Jaraguá do Sul figura entre os municípios mais seguros do Brasil. A cidade mantém índices invejáveis em crimes que preocupam grande parte da população, como os homicídios, roubos e furtos. Em 2020, os três índices apresentaram queda expressiva.

No ano passado, ocorreram dois homicídios no município. O número é 66% menor que em 2019, quando foram registrados seis crimes. O levantamento feito junto ao comando do 14º BPM (Batalhão de Polícia Militar) também aponta a diminuição dos números dos crimes patrimoniais.

Em 2020, foram registrados 448 furtos contra 690 em 2019, uma redução de 35%. A queda no índice de roubos, quando há a subtração de algo com o emprego de força ou ameaça, foi um pouco mais expressiva. A PM anotou 37 assaltos em 2020 contra 61 no ano anterior, uma redução de 39%.

O comandante da 12ª RPM (Região de Polícia Militar) e colunista do OCP, tenente-coronel Márcio Leandro Reisdorfer, destaca que a PM tem dois braços: o operativo e o preventivo. O primeiro é realizado pelas guarnições diariamente e o segundo através das redes de proteção.

Na cidade, a Polícia Militar implementou a Rede Catarina, o Proerd e a Rede de Vizinhos, mas também conta com os Consegs (Conselhos Comunitários de Segurança), com presença contínua de representantes da comunidade.

“Aqui, há uma valorização do trabalho do policial. Os jaraguenses entendem e colaboram com o trabalho dos policiais. Eles acessam o número 190 e outros canais de denúncia. Através da Rede de Vizinhos, sempre chega informação, cuidam das suas ruas, do seu bairro”, destaca o oficial, ao reiterar que essa sinergia com as operações policiais acabam por melhorar as condições de segurança da população.

Comandante da 12ª RPM - Márcio Leandro Reisdorfer

Integração das polícias

O delegado regional Fabiano dos Santos Silveira afirma que há um trabalho qualificado de repressão feito pelas polícias Civil e Militar. Para Silveira, é muito importante a integração das duas corporações com o IGP (Instituto Geral de Perícias) e o Deap (Departamento de Administração Prisional).

“Há um trabalho repressivo qualificado feito pelas polícias Civil, Militar e o IGP, além do gestão eficaz feita pelo Deap, que não deixa os problemas saírem do estabelecimento prisional para as nossas ruas. O Ministério Público e o Poder Judiciário sempre estão atuantes, dando respaldo para as forças de segurança”, frisa.

Delegado Regional - Fabiano dos Santos Silveira

O delegado regional também lembra que há atuação de entidades como a Amigos da Segurança Pública do Vale do Itapocu, que busca melhorias da qualidade do trabalho dos agentes de segurança de toda a região. Ele lembra da campanha de doação de parte do valor das assinaturas do OCP feita em parceria com a associação.

“Um exemplo do apoio da sociedade civil organizada é o OCP News. Desde o ano passado, em uma iniciativa inédita no Estado, a empresa destina uma parte das assinaturas para doações para a Associação Amigos da Segurança Pública do Vale do Itapocu. Isso acaba sendo revertido em benefícios e melhorias para as polícias em Jaraguá do Sul”, frisa.

Empresariado engajado com a segurança

O presidente da Acijs(Associação Empresarial de Jaraguá do Sul, Luis Hufenüssler Leigue, lembra que o papel da entidade, além de representar os interesses do ecossistema do setor produtivo, também voltado a temas da comunidade que possam afetar as atividades das empresas de maneira geral.

A segurança pública é um desses temas, pois uma comunidade segura e com sua população convivendo em um ambiente tranquilo, essa condição resulta em mais qualidade de vida, o que é favorável aos empreendedores e aos colaboradores e seus familiares. Há, portanto, na visão da classe empresarial, um círculo virtuoso que se reflete em um ambiente favorável de negócios e melhores condições de desenvolvimento econômico e social para o município e região.

Leigue ressalta que a conexão da ACIJS com entidades que dão suporte à segurança pública, como as polícias Civil e Militar, ou mesmo nas relações com o Corpo de Bombeiros Voluntários e as parcerias com o Poder Judiciário em várias ações, não é algo recente.

Desde iniciativas como o Projeto Âncora, há mais de 20 anos, até outras mais recentes como a criação da Associação Amigos do Batalhão e da Segurança Pública, passando pelo envolvimento da entidade junto ao Conselho Penitenciário, visam à melhoria constante da estrutura de atenção a esse setor.

“Há uma relação até natural da classe empresarial, uma vontade de se manter um diálogo com as instituições que zelam por uma cidade mais segura, ao mesmo tempo em que assegura às forças de segurança um protagonismo importante nas suas atribuições legais”, reitera Luis Leigue.

Presidente da ACIJS - Luis Hufenüssler Leigue

Esse protagonismo, entende o empresário, ocorre na medida em que os órgãos de segurança estejam aparelhados e preparados na logística de trabalho. Mesmo considerando que há uma defasagem histórica de Jaraguá, seja em relação ao contingente de pessoal, em comparação a outras regiões do estado, graças aos investimentos assertivos feitos com apoio da comunidade, ao uso de tecnologias em equipamentos e as boas práticas de inteligência operacional, o município é considerado como um dos mais seguros do País.

“Isso se deve muito a essa sinergia histórica, ao diálogo permanente e convergência de propósitos entre as instituições, poder público e sociedade civil organizada, o que permite às forças de segurança entregar um trabalho de excelência”, completa Luis Leigue.