook.

Clube da Pulga

Faça contato pelo Facebook.

Ajapra

Faça contato pelo Facebook.

LarSinguLar

Faça contato pelo Facebook.

Gang dos Patinhas Poverellos

Faça contato pelo Facebook.

 

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