O interesse de Silvionei Dvirukowski, 33 anos, pelo trabalho de bombeiro voluntário começou por acaso. Vindo do Paraná, ele chegou em Jaraguá do Sul em 2002 e, no ano seguinte, foi servir no Exército no 62º Batalhão de Infantaria, em Joinville, movido pelo desejo de se tornar militar como o irmão.

Lá, ele foi um dos escolhidos para compor a brigada de incêndio da unidade. Durante o serviço militar, o interesse dele pelos bombeiros só aumentou.

“Eu estava com a minha mulher e passei por um acidente de madrugada perto do Chopp & Club, no bairro Água Verde. Ela disse para a gente ir para casa, mas eu disse que queria ver o que estava acontecendo. Na época, eu era apenas mais um curioso”, lembra.

Em 2008, o então militar entrou no Corpo de Bombeiros Voluntários de Corupá e depois no de Guaramirim. Logo, integrava o efetivo do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência em Jaraguá do Sul e em Guaramirim.

Em 2016, fez o curso de bombeiro voluntário e ingressou na corporação de Jaraguá do Sul. “Eu moro no bombeiro e passo minhas folgas em casa. Passo mais tempo dentro de uma ambulância do que com a minha família”, brinca Dvirukowski.

O bombeiro e socorrista do Samu destaca que o voluntariado é muito gratificante. Para ele, a questão não é gostar de estar em meio a uma desgraça, mas sim poder fazer alguma coisa para ajudar as pessoas que estão envolvidas em uma situação difícil.

Silvonei entrou para a corporação em 2008 | Foto Eduardo Montecino/OCP News
Silvonei entrou para a corporação em 2008 | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Silvionei conta que faz os seus plantões no Corpo de Bombeiros Voluntários de Jaraguá do Sul pelo prazer de fazer a diferença sem ter um rosto.

“A gente cria uma identidade única. Foi o bombeiro que fez o salvamento. Se você faz certo ou errado, não foi o Silvionei ou o Cláudio, foi o bombeiro. Graças a Deus o jaraguaense reconhece o nosso trabalho”, comenta.

E o agradecimento por fazer a diferença vem muitas vezes de forma inesperada. O socorrista atendeu um homem em uma batida entre um carro e uma carreta em 2017, na BR-280, em Araquari.

O motorista de Jaraguá do Sul ficou preso às ferragens. Meses depois, Dvirukowski encontrou a pessoa que ajudou quando foi a uma loja.

Salvar vidas é o que motiva o voluntário | Foto Eduardo Montecino/OCP News
Salvar vidas é o que motiva o voluntário | Foto Eduardo Montecino/OCP News

“Os atendentes disseram que eu havia salvo o pai deles. Ele me agradeceu e mostrou fotos de quando houve o acidente e de agora. Eu nem me lembrava da ocorrência, porque são muitas que eu atendo”, confessa.

Mas há ocorrências que não vão sair da sua cabeça. Uma delas é a do garoto de um ano e seis meses que caiu de uma janela do terceiro andar de um prédio no mês de junho. A ocorrência aconteceu em um condomínio no bairro Nereu Ramos e comoveu a comunidade.

“Eu estava na primeira unidade que chegou no local. Os bombeiros cuidaram da desobstrução das vias aéreas até a chegada do Samu. Nunca vi um caso desse com uma recuperação tão rápida”, comemora, ao ressaltar que ocorrências onde a vítima é uma criança são mais difíceis de lidar por ser pai de dois filhos.

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