Relatos de pessoas que fazem parte da história de Jaraguá do Sul

Foto: Arquivo OCP News

Por: Maria Luiza Venturelli

11/07/2020 - 18:07 - Atualizada em: 18/07/2023 - 14:53

Jaraguá do Sul, aos 147 anos, é um berço de memórias e testemunhos emocionantes. Nas ruas movimentadas, casas antigas e rostos marcados pelo tempo, ecoam os relatos de pessoas que vivem há décadas nesta terra tão apreciada pelos moradores e visitantes.

Em comemoração ao aniversário do município, o OCP coletou relatos de verdadeiros guardiões da história local. São homens e mulheres cujas trajetórias se entrelaçam com o desenvolvimento e o progresso de Jaraguá do Sul. São eles que carregam as lembranças de um tempo em que a simplicidade se fundia com a natureza para compor uma cidade aconchegante, que muito se desenvolveu até chegar aos dias atuais.

É tempo de celebrar e preservar a memória viva da cidade. Mergulhe nas histórias cativantes daqueles que acompanharam de perto cada um dos passos que levaram Jaraguá do Sul a se tornar o que é hoje:

Adalberto Bertoli (79 anos)

Foto: Arquivo Pessoal

“Na minha juventude, Jaraguá não passava de uma cidade interiorana com uma agricultura pobre de subsistência. Com uma população arrojada, a partir dos anos 60 começou a industrialização. Tenho saudades dos tempos em que existiam apenas dois partidos políticos e um queria fazer melhor que o outro, e isto era bom para todos. Das empresas que tratavam seus colaboradores como se fosse uma extensão de sua família. Dos colaboradores que vestiam a camisa, pois as oportunidades de empregos eram raras, e o mau caráter era expurgado. Se hoje Jaraguá do Sul tem um corpo de bombeiros voluntários de primeira linha, uma APAE que é um exemplo nacional e uma Scar que nos orgulha muito, devemos isso aos velhos empresários e ao povo maravilhoso.”

Vilmar Luiz Stein (61 anos)

Foto: Arquivo Pessoal

“Para mim Jaraguá do Sul é um paraíso. Cada dia que passa é mais gratificante viver aqui nesta cidade. Tenho recordações de muitas coisas boas. Mas tem uma que carrego na memória, o Salão Cristo Rei, onde realizava-se a grande festa popular em que a população do município participava ativamente. Era o mais completo Salão Paroquial de que se tem notícia no país. Indiscutivelmente, era, na época, o mais imponente, o maior e mais moderno da Diocese de Joinville.”

Vilmar Bompani e Anilza Luzia Pellense Bompani (77 e 70 anos)

Foto: Arquivo Pessoal

“Antigamente, Jaraguá do Sul era uma cidade tranquila, com ruas sem saída, poucos prédios e bastante comércio. As casas eram trancadas apenas com “tramelas” e empresas eram o forte do município, trazendo novos moradores e oportunidades de vida. Na época tínhamos a Lanchonete do Italiano, localizada na Rua Reinoldo Rau 220, víamos de tudo por lá, principalmente o crescimento da civilização de Jaraguá do Sul. Os lugares mais conhecidos eram a Loja de Móveis Disapel, Mercado Minibox, Mercado Breithaupt, a fábrica de pólvora que explodiu, Supermercado dos Trabalhadores Associados, Fábrica de Chapéu Marcatto no final da Marechal, Fábrica Trimetro de Madeira e o Clube de Futebol Juventus. Foi a cidade que nós como casal escolhemos para viver e começar a nossa família. E mesmo depois de 50 anos, Jaraguá continua sendo um lugar seguro e com ótima qualidade de vida, ocupando espaço no cenário nacional no quesito empreendedorismo e segurança! Não trocamos Jaraguá do Sul por nada.”

Laurindo Berri (69 anos)

Foto: Arquivo Pessoal

“Iniciava o ano de 1976. Em fevereiro deste memorável ano para a nossa cidade, vi pela primeira vez uma linda jovem, hoje minha esposa, nos escritórios do Supermercado Breithaupth. Em julho de 76, centenário da nossa linda Jaraguá, andávamos de mãos dadas por entre os balões expositores sobre o agro, a indústria e o comércio. Era tudo muito lindo. Parabéns Jaraguá do Sul e parabéns OCP por ter um espaço retrô intitulado ‘Memória OCP’.”

Laurindo também compartilha um pouco da história da criação do hino de Jaraguá do Sul:

“A letra é uma criação de Rodolfo H. e Alceste Berri. No início de 1973, meu pai, Alceste, era gerente na então Jaraguá Veículos SA. O contador da empresa era o Sr. Norberto S. Emmendorfer, que reside hoje próximo ao antigo Angeloni. Ele também fazia parte do Rotary Club, que estava incumbido de criar um hino para a cidade, visando as festividades do centenário. O Sr. Rodolfo também fazia parte do Rotary. Ele fez uma poesia com este intuito, mas faltava musicar a letra. Foi o que o meu pai fez, a pedido do Sr. Norberto. O hino passou por uma comissão julgadora, foi o escolhido e oficializado.”

Alan Patrício Natali (44 anos)

Foto: Arquivo Pessoal

“Na década de 1990, ainda criança, cheguei em Jaraguá do Sul com meus pais e meus irmãos, no auge do processo de industrialização. Confesso que foi gratificante acompanhar a evolução de uma cidade tão acolhedora. Na época, meu pai Carlos Natali era gerente da farmácia Catarinense. Jaraguá tinha aproximadamente 70 mil habitantes, era considerada uma cidade pequena e de poucos moradores locais. Minhas lembranças são de bons momentos, crescendo em meio a bolinhas de gude e terrenos baldios, que por consequência, tornavam-se estádios de futebol aos meus olhos. Também existia o Portal de Jaraguá do Sul, logo após a divisa com Guaramirim, minha mãe tinha uma lanchonete pequena por lá, atraindo pessoas de todos os cantos do Brasil para conhecer o famoso Strudel de nossa região, as festas típicas, as grandes marcas e empresas. Gostaria de agradecer Jaraguá pelos momentos e pela receptividade de sempre, pela riqueza cultural de nosso município e pela dinâmica empresarial e empreendedora que gera um ambiente inovador. As festas, eventos e celebrações reúnem pessoas de todos os cantos, unindo-as pela alegria contagiante. Jaraguá do Sul é isso!”