*Matéria postada no dia 3 de agosto e atualizada em 8 de agosto, às 12h

Um dos maiores acidentes aéreos já registrados em Joinville completa cinco meses nesta quarta-feira (8). Foi na véspera do aniversário da cidade, em 8 de março, que um helicóptero caiu em cima do muro de duas residências do bairro Paranaguamirim, na zona Sul, deixando três pessoas mortas e uma gravemente ferida.

As investigações ocorrem em duas frentes de trabalho. De um lado a PF (Polícia Federal) investiga o que aconteceu no ar e se houve crime de sequestro. Já o Cenipa tenta descobrir os motivos da queda.  A assessoria de imprensa do órgão, informou que continua investigando a tragédia com o intuito principal de prevenir acidentes com características semelhantes. Não há um prazo determinado para o resultado da apuração.

Queda seguida de explosão deixou três mortos | Foto Divulgação Arquivo/Polícia Militar

PF confirma: houve sequestro

Na semana passada, o delegado chefe da Polícia Federal de Joinville, Alexandre de Andrade Silva, informou à Rede OCP News que o caso segue em segredo de Justiça.

“Tecnicamente o inquérito não foi concluído ainda. Aguardamos alguns laudos importantes, como o feito nos destroços da aeronave, no local do acidente. Todos os interrogatórios de suspeitos e testemunhas já foram tomados e esperamos encerrar a investigação até o final do ano”, comentou Silva.

Entretanto, nesta semana, o delegado da PF de Joinville que comanda a investigação, Cristian Juliano, divulgou que o inquérito está praticamente pronto. Ele confirmou que a aeronave foi sequestrada e indiciou cinco pessoas por participar dos crimes de planejar, sequestrar e ocultação de provas. São eles: Bruna Talita Iastrenski, Creuzinei Artmann Cunha, Roni Telmo Teixeira, Paulo Henrique Artmann dos Santos e Daniel da Silva.

A investigação da PF comprovou que Alexsander Zurman Ferreira, 24 anos, e Daniel da Silva, 18, contrataram o helicóptero da empresa Avalon Táxi Aéreo, em frente ao parque Beto Carrero, em Penha. Eles justificaram o passeio alegando que queriam fazer imagens aéreas de um terreno na zona Sul de Joinville. O voo duraria cerca de 50 minutos. Mas na verdade, o intuito era resgatar o detento Paulo Henrique Artmann dos Santos, o Calango. Ele cumpre pena por tráfico de drogas no Presídio Regional de Joinville. Todos os indicados tem relação de amizade ou parentesco com Calango

Pouca coisa sobrou da aeronave da empresa Avalon Táxi Aéreo | Foto Windson Prado/Arquivo/OCP News

Briga e tiro dentro do helicóptero

A aeronave que caiu era da Bell Helicopter, modelo 206B, fabricado em 2010. O helicóptero de matrícula PRHBB decolou com quatro ocupantes: o piloto Antônio Franco Aguiar, 56 anos; o auxiliar de pista Bruno Siqueira, 21; e dois passageiros, Ivan Alexsander Zurman Ferreira, 24, e Daniel da Silva, 18 anos.

Vítimas. Auxiliar de pista Bruno Siqueira e o piloto Antônio Franco Aguiar morreram na hora | Foto Redes Sociais

Após voar pelo bairro Parque Guarani, e Paranaguamirim – local em que fica o complexo prisional da cidade – o helicóptero perdeu altitude e às 15h40, aproximadamente, caiu e explodiu, na servidão Adenilda Roeder, lateral da rua Monsenhor Gercino. Ninguém que estava em terra se feriu.

Antônio, Bruno e Ivan morreram no local. Populares retiraram Daniel com vida do que sobrou do helicóptero, ainda em chamas. Ele ficou internado em estado grave no Hospital Municipal São José, com queimaduras de segundo e terceiro grau, mas se recuperou, foi preso, e levado à Penitenciária Industrial de Joinville.

Passageiros. Ivan Alexsander Zurman Ferreira não sobreviveu. Daniel da Silva teve graves queimaduras, mas resistiu à queda | Foto Redes Sociais

Em depoimento à Polícia Federal, Daniel confirmou o plano de resgate do Calango e disse que ao se aproximar da Unidade Prisional Ivan rendeu o Piloto e Auxiliar de Pista. Houve uma briga intensa e um tiro chegou a ser disparado. Ninguém foi atingido. Depois disso, o piloto teria tentado fazer um pouso forçado.

Um revólver que estava com a numeração raspada e uma pistola calibre 9 milímetros, com registro das Forças Armadas do Paraguai, foram encontradas nos escombros do helicóptero.

Armas encontradas nos escombros foram periciadas | Foto Arquivo/Polícia Militar

Na época, os diretores do Presídio Regional de Joinville e da Penitenciária Industrial de Joinville negaram a tentativa de resgate ou qualquer interferência na normalidade das atividades das cadeias, naquele 8 de março. Entretanto, Paulo Henrique Artmann dos Santos, que seria resgatado, foi transferido para uma unidade prisional de Criciúma.

Laudos do IML (Instituto Médico Legal) feito por legistas nos corpos das vítimas não apontou nenhum ferimento de arma de fogo, o que indicaria que ninguém teria sido baleado durante o voo.

Até a manhã desta quarta-feira (8) Daniel da Silva continuava detido preventivamente na Penitenciária Industrial de Joinville. Apesar de ser um preso provisório, devido às necessidades especiais por conta das queimaduras sofridas no acidente, Daniel foi alocado na enfermaria da Penitenciária. O advogado de defesa dele e dos demais acusados não foi localizado para falar sobre o caso.

Esta era a aeronave que caiu em Joinville | Foto Divulgação

Quer receber as notícias no WhatsApp?