Foi numa quarta-feira, 13 de julho, há 126 anos, que a mais antiga corporação de bombeiros voluntários do país era criada. O ano foi 1892, e a cidade uma Joinville de 15 mil habitantes.

Nascia ali, o que se tornaria uma das mais importantes organizações sociais catarinenses, e referência nacional no voluntariado: o CBVJ (Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville).

O primeiro grupamento já era grande, imenso, para época. Contava com 37 soldados do fogo, que atuavam sob o comando de Victo Mueller.

De lá pra cá, muita coisa mudou. Recentemente o quartel ganhou uma sede moderna, com equipamentos tecnológicos. Tudo bem diferente do século passado, quando o fogo era combatido com charretes puxadas a cavalo e, a água, armazenada em barris e tonéis de madeira.

Hoje, os Bombeiros Voluntários de Joinville se tornaram gigantes e estão entre as mais bem equipadas equipes do Sul do Brasil. Abriga um contingente de 1.700 pessoas entre bombeiros voluntários, mirins, banda, brigadistas, atendentes, socorristas e técnicos administrativos.

De todo este efetivo, 90% são voluntários. Na cidade são oito unidades operacionais instaladas em pontos estratégicos.

E é em meio a muita garotada nova, que traça o futuro da corporação, que alguns simpáticos senhorzinhos se destacam por compartilharem a experiência de mais de cinco décadas à frente do Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville.

Para marcar este aniversário, a Rede OCP News foi conhecer quem são os vovôs mais antigos, aqueles com maior tempo de corporação e que ainda estão em atividade. Os cinco participam regularmente das reuniões estratégicas da corporação. Confira!

5º lugar: O músico que há 50 anos é bombeiro de Joinville

Rolf Benno Muller, 86 anos, tem 50 de bombeiro voluntário de Joinville | Foto Windson Prado/OCP

Foi a música que fez Rolf Benno Muller, 86 anos, chegar aos Bombeiros Voluntários de Joinville. Ao lado de seu amigo, um belo trombone de vara, Muller ajudou a construir nada mais, nada menos do que 50 anos da corporação.

“Eu tocava em uma banda de baile como músico profissional. Um dia, em 1968, um amigo me convidou para participar da Banda dos Bombeiros. Gostei da ideia, resolvi participar e, pouco tempo depois, me tornei chefe da Banda”, lembra o músico que adora uma polca, uma valsa e marcha.

“Quando a banda acabou, em 1975, eu vim entregar meu uniforme. Estava muito triste por deixar de fazer parte desta família, mas não me deixaram sair. Pediram para eu continuar no quartel e me aproveitam em todos os tipos de serviço”, enfatiza.

Emocionado, ele finaliza dizendo que “ser bombeiro voluntário de Joinville é uma paixão vivida a cada dia, um sentimento de amor daqueles que jamais são esquecidos”.

4º lugar: o homem que há 51 anos adora apagar um fogo

 Edegard Seiler, 67 anos, tem 51 de bombeiro voluntário de Joinville | Foto Windson Prado/OCP

“E se precisar, hoje, eu ainda apago muito fogo, ou ajudo a apagar”. Foi de forma muito bem-humorada que Edegard Seiler, 67 anos, começou a contar sua história de 51 anos como bombeiro de Joinville. Ele atuou principalmente como brigadista, na linha de frente e apoio no combate ao fogo.

“Em 1967 eu trabalhava em uma gráfica. Lá cheguei a integrar a equipe de brigadista. Foi quando alguns colegas me incentivaram a vir conhecer os bombeiros voluntários. E deste então, não quis sair mais daqui. Fazer parte desta família mudou minha vida, e é responsável pela pessoa que sou hoje”, destaca.

Para ele, a parte mais difícil de ser bombeiro é “sair de casa, todos os dias para ajudar as pessoas, sem saber irá voltar para família. Esta, sem dúvida, é a parte mais difícil de nosso trabalho, não só para os bombeiros, mas para nossas esposas, filhos”, relembra emocionado. “Ser bombeiro é doação disciplina e um amor incondicional”, finaliza.

3º lugar: o mecânico com mais de 53 anos de corporação

 Levino Zietz, 75 anos, tem 53 de bombeiro voluntário de Joinville | Foto Windson Prado/OCP

Não basta treinamento, técnica e preparo, se, na hora de combater um incêndio, os bombeiros não conseguirem chegar à ocorrência. Garantir que a frota e equipamentos sempre estivessem em ordem era a função do mecânico Levino Zietz, 75 anos.

“Desde sempre eu trabalhei com oficina mecânica, e um dia recebi um convite de um primo que já era bombeiros, para conhecer o Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville. Viu o que deu? Já são 53 anos de muito amor e trabalho nesta família”, diz com orgulho. Para ele, vestir a farda de bombeiro significa “companheirismo, força de vontade e dedicação para o outro”.

Hoje ele atua como um dos conselheiros da corporação, mas sempre está de olho na manutenção das viaturas. “Se precisar, os mais novos podem contar comigo, porque sempre estou às ordens”, deixa bem claro.

2º lugar: o motorista que a 55 anos leva o socorro à população

Osvaldo Curt Baumruker, 80 anos, tem 55 de bombeiro voluntário de Joinville | Foto Windson Prado/OCP

Foi na década de 1960 que Osvaldo Curt Baumruker, 80 anos, recebeu o convite para ingressar nos Bombeiros Voluntários de Joinville.

“Eu lembro que, naquela época, 1963 eu trabalhava com manutenção na indústria Colin. Foi lá que um amigo me fez o convite para conhecer o quartel. E não é que gostei, como muitos que ao chegar aqui se encantam com este universo. Minha função era ser motorista, uma atividade de muita responsabilidade. Era eu quem conduzia os brigadistas aos locais de incêndio de forma segura e rápida. Lá eu também acabava ajudando no apoio aos combates”, recorda o segundo bombeiro mais antigo de Joinville em atividade.

“Ser bombeiro é um sentimento maravilhoso de ajudar a fazer o bem e servir a nossa gente. Aqui somos uma família, criamos uma amizade intensa, é maravilhoso”, conclui.

1º lugar: 60 anos, quase uma vida toda dedicada a uma corporação

Romeu Enersto Dressel, 79 anos, tem 60 de bombeiro voluntário de Joinville | Foto Windson Prado/OCP

A história de vida de Romeu Enersto Dressel, 79 anos, se confunde com a história recente dos Bombeiros Voluntários de Joinville. Foi no quartel, do Centro de Joinville, que Romeu esteve quase que todos os dias, nos últimos 60 anos. Ali o bombeiro mais antigo em atividade da cidade mostra a beleza de uma vida dedicada ao próximo.

“Os bombeiros me tiraram de uma tristeza grande. Eu sempre quis servir ao Exército, mas como meu pai era doente, não pude. Vendo minha tristeza, dois vizinhos falaram para eu vir conhecer os Bombeiros e foi uma paixão à primeira vista”, lembra Romeu que sempre atuou no apoio aos brigadistas, cuidando das mangueiras durante os incêndios e até apagando o fogo.

De todas estas seis décadas de trabalho, um incêndio foi o mais impactante na carreira do voluntário. “Ah, sem dúvida foi de uma fábrica de móveis na década de 1960. Naquele dia, muitos achavam que não conseguiríamos voltar para casa”, lembra.

“Ser bombeiro, para mim, é cultivar uma amizade com a comunidade intensa. É viver todo dia perto desta família maravilhosa que tanto se dedica a ajudar ao próximo. Ser bombeiro é sagrado, e sou agradecido por ter esta experiência de vida”, finaliza.

Comemorações dos 126 anos

Uma série de homenagens deve marcar os festejos de 126 anos do Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville, nesta sexta-feira (13). A cerimônia será às 19 horas, na unidade central e é aberta a bombeiros, familiares e convidados.

Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville conta com 1.700 pessoas entre bombeiros voluntários, mirins, banda, brigadistas, atendentes, socorristas e técnicos administrativos | Foto Divulgação/CBVJ

Como é tradição, na mesma solenidade 14 pessoas receberão a Machadinha simbólica e o título de Sócio Remido por mais de 40 anos de contribuição financeira a entidade.

Também será entregue a comenda máxima da corporação, a Ordem da Machadinha, a um benfeitor dos Bombeiros Voluntários de Joinville. O nome é guardado a sete chaves e só será revelado na cerimônia.

Neste ano, as homenagens serão estendidas a 61 bombeiros que fizeram mais de 500 horas em escalas operacionais durante o ano de 2017. Por tempo de adesão ao CBVJ serão homenageados 75 voluntários.

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